Índice da Russell Reynolds Associates aponta menor movimentação de CEOs em um primeiro semestre desde o início da série histórica, enquanto nomeações permanecem estáveis
A troca de CEOs em companhias de todo o mundo atingiu no primeiro semestre de 2026 o menor nível registrado para o período desde o início da série histórica do Índice Global de Rotatividade de CEOs da Russell Reynolds Associates, há nove anos. O resultado ocorre após dois anos de intensa movimentação no comando das empresas e aponta para uma redução no ritmo de saídas de executivos-chefes.
O levantamento, que analisa empresas listadas nos 13 principais índices globais, incluindo S&P 500, FTSE 100, DAX 40, Nikkei 225 e Hang Seng, indica queda de 14,4% em relação ao primeiro semestre de 2025. A redução, entretanto, ficou concentrada nas saídas: a chegada de novos CEOs permaneceu em patamar próximo ao do ano anterior. Foram 131 nomeações nos primeiros seis meses de 2026, contra 126 no mesmo período de 2025.
A mudança no ritmo da troca de executivos também aparece no tempo de permanência dos CEOs que deixaram seus cargos. A média passou de 6,65 anos no primeiro semestre de 2025 para nove anos em 2026, um aumento de 35,3%.
“O estudo confirma uma mudança de postura dos Conselhos de Administração, que estão tratando a sucessão de CEOs como um processo contínuo e estratégico, em vez de reagir a crises. O aumento no tempo médio de permanência no cargo e a preferência por executivos com experiência prévia mostram que a estabilidade na liderança corporativa voltou a ser prioridade, especialmente em um cenário de maior incerteza econômica global”, analisa Flávia Leão, sócia-diretora da Russell Reynolds e Country Manager da empresa no Brasil.
Experiência prévia avança entre os novos CEOs
Além da redução na troca de executivos, o levantamento identificou alteração no perfil dos profissionais escolhidos para assumir a liderança das companhias. No primeiro semestre de 2026, 22,3% dos novos CEOs globais já haviam exercido o cargo em outra empresa. A participação ficou praticamente duas vezes maior que a registrada um ano antes. No mesmo período, a proporção de nomeações internas — de executivos promovidos dentro da própria companhia — caiu de 77,8% para 73,8%.
Saúde e Tecnologia ampliam nomeações
A movimentação apresentou diferenças entre os setores analisados. Saúde registrou o crescimento mais expressivo nas nomeações de CEOs, que passaram de quatro para 13 no comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026.
Em Tecnologia, o número dobrou, de sete para 14 nomeações.
Já Serviços Financeiros e Indústria tiveram redução tanto nas nomeações quanto nas saídas de CEOs. No setor financeiro, as nomeações caíram 23,3% e as saídas, 26,9%.
Na Indústria, a retração foi de 5,3% nas nomeações e de 29,6% nas saídas. Esta foi a maior queda registrada entre os setores analisados no quesito saída de executivos.
No Brasil, o levantamento reforça a importância da sucessão contínua e da preparação estruturada de novos CEOs.

