Pesquisa da TeamViewer mostra avanço no uso diário de IA, mas revela que confiança, transparência e supervisão humana ainda são fatores centrais para ampliar a autonomia dos sistemas
A inteligência artificial já está incorporada à rotina profissional dos brasileiros, mas a ampliação de sua autonomia ainda depende de confiança. É o que aponta o estudo global Path to the Autonomous Workplace, da TeamViewer, realizado pela consultoria Sapio Research em abril e maio de 2026, para a qual foram entrevistados 4.200 profissionais de nove mercados: Austrália, França, Alemanha, Itália, Japão, Singapura, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.
Em território brasileiro, a pesquisa aponta que 87% dos profissionais de TI entrevistados afirmam utilizar IA ao menos uma vez por dia, índice superior aos 75% registrados globalmente. Ao mesmo tempo, 49% dos brasileiros preferem que a tecnologia não tome decisões de forma independente. Entre os líderes de TI, a expectativa é de que aproximadamente 44% dos serviços digitais nos ambientes de trabalho operem de forma autônoma até 2030.
Os participantes incluíram gestores e funcionários, com divisão equilibrada entre os dois grupos, de diferentes setores e empresas de diversos portes. O levantamento investigou como profissionais e executivos avaliam a transição do suporte e da assistência remota baseados em IA para sistemas autônomos capazes de identificar necessidades e agir progressivamente sem intervenção humana.
Uso da IA avança, mas autonomia encontra limites
No Brasil, 83% dos entrevistados descrevem sua experiência com IA como positiva e apenas 1% não identifica benefícios da tecnologia no ambiente de trabalho.
A autonomia também apresenta avanço entre as áreas de TI. 34% dos líderes entrevistados descrevem seus departamentos como pelo menos parcialmente autônomos, contra 26% globalmente. Entre os tomadores de decisão de TI brasileiros, 100% afirmam sentir-se confortáveis em delegar pelo menos uma tarefa à IA.
A disposição, entretanto, diminui à medida que aumenta o grau de autoridade concedido aos sistemas. Embora 39% dos entrevistados estejam preparados para permitir que a IA tome decisões mais autônomas, 77% desse grupo se sentem confortáveis apenas quando a tecnologia executa tarefas previamente definidas. Somente 3% não demonstram preocupações com o funcionamento da IA sem intervenção humana.
O levantamento também mostra que a autonomia é mais aceita quando permanece acompanhada de visibilidade e possibilidade de intervenção. 43% dos participantes querem que a IA detecte e corrija problemas antecipadamente, desde que sejam mantidos informados, enquanto 75% se sentem confortáveis com ações autônomas quando podem intervir caso necessário.
Entre os mecanismos apontados como importantes para aumentar a aceitação estão opções de reversão, citadas por 49%; limites de acesso da IA, por 46%; notificações antes de mudanças significativas, por 44%; proteções de segurança e privacidade, por 42%; e registros visíveis das atividades, também por 42%.
Verificação ainda consome tempo
A relação entre autonomia e confiança também aparece no processo de verificação dos resultados produzidos pela IA. 64% dos entrevistados afirmam verificar frequentemente ou sempre as respostas da tecnologia antes de confiar nelas, dedicando, em média, 1,86 hora por semana à revisão de trabalhos gerados por IA. Além disso, metade dos líderes afirma não saber com certeza quando confiar na IA e quando verificar suas ações e respostas.
A TeamViewer denomina esse cenário de “Lacuna de Confiança em IA”, caracterizada pela maior disposição para utilizar a inteligência artificial como assistente e pela menor disposição para conceder aos sistemas autônomos maior acesso, autoridade e responsabilidade.
“A IA está transformando a forma como as pessoas trabalham, mas a próxima fase desse processo será definida pela confiança”, afirma Oliver Steil, CEO da TeamViewer.
“As empresas não terão sucesso ao conceder autoridade ilimitada à Inteligência Artificial. O caminho está na construção de sistemas que operem de forma segura, transparente e responsável, dentro de limites claramente definidos. A verdadeira oportunidade se consolida por meio da utilização conjunta da IA com a automação para prevenir interrupções, melhorar experiências digitais e liberar os trabalhadores para que se concentrem em atividades de maior valor. A autonomia confiável — e não a automação sem controle — é o que desbloqueará de fato a próxima geração da produtividade”, complementa o executivo.
TI aparece entre as primeiras áreas para adoção de sistemas autônomos
O estudo aponta a área de TI como uma das primeiras em que sistemas autônomos devem ganhar espaço, considerando a presença de tarefas repetitivas e mensuráveis que podem ser executadas dentro de parâmetros definidos.
Entre os tomadores de decisão de TI entrevistados no Brasil, 100% afirmam que delegariam pelo menos uma tarefa à inteligência artificial. As atividades mais citadas são atualizações de sistemas, com 72%; correções de dispositivos recorrentes, também com 72%; e ajustes de desempenho, com 57%.
Para Tim Koubek, presidente da TeamViewer Américas, a evolução representa uma mudança na forma como os sistemas são concebidos. “Durante anos, os softwares foram amplamente concebidos para executar o que lhes era solicitado pelas pessoas. Mas os sistemas autônomos mudam esse paradigma”, declara Koubek.
Segundo o executivo, o avanço da autonomia exigirá que os sistemas sejam capazes de identificar quando devem agir, esperar ou envolver pessoas nas decisões. “Isso exige diretrizes claras, ações pré-aprovadas, supervisão baseada em riscos e transparência sobre o que o sistema fez e por quê. A autonomia ganhará escala quando as organizações puderem demonstrar que funciona em casos de uso específicos e confiáveis — e, a partir daí, expandir com segurança”, conclui.
IA deve transformar o trabalho, não eliminá-lo
A pesquisa também investigou como os profissionais esperam que a inteligência artificial altere suas atividades até 2030. 36% acreditam que a IA atuará como assistente enquanto continuarão realizando a maior parte das tarefas, enquanto 32% esperam delegar mais atividades à tecnologia para se concentrarem em trabalhos de maior valor.
Apenas 2% dos entrevistados acreditam que seu trabalho será eliminado pela IA.
Os resultados indicam, portanto, uma expectativa de avanço da autonomia dos sistemas acompanhada pela manutenção da participação humana, especialmente em situações que exigem supervisão, critérios de decisão e possibilidade de intervenção.

