Projeto já contabiliza 22 mil árvores monitoradas e aposta em tecnologia para consolidar nova frente econômica ligada à recuperação florestal
A Fazenda Copaíba, localizada no Sul de Minas Gerais, vem consolidando um modelo de negócio baseado na recuperação florestal e na geração de ativos ambientais rastreáveis. Desde 2024, a propriedade já viabilizou 22 mil Pés de Árvores Saudáveis (PAS) e projeta faturamento de até R$ 200 mil por hectare no mercado de varejo.
O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro industrial e proprietário rural Fábio Garcia Filho, que aplica métodos da engenharia industrial à gestão ambiental em terras próprias. A proposta trata a recuperação florestal com lógica semelhante à de uma safra agrícola, transformando áreas de preservação em ativos monitorados e vinculados à valorização patrimonial da propriedade.
O modelo funciona a partir do plantio e manutenção de áreas destinadas à compensação de passivos ambientais. Empresas e pessoas físicas contratam a fazenda para implantação e consolidação das áreas reflorestadas, que posteriormente são averbadas na matrícula da propriedade.

Atualmente, a Fazenda Copaíba possui seis clientes ativos, entre eles uma multinacional do setor de logística, projetos municipais e investidores pessoa física. Segundo o projeto, áreas antes consideradas improdutivas, como encostas inclinadas e regiões alagadas, passaram a representar potencial econômico superior ao de culturas tradicionais, como milho e soja, além de contribuírem para valorização da terra.
Tecnologia e rastreabilidade no monitoramento ambiental
Para garantir rastreabilidade e monitoramento das áreas reflorestadas, a fazenda utiliza tecnologia desenvolvida pela startup Arborizai. Cada árvore recebe uma identificação individual, permitindo acompanhamento por meio de fotografias de solo, drones e georreferenciamento via satélite. “É como ter nome, RG e endereço de cada ativo ambiental da fazenda na palma da mão”, afirma Fábio Garcia Filho.
Segundo o modelo apresentado, investidores do varejo também podem acompanhar o crescimento das árvores por aplicativo e até atribuir nomes aos ativos ambientais adquiridos.
Preservação permanente e integração com áreas produtivas
O projeto adota o conceito de Integração Lavoura com Florestas Nativas (ILFN), buscando compatibilizar preservação ambiental e atividade produtiva dentro da mesma propriedade rural.
Diferentemente de operações florestais voltadas à exploração de madeira, a proposta da Fazenda Copaíba prevê preservação permanente das áreas reflorestadas. As regiões recuperadas são averbadas como áreas definitivas de conservação, formando florestas nativas permanentes.
A operação no atacado já garante a viabilidade econômica do projeto, enquanto a receita gerada no varejo é direcionada para ações ligadas à comunidade local, bonificação de funcionários e melhorias no entorno da propriedade.
Recuperação de espécies nativas
Além da geração de ativos ambientais, a fazenda também atua na recuperação de espécies ameaçadas. Entre elas está o Sassafrás, árvore considerada rara no setor. O projeto já contabiliza o plantio de 300 mudas da espécie produzidas a partir de sementes coletadas na própria propriedade.
Para Fábio Garcia Filho, a viabilidade econômica é fundamental para consolidar projetos ambientais de longo prazo. “A sustentabilidade só será efetiva quando for economicamente viável. Estamos mostrando que o plantio de árvores pode funcionar como uma nova fonte de renda para proprietários rurais, sem depender de certificações inviáveis, mas sim da comprovação real da entrega e manutenção desses ativos ambientais”, conclui.

