Empresa sueco-brasileira prepara primeiro empreendimento em Florianópolis e aposta em autonomia, convivência e bem-estar para o público 55+
O envelhecimento acelerado da população brasileira começa a provocar mudanças no mercado imobiliário e ampliar o debate sobre novos formatos de moradia voltados à longevidade ativa. Inspirada em modelos já consolidados na Europa e nos países nórdicos, a empresa sueco-brasileira Söderhem pretende trazer ao Brasil um conceito de senior living focado em autonomia, convivência e qualidade de vida para pessoas acima de 55 anos.
Segundo projeções do IBGE citadas pela empresa, até 2040 quase metade da população brasileira terá mais de 50 anos. Em escala global, a Organização das Nações Unidas estima que o número de pessoas com mais de 60 anos deve dobrar até 2050, ultrapassando 2 bilhões.
Apesar desse cenário, a Söderhem avalia que o conceito de senior living ainda é pouco compreendido no Brasil. De acordo com a empresa, grande parte das iniciativas nacionais ainda associa moradia para pessoas maduras a soluções assistenciais e acompanhamento constante, enquanto mercados mais desenvolvidos já trabalham modelos segmentados conforme o grau de autonomia dos moradores.
“O Brasil ainda está construindo o entendimento sobre o que, de fato, significa viver mais com qualidade. Em países como Suécia, Reino Unido e Estados Unidos, o senior living evoluiu para modelos bem definidos, que acompanham diferentes fases da maturidade com propostas específicas para cada nível de autonomia”, afirma Daline Moura Hällbom, fundadora da Söderhem.
No cenário internacional, o chamado Independent Living representa uma das principais categorias do setor, voltada a pessoas 55+ com plena autonomia e foco em bem-estar, convivência e estilo de vida. Já modalidades como Assisted Living e Nursing Homes atendem públicos com diferentes níveis de necessidade de cuidado.
Segundo a Söderhem, o perfil da população madura também vem mudando. A empresa destaca que existe um público que busca permanecer ativo, conectado socialmente e vivendo de forma independente, sem se identificar com modelos habitacionais de caráter assistencial.
“Existe um público que não se reconhece nos modelos atuais. São pessoas que querem continuar ativas, socialmente conectadas e vivendo com autonomia. O desafio é criar ambientes que acompanhem esse momento de vida, sem antecipar necessidades que ainda não existem”, explica Daline.
O avanço da chamada economia prateada também aparece como um dos fatores que impulsionam o segmento. A empresa cita estudo da consultoria McKinsey indicando que consumidores maduros devem ampliar sua participação no consumo global nas próximas décadas, especialmente em setores como saúde, turismo e habitação. Segundo dados da Data8, a economia prateada já movimenta cerca de R$ 1,8 trilhão por ano no Brasil.
Com mais de duas décadas de atuação no mercado imobiliário e experiência profissional no Brasil e no exterior, Daline afirma que sua visão sobre o setor foi construída a partir da observação de países que já incorporaram o planejamento habitacional voltado à longevidade como parte da estrutura social.
“Em países como a Suécia, o planejamento da moradia ao longo da vida é parte da estrutura social. Existe uma preocupação real em criar ambientes que sustentem a autonomia por mais tempo, reduzindo impactos sobre o sistema de saúde e melhorando a qualidade de vida da população”, destaca.
Como parte dessa estratégia, a Söderhem prepara, em parceria com a Domini Incorporadora, seu primeiro empreendimento no Brasil, previsto para ser lançado no início de 2027, em Florianópolis (SC). O projeto terá foco em convivência, autonomia, bem-estar e soluções de moradia voltadas à longevidade ativa, sem perfil assistencial.
Para a executiva, o avanço do senior living no Brasil deve ocorrer como um movimento gradual de evolução do mercado imobiliário. “o mercado brasileiro está começando a se movimentar, e isso é positivo. Nosso papel é contribuir com essa construção trazendo referências, experiências e uma leitura mais aprofundada do que já funciona em outros países”.

