Eventos climáticos extremos devem gerar quase US$ 1 tri em perdas financeiras globais, aponta CDP

Relatório global indica que riscos climáticos já impactam operações, infraestrutura e cadeias produtivas, enquanto custo de mitigação segue significativamente menor que os prejuízos projetados

Eventos climáticos extremos já estão provocando impactos financeiros relevantes em diferentes setores da economia global e devem ampliar seus efeitos nos próximos anos. A avaliação é do relatório Disconnected Defenses: Extreme Weather Risk across Corporates, Cities and Financial Systems, divulgado pelo CDP, organização global sem fins lucrativos voltada à divulgação ambiental corporativa.

A pesquisa foi baseada em dados de 11.261 empresas que responderam ao questionário corporativo do CDP em 2025, incluindo 149 seguradoras, além de 1.005 cidades, estados e regiões participantes do CDP-ICLEI Track e do questionário de estados e regiões da organização.

Segundo o estudo, empresas projetam impactos financeiros de US$ 898 bilhões relacionados a eventos climáticos extremos, principalmente devido a inundações (US$ 528 bilhões), ciclones (US$ 161 bilhões) e chuvas intensas (US$ 86 bilhões). Quase metade dos riscos identificados (48%) deve se materializar nos próximos dois anos, inserindo o tema diretamente no horizonte atual de decisões empresariais ligadas a investimentos, operações e gestão de riscos.

Apesar da dimensão projetada dos impactos, apenas 35% das 11.261 empresas que reportaram dados ambientais completos ao CDP em 2025 reconhecem eventos climáticos extremos como um risco financeiro material. Ainda assim, as organizações reportaram perdas reais próximas de US$ 3 bilhões somente em 2025, impulsionadas principalmente pelo aumento de custos diretos e paralisações operacionais.

As chuvas intensas apareceram como principal fator isolado das perdas reportadas, somando US$ 1,5 bilhão entre as empresas participantes da pesquisa. O estudo aponta ainda que os impactos financeiros esperados deverão ocorrer principalmente pela redução da capacidade produtiva, estimada em US$ 326 bilhões, além da desvalorização ou desativação antecipada de ativos, projetada em US$ 218 bilhões.

De acordo com o relatório, os efeitos dos eventos climáticos extremos tendem a se espalhar além de ativos específicos, atingindo infraestrutura, cadeias de suprimento, serviços públicos e o mercado de seguros.

O levantamento também aponta que o custo de mitigação permanece significativamente inferior ao impacto financeiro dos riscos ambientais. Dados do relatório *Disclosure Dividend 2025*, do próprio CDP, mostram que o custo médio dos riscos por empresa foi de US$ 39,4 milhões, enquanto o investimento médio necessário para mitigá-los foi de US$ 3,1 milhões — cerca de 13 vezes menor.

A análise avaliou a percepção de governos subnacionais sobre os impactos climáticos. Entre as 1.005 cidades, estados e regiões de 80 países que reportaram informações por meio do CDP-ICLEI Track e do questionário de Estados e Regiões do CDP, 62% afirmaram já sofrer impactos significativos relacionados a eventos climáticos extremos.

Mais de 60% dessas administrações públicas esperam aumento na intensidade ou frequência de eventos como calor extremo, enchentes urbanas e secas. Além disso, 46% relataram restrições orçamentárias que limitam a capacidade de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

Segundo o estudo, mais de 60% das cidades, estados e regiões participantes possuem ao menos um projeto de adaptação climática que ainda depende de financiamento adicional, evidenciando uma lacuna global de investimentos estimada em pelo menos US$ 34 bilhões.

“Eventos climáticos extremos já representam um risco financeiro. Eles provocam um perigoso efeito dominó, interrompendo operações, reduzindo a produção e gerando perdas hoje, com impactos ainda maiores no futuro. Trata-se de um desafio sistêmico que nenhum ator consegue administrar sozinho. Nosso relatório destaca que os esforços para enfrentar esse risco de forma coordenada ainda são insuficientes e que as lacunas de colaboração representam, por si só, um risco significativo. Ao alinhar investimentos, fortalecer sistemas compartilhados e ampliar a adaptação — usando a divulgação de dados como ferramenta para decisões mais qualificadas — empresas e governos podem não apenas reduzir riscos, mas também acelerar a transição para uma economia resiliente e positiva para o planeta,” afirma Amir Sokolowski, diretor global de Clima do CDP.

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