Sala Petrobras, no Museu Histórico Nacional, apresenta os bastidores da exposição do artista brasileiro na China e integra a programação do Ano Cultural Brasil-China 2026
O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, inaugura a Sala Petrobras — Janela para Pequim: Portinari na China, espaço expositivo criado pelo Projeto Portinari como contrapartida cultural da mostra “O Brasil de Portinari”, atualmente em cartaz no Museu Nacional da China, em Pequim.
Patrocinada pela Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a sala integra o Ano Cultural Brasil-China 2026, que também marca os 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países. A proposta é oferecer ao público brasileiro uma experiência imersiva sobre o diálogo cultural entre Brasil e China a partir da trajetória e da obra de Candido Portinari.
A abertura da sala ocorre em paralelo à exposição “Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga”, também apresentada no Museu Histórico Nacional. A mostra reúne mais de 120 objetos do acervo do Museu Nacional da China e percorre cerca de 10 mil anos de civilização chinesa.
A programação reúne, assim, duas exposições relacionadas ao intercâmbio cultural entre os países no mesmo espaço. Em Pequim, “O Brasil de Portinari” está em cartaz desde 9 de junho e apresenta 56 obras originais do artista durante quatro meses. É a primeira vez que um artista brasileiro realiza uma exposição individual no Museu Nacional da China.
A Sala Petrobras ocupa cerca de 20 metros quadrados no Museu Histórico Nacional e apresenta registros da exposição em Pequim, objetos originais ligados ao universo de Portinari e elementos culturais vindos da capital chinesa.
Uma experiência em três dimensões
A experiência foi estruturada a partir de três elementos centrais: uma mesa, um globo terrestre e um cavalete. Na mesa, grãos de café recebem projeções audiovisuais inspiradas na cronologia visual da exposição “O Brasil de Portinari” na China. O café aparece como símbolo da origem de Portinari em Brodowski e da circulação internacional de sua obra, transformando-se em território, matéria e tela para apresentar a trajetória do artista.
O globo terrestre contextualiza a China contemporânea e suas transformações históricas, da Revolução de 1949 aos avanços arquitetônicos e tecnológicos atuais. O conteúdo foi desenvolvido a partir de materiais audiovisuais fornecidos pelo governo chinês e de depoimentos colhidos junto ao público da exposição em Pequim.
No cavalete, animações produzidas com inteligência artificial dão movimento e profundidade a obras emblemáticas de Portinari, apresentando o gesto criativo por trás das pinturas e aproximando o público do processo artístico do pintor.
“Mesa, globo e cavalete compõem uma pequena constelação narrativa que conecta Brasil e China a partir da arte de Portinari. Assim como o café atravessou oceanos e se tornou parte da história brasileira no mundo, a obra do artista também ultrapassa fronteiras e encontra novos públicos para dialogar”, destaca Marcello Dantas, curador da mostra.
Educação e acessibilidade
O projeto também inclui ações educativas e de acessibilidade. O programa educativo propõe uma reflexão sobre as raízes que unem Brasil e China e sobre as distâncias que a arte pode aproximar.
Por meio da mediação, os visitantes são convidados a explorar o processo de criação de Portinari como ferramenta de leitura do mundo contemporâneo, refletindo sobre a identidade brasileira e sua inserção no cenário global.
“Esta sala é o fechamento de um ciclo de intercâmbio histórico. O que realizamos em Pequim e agora trazemos para o público brasileiro é um convite à reflexão sobre as pontes que a cultura é capaz de construir. Ver o legado de Portinari dialogar tão profundamente com o público chinês — e agora ver essa energia retornar ao Rio de Janeiro — demonstra que a arte não conhece fronteiras geográficas. É uma honra podermos oferecer ao Brasil um recorte dessa experiência, evidenciando nossa identidade e nosso lugar no cenário global”, comenta João Candido Portinari, fundador e diretor-geral do Projeto Portinari e cocurador da Sala Petrobras.
A Sala Petrobras — Janela para Pequim: Portinari na China tem visitação de 12 de agosto a 11 de outubro de 2026, no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. A exposição “O Brasil de Portinari” permanece em cartaz no Museu Nacional da China, em Pequim, até 10 de outubro, enquanto “Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga” segue no Museu Histórico Nacional até 11 de outubro.

