Estratégia de realocação de profissionais entre projetos e unidades de negócio alcançou 19% das posições preenchidas nos últimos 12 meses e contribuiu para uma redução de 30% no turnover, segundo a empresa
A alta rotatividade de profissionais de tecnologia tem levado empresas a buscar alternativas para preservar conhecimento técnico e reduzir os impactos associados à saída de especialistas. Nesse cenário, a V8.Tech, empresa do Grupo TIM, estruturou uma estratégia de mobilidade interna e rotação planejada de talentos para realocar profissionais entre diferentes projetos e unidades de negócio, diminuindo a dependência do recrutamento externo e reduzindo períodos de ociosidade entre contratos.
A estratégia parte do mapeamento contínuo das competências técnicas e da disponibilidade dos profissionais, permitindo que colaboradores sejam direcionados para novas oportunidades dentro da própria organização. Com isso, a empresa busca reduzir a dependência do recrutamento externo e diminuir os períodos de ociosidade entre contratos.
O movimento ocorre em um cenário de alta volatilidade no setor. Segundo dados da FIA (Fundação Instituto de Administração), profissionais de tecnologia têm duas vezes mais chances de deixar seus postos em menos de três anos. Para a V8.Tech, a saída de um especialista representa não apenas a necessidade de preencher uma posição, mas também o risco de perda de conhecimento técnico e histórico cultural acumulados.
De acordo com Carolina Martins Piombo, diretora de RH da V8.Tech, 19% das posições preenchidas pela empresa nos últimos 12 meses foram ocupadas por meio de movimentos de realocação interna. “Entre as posições preenchidas nos últimos 12 meses, 19% consideram esse movimento. O modelo foi fundamental para a redução do turnover em 30%, posicionando a V8.Tech à frente do setor – que tem rotatividade histórica de 15%”, explica.
A executiva também relaciona a estratégia a uma transformação mais ampla nas formas de contratação. Segundo levantamento da Robert Half, 24% das empresas apontam crescimento nas demandas temporárias, cenário que reforça, de acordo com a empresa, a necessidade de estruturas mais flexíveis para lidar com as oscilações dos projetos.
Na prática, o modelo adotado pela V8.Tech depende de uma atuação integrada entre a área de Recursos Humanos e as lideranças das unidades de negócio. A empresa acompanha as competências técnicas dos profissionais, a disponibilidade associada aos contratos e as aspirações de carreira dos colaboradores para antecipar possíveis movimentações. “Conectamos as lideranças em uma governança ágil para identificar janelas de oportunidades antes do encerramento de um ciclo de projeto, acelerando a transição de maneira preditiva”, afirma a diretora de RH.
A antecipação também busca reduzir o tempo necessário para a adaptação dos profissionais em novos projetos. Ao permanecerem na organização, os colaboradores já possuem conhecimento sobre a cultura e podem ter familiaridade com padrões técnicos relacionados a áreas como arquitetura de nuvem e dados. Para a empresa, esse conhecimento prévio contribui para acelerar a entrada em operação dos projetos.
“Transformamos os riscos de ociosidade ou atrito em uma plataforma de progressão na carreira, O profissional assume novos desafios, sem precisar deixar a organização em busca por oxigenação”, afirma a executiva.
Além de contribuir para a retenção de profissionais, a mobilidade interna é apresentada pela empresa como uma estratégia de eficiência financeira. A lógica considera os custos associados à substituição de especialistas, que envolvem desde a atração e o treinamento até o período de adaptação à cultura e às demandas técnicas da organização.
“Há um custo oculto na substituição de especialistas em tecnologia, que envolve atração, treinamento, adaptação cultural e a natural perda de tração técnica inicial. Ao retermos o conhecimento dentro de casa, estamos gerando um ganho em eficiência financeira e mantendo nossa capacidade de entrega de ponta intacta”, conclui Carolina.


