Obra reúne episódios dos bastidores das redes sociais e mostra como marcas passaram a lidar com a voz do consumidor em tempo real.
O que começou como comentários, elogios e reclamações espalhados pela internet se transformou em uma fonte de informação para empresas e em um mercado bilionário. A evolução dessa relação entre consumidores, redes sociais e marcas é o ponto de partida de “O buzz nosso de cada dia – Como sua opinião em redes sociais deu origem a uma indústria bilionária”, novo livro de Alessandro Barbosa Lima, fundador da Elife e da Buzzmonitor, publicado pela Matrix Editora.
A obra resgata episódios dos 20 anos em que Lima acompanhou a evolução da escuta das opiniões digitais e conta como ele e o amigo de infância Jairson Vitorino transformaram essa atividade em um negócio. A trajetória começou em 2004, quando os dois pernambucanos, recém-chegados a São Paulo, fundaram a Elife sem capital de risco e sem investidores externos. Mais tarde, criaram a plataforma Buzzmonitor.
O contexto em que essa história se desenvolveu ganhou escala internacional. O mercado global de social listening movimentou US$ 8,9 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 20,2 bilhões até 2030. No Brasil, o setor cresce 18% ao ano, ritmo apontado como o mais acelerado da América Latina.
Hoje, o grupo emprega mais de mil pessoas na América Latina, já atendeu contas como Oi, Grupo Casas Bahia e Camil e fatura acima de R$ 120 milhões por ano.
Da planilha de Excel às crises de imagem
A história empresarial é contada em onze lições, cada uma construída a partir de episódios reais. O leitor acompanha os primeiros relatórios feitos à mão em planilhas de Excel, quando “buzz” ainda era uma palavra estranha nas salas de reunião, e chega às situações em que as redes sociais passaram a colocar as empresas diante da sinceridade dos consumidores em tempo real.
Entre os casos estão uma estátua considerada racista que viralizou contra uma padaria e um processo judicial que, ao tentar silenciar uma cliente insatisfeita, acabou multiplicando a repercussão contra a própria montadora.
Os episódios mostram também como a expansão das redes sociais aproximou áreas que antes operavam de forma mais separada dentro das empresas, levando marketing, atendimento e jurídico a lidar com a voz do consumidor em um mesmo ambiente.
A teoria por trás das redes
A experiência de quem participou da construção desse mercado é combinada, no livro, com a formação acadêmica do autor. Mestre em Comunicação pela USP, Lima recupera fundamentos teóricos das redes sociais, incluindo os “seis graus de separação” de Stanley Milgram.
A obra também discute a concentração da atenção em torno de poucas vozes altamente conectadas e a ideia de que a internet não se tornou tão democrática quanto inicialmente se imaginava. Nesse ambiente, um influenciador desconhecido pode alcançar mais pessoas do que grandes marcas.
O próximo capítulo: inteligência artificial
Depois de duas décadas acompanhando o que os brasileiros dizem na rede, Lima direciona parte da obra para as transformações que a inteligência artificial começa a provocar no setor.
O livro aborda ferramentas capazes de simular consumidores e sistemas que podem responder automaticamente a mensagens de uma marca. A discussão também alcança os efeitos das redes sociais, como polarização, fake news, impactos sobre a saúde mental dos mais jovens e o risco de o jornalismo perder espaço em um ambiente no qual entretenimento, opinião e notícia se confundem.
“O buzz nosso de cada dia” é indicado para empreendedores e profissionais de marketing e comunicação, além de estudantes, jornalistas e leitores interessados em compreender a transformação das redes sociais em negócio e os desafios associados à vida em rede.

