Pesquisa da Robert Half aponta que 84% dos recrutadores consideram difícil ou muito difícil contratar profissionais qualificados, enquanto levantamento sobre a Geração Z mostra novas exigências em relação ao trabalho e aos benefícios corporativos
A disputa por profissionais qualificados segue como um dos principais desafios para as empresas brasileiras em 2026. Segundo a 33ª edição do Índice de Confiança da Robert Half (ICRH), 84% dos tomadores de decisão em recrutamento afirmam que encontrar profissionais qualificados está difícil ou muito difícil.
O levantamento aponta um cenário de baixa disponibilidade de mão de obra especializada, em contraste com uma taxa de desemprego de 2,5% entre esse público. Nesse ambiente, as empresas passam a enfrentar uma concorrência maior para preencher posições estratégicas e precisam considerar fatores que vão além da remuneração na atração de profissionais.
Entre os aspectos apontados como relevantes para os candidatos estão o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a oferta de benefícios. A flexibilidade e a composição dos pacotes oferecidos pelas organizações aparecem, nesse contexto, como elementos relacionados à atração e à retenção de talentos.
Recrutamento deve continuar desafiador nos próximos meses
As perspectivas para o curto prazo também indicam um mercado de trabalho ainda pressionado pela escassez de profissionais qualificados. De acordo com os dados do ICRH, 64% dos recrutadores acreditam que a dificuldade para contratar permanecerá no mesmo nível nos próximos seis meses. Outros 30% esperam uma piora no cenário.
A percepção sobre a contratação também se reflete nas projeções de crescimento das equipes. Apenas 20% das empresas afirmam que pretendem aumentar a intenção de contratar no próximo período, em um contexto marcado pela cautela das organizações e pela disciplina de custos diante do cenário macroeconômico.
A pesquisa da Robert Half foi realizada entre 5 e 30 de janeiro de 2026. A sondagem ouviu 1.161 profissionais qualificados de todo o território nacional, divididos proporcionalmente entre recrutadores, profissionais empregados e desempregados, com distribuição regional.
Geração Z prioriza equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
As expectativas dos profissionais mais jovens também ajudam a explicar as mudanças na relação entre empresas e talentos. Uma pesquisa realizada pela Caju em parceria com a Consumoteca analisou o comportamento da Geração Z e identificou uma forte preocupação desse público com os limites entre vida profissional e pessoal.
Segundo o estudo, 56% dos jovens afirmam que preferem pedir demissão caso o trabalho interfira em sua vida pessoal. Ao mesmo tempo, a estabilidade financeira aparece como a principal preocupação para 84% dos entrevistados.
Os dados indicam, porém, que a busca por segurança financeira não elimina a preocupação com saúde mental e bem-estar. De acordo com a pesquisa, o trabalho é o segundo maior motivo de ansiedade entre os jovens, o que se relaciona à procura por empregos que respeitem o tempo livre e estabeleçam acordos claros de atuação.
Benefícios ganham novas prioridades
A relação da Geração Z com os benefícios corporativos também revela mudanças nas preferências dos profissionais. A análise da Caju aponta que alimentação e mobilidade concentram mais de 80% dos gastos dessa faixa etária, impulsionados pelo uso de aplicativos de delivery e transporte.
Benefícios relacionados à saúde mental, como psicoterapia, e à educação também ganham espaço. O levantamento reforça a importância atribuída à flexibilidade e à personalização dos pacotes de benefícios para esse grupo de profissionais.
Os dados apresentados pelas pesquisas da Robert Half e da Caju em parceria com a Consumoteca mostram um mercado de trabalho em que a escassez de profissionais qualificados convive com mudanças nas expectativas dos trabalhadores. Para as empresas, o desafio passa pela contratação em um cenário de oferta restrita de talentos e pela compreensão das novas demandas que influenciam a permanência dos profissionais nas organizações.

