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Festival dos Vinhos do Alentejo destaca sustentabilidade e aproxima a cultura portuguesa do público carioca

Realizado no Consulado Geral de Portugal, no Rio de Janeiro, evento reuniu produtores, degustações e experiências gastronômicas. Masterclass abordou os desafios da produção sustentável e a importância da certificação no setor vitivinícola.

O Rio de Janeiro recebe, nos dias 16 e 17 de outubro, a segunda edição brasileira do Festival dos Vinhos do Alentejo. Realizado no Consulado Geral de Portugal, em Botafogo, o evento reune produtores portugueses, profissionais do setor e consumidores em uma programação dedicada à cultura vitivinícola, à gastronomia e às tradições de uma das principais regiões produtoras de vinho de Portugal.

Com atividades distribuídas entre espaços de degustação, experiências gastronômicas e masterclasses, o festival apresenta a diversidade dos vinhos alentejanos e promove o conhecimento sobre suas castas, sub-regiões e métodos de produção.

A edição carioca integra um circuito de promoção dos Vinhos do Alentejo em três capitais brasileiras. Após a abertura em Salvador, em setembro, a programação passa pelo Rio de Janeiro e seguirá para São Paulo, nos dias 4 e 5 de dezembro.

Sustentabilidade, transparência e certificação fortalecem a credibilidade dos produtores

Entre os destaques da programação esteve a masterclass Sustentabilidade no Alentejo – território, comunidade e futuro do vinho, realizada na Arena DOC e acompanhada pelo Identidades de Sucesso.

Destinada a profissionais do setor, a atividade abordou os desafios ambientais da vitivinicultura alentejana, especialmente diante das características climáticas da região, marcada por temperaturas elevadas e disponibilidade limitada de recursos hídricos.

Com uma seleção de vinhos com certificação PSVA, composta pelos rótulos Esporão, Ervideira Invisível, Tapada de Colheiros, Paço das Infantes, Adega de Borba, Herdade da Machadinha Nova e Mouchão, a sustentabilidade foi apresentada como um elemento estratégico para garantir a continuidade da produção, preservar os recursos naturais e ampliar a competitividade dos vinhos portugueses no mercado internacional.

“O Alentejo representa 0,3% da vinha plantada no mundo inteiro. Ou seja, é uma região super pequena se a gente for olhar no macro, mas é uma região que respira vinho. E é uma região extremamente quente, não tem muita água disponível, então a pergunta é ‘como é que a gente continua produzindo vinho’? Porque a gente pode ter vinhos maravilhosos agora, mas amanhã pode ser que a gente não consiga mais”, explica Paula Nunes, gerente de Marketing dos Vinhos do Alentejo.

O tema evidencia a relação entre responsabilidade ambiental e posicionamento comercial. Além de contribuir para a preservação das condições de produção, a certificação sustentável representa um diferencial competitivo em mercados internacionais que valorizam critérios ambientais na escolha dos produtos.

“O programa de sustentabilidade chega justamente para ‘organizar a casa’, para regulamentar e certificar uma produção sustentável. Atualmente essa certificação é muito valorizada, principalmente nos mercados nórdicos, como Suécia, Dinamarca e Noruega. E o programa existe também para ajudar os produtores a entrarem nesse mercado”, esclarece Paula.

Em um mercado no qual a sustentabilidade passou a integrar o posicionamento de diferentes marcas, a existência de critérios verificáveis torna-se fundamental para diferenciar compromissos efetivos de declarações sem comprovação.

A discussão reforça a importância da rastreabilidade, da transparência e da credibilidade das informações ambientais comunicadas ao mercado, aspectos cada vez mais relevantes para a relação entre produtores, distribuidores e consumidores.

Conhecimento e gastronomia aproximam o Alentejo do consumidor brasileiro

Além da sustentabilidade, o festival valorizou a formação de profissionais e consumidores por meio de experiências que combinaram conhecimento técnico, degustações e harmonizações gastronômicas.

Na Arena DOC, as masterclasses exploraram as características dos diferentes terroirs, castas e estilos de vinhos da região. Já a Arena Sabores apresenta receitas e técnicas de harmonização em atividades de show cooking, aproximando a tradição gastronômica portuguesa do público brasileiro.

“O Alentejo já é a maior região de Portugal consumida no Brasil. Porém, muitas vezes as pessoas não entendem a sub-região, a casta ou o perfil de vinho. Então as masterclasses fazem a formação, tanto do profissional quanto do consumidor iniciante, que aprende a degustar melhor, aprende a beber melhor e, com isso, o consumo de vinho aumenta e o valor da garrafa a ser consumida também”, explica Erika Ettori, coordenadora das masterclasses dos Vinhos do Alentejo.

A relação entre os vinhos alentejanos e a gastronomia carioca foi um dos elementos explorados na programação, especialmente pelas possibilidades de harmonização. Segundo Érika, o Rio de Janeiro é grande amante da gastronomia, sobretudo a gastronomia de frutos do mar, peixes e culinária japonesa, e tem no Alentejo a maior frente para fazer harmonização com a sua comida.

“O Rio de Janeiro é um grande parceiro do Alentejo, tanto pela receptividade quanto pelo perfil de gastronomia e de paisagem. O Rio tem tudo a ver com o Alentejo: terra e mar nos dois lugares, tudo muito parecido”, acrescenta.

Degustações e experiências culturais marcaram a edição carioca

O festival reúne produtores como Bacalhôa, Carmim Reguengos, Casa Santa Vitória, Ervideira, Esporão, Fundação Eugénio de Almeida (Cartuxa), Ségur Estates, Selo Wine, Sogrape (Herdade do Peso) e Tapada de Coelheiros.

Na Sala de Provas, o público tem acesso a degustações de diferentes rótulos, enquanto a Arena Sabores apresenta experiências gastronômicas inspiradas na culinária alentejana, incluindo preparações com bacalhau, açorda e porco preto.

O Espaço Alentejo reúne ambientes de convivência inspirados na arquitetura tradicional da região portuguesa, além de wine bars, atrações musicais, atividades culturais e referências ao enoturismo. A programação combina experiências sensoriais e conteúdo especializado, aproximando o público brasileiro da diversidade cultural e vitivinícola do Alentejo.

Ao reunir degustações, gastronomia e debates sobre sustentabilidade, a edição carioca evidencia uma dimensão da produção vitivinícola que ultrapassa a experiência de consumo: a necessidade de conciliar tradição, preservação ambiental e desenvolvimento de mercado. A programação brasileira terá continuidade em São Paulo, nos dias 4 e 5 de dezembro, encerrando o circuito de 2026.

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