Estudo da TGT ISG aponta que organizações brasileiras estão reduzindo apostas experimentais e concentrando investimentos em eficiência operacional, governança de dados e retorno mensurável
A inteligência artificial deixou de ocupar apenas o espaço da experimentação para assumir papel estratégico nas operações das empresas brasileiras. É o que aponta o estudo ISG Provider Lens® Digital Business Innovation Services 2026 para o Brasil, produzido e distribuído pela TGT ISG, que identifica uma mudança na forma como as organizações avaliam investimentos em tecnologia, priorizando iniciativas com impacto direto nos resultados do negócio.
O estudo avaliou as capacidades de 48 fornecedores de tecnologia em três quadrantes: Digital Transformation Services for Large Accounts, Digital Transformation Services for Midmarket e Customer Journey Services. O relatório classificou Accenture, AI/R, BRQ, Cadastra, Deloitte, Globant, MadeInWeb e Stefanini como líderes em dois quadrantes cada. Também foram apontadas como líderes act digital, Brivia, CI&T, Deal, Dedalus, Falconi, GhFly, ilegra, Meta, NTT DATA e TIVIT em um quadrante cada. Além disso, SoftDesign, Spassu e Valtech foram reconhecidas como Rising Stars em um quadrante cada, classificação destinada a empresas consideradas pela ISG como detentoras de portfólio promissor e alto potencial futuro.
Segundo o levantamento, o avanço da IA ocorre em um ambiente marcado por maior pressão por eficiência, retorno financeiro e adaptação rápida às mudanças econômicas. Nesse contexto, projetos de transformação digital passaram a concentrar esforços em automação, qualidade de dados, eficiência operacional e melhoria da tomada de decisão, enquanto iniciativas sem métricas claras de retorno perderam espaço.
A análise também destaca transformações observadas em diferentes setores. De acordo com dados citados no estudo, a Febraban aponta que mais de 6 mil agências bancárias foram fechadas na última década, refletindo a consolidação dos canais digitais como principal meio de relacionamento entre bancos e clientes.
“É um dos exemplos mais visíveis da transformação impulsionada por IA, automação e análise de dados“, explica Adriana Frantz, Lead Analyst da TGT ISG e autora do estudo. “A era da IA deslocou a transformação digital para uma necessidade urgente de adaptação e sobrevivência para as empresas. Essa urgência decorre do fato de que a IA está acelerando o ritmo da disrupção nos negócios, redefinindo modelos operacionais, pressionando estruturas de custos e ampliando a desvantagem competitiva das organizações que ainda não contam com infraestruturas de dados modernas e organizadas”, afirma.
Segundo o relatório, a maior instabilidade econômica e geopolítica tem contribuído para elevar a exigência por investimentos capazes de gerar resultados concretos. Como consequência, executivos passaram a adotar critérios mais rigorosos na seleção de projetos de inteligência artificial.
Segundo Adriana Frantz, esse movimento reflete uma mudança na forma como as lideranças avaliam iniciativas de IA. “Os executivos estão priorizando mudanças estruturais e ganhos de eficiência operacional. Após um período de experimentação e certa frustração com os resultados, os líderes de tecnologia passaram a adotar uma abordagem mais cautelosa, buscando escalar casos de uso de IA orientados a ROI e com resultados mensuráveis. Isso não significa, entretanto, que a IA tenha deixado de ser prioridade”, afirma.
O estudo aponta que a adoção efetiva de inteligência artificial depende cada vez mais de dados estruturados e governados, integração da jornada do cliente entre diferentes canais e capacidade das lideranças de conduzir mudanças organizacionais. Nesse cenário, o alinhamento entre tecnologia, estratégia e cultura corporativa passa a ser considerado um fator determinante para o sucesso das iniciativas.
A pesquisa também indica que fornecedores de tecnologia vêm ampliando sua atuação consultiva para apoiar empresas na definição de prioridades, construção de métricas e identificação de casos de uso com maior potencial de retorno. Dados do quarto trimestre de 2025 do ISG Index™ mostram que a inteligência artificial deverá concentrar a maior parte do crescimento dos orçamentos de tecnologia da informação, respondendo por 5,6% da expansão dos investimentos em relação ao ano anterior. Segundo o relatório, a maior parte desses recursos será destinada a programas estratégicos e iniciativas de inovação.
“Isso ganha importância em um momento no qual os compradores estão mais criteriosos quanto ao valor gerado por IA e menos dispostos a sustentar programas amplos sem visibilidade clara sobre os resultados. Também cresce a ênfase em métricas, critérios de sucesso e mecanismos de acompanhamento, com os fornecedores ajudando na construção de business cases e na medição de impacto”, aponta Adriana.
Outro aspecto destacado pelo estudo é o crescimento da demanda por iniciativas de gestão da mudança. Segundo a análise, muitas organizações enfrentam desafios para adaptar equipes e incorporar novos modelos de trabalho, aumentando a busca por fornecedores capazes de combinar tecnologia, capacitação e redesenho organizacional.
“Muitos projetos não esbarram em questões técnicas, mas na dificuldade de engajar áreas de negócio e incorporar novos modelos de trabalho. Nesse cenário, ganha relevância o fornecedor que consegue combinar tecnologia com gestão da mudança, capacitação e suporte ao redesenho organizacional, reduzindo barreiras para a evolução digital”, explica Frantz.
Para os próximos meses, a expectativa apresentada pela TGT ISG é de uma fase mais disciplinada da transformação digital no Brasil, marcada por foco em governança de dados, eficiência operacional e previsibilidade de resultados, com tendência a um maior rigor na seleção de projetos e parceiros tecnológicos.
“A tendência é que fornecedores excessivamente dependentes de execução tática percam espaço para empresas capazes de integrar consultoria, estratégia, IA, dados e gestão da mudança em projetos orientados a valor de negócio”, finaliza Adriana.

