CEO considera imprudente levar a companhia à bolsa neste momento e afirma que a estrutura privada preserva liberdade para decisões relacionadas à segurança e ao alinhamento da inteligência artificial
A OpenAI não fará uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em 2026. A decisão foi confirmada neste sábado, 12 de setembro, pelo CEO Sam Altman, que afirmou que a companhia ainda tem questões relacionadas à segurança e ao alinhamento da inteligência artificial a serem conduzidas antes de considerar uma abertura de capital.
Em entrevista a Alyson Shontell, da Fortune, Sam Altman antecipou que a abertura não será em 2026. “Temos muita coisa para fazer e, diante do que será necessário em segurança e alinhamento e de como a indústria e os governos vão trabalhar juntos, fico feliz de poder fazer isso como uma empresa privada”, afirmou.
Para o executivo, levar a OpenAI à bolsa neste momento seria “imprudente”. A condição de empresa privada, segundo Altman, permite que a companhia mantenha liberdade para tomar decisões que eventualmente não atendam aos interesses imediatos dos acionistas.
Entre essas decisões estaria a possibilidade de “pausar” o desenvolvimento acelerado de sistemas de inteligência artificial para avançar em segurança e alinhamento. Altman também afirmou que não há pressão para que a companhia faça uma oferta pública no curto prazo. “Temos dito isso há muito tempo: faremos quando estivermos prontos”, disse.
Possíveis mudanças na tecnologia e no mundo influenciam os planos para a bolsa
A declaração de Altman está em linha com um memorando encaminhado aos funcionários da OpenAI neste ano. No documento, o CEO relacionou um possível adiamento do IPO ao avanço da companhia em direção ao chamado autoaperfeiçoamento recursivo, situação em que sistemas de inteligência artificial seriam capazes de desenvolver novas IAs por conta própria.
Ao abordar o tema, Altman afirmou que “a tecnologia e o mundo podem mudar de maneiras surpreendentes” e que, diante dessas possíveis mudanças, poderiam existir boas razões para a OpenAI seguir como uma empresa privada durante esse período.
Expectativas sobre uma abertura de capital
A confirmação de que não haverá IPO em 2026 ocorre depois de meses de especulações sobre uma possível estreia da OpenAI na bolsa. Em 2025, a companhia deu os primeiros passos formais para alterar sua estrutura e adotar o modelo de Public Benefit Corporation (PBC). Reportagens também apontavam que a empresa preparava terreno para uma possível listagem no quarto trimestre de 2026.
A avaliação implícita da OpenAI ultrapassou US$ 500 bilhões no fim de 2025. Banqueiros de Wall Street chegaram a projetar que uma eventual estreia na bolsa poderia avaliar a companhia em US$ 1 trilhão. A expectativa também ganhou força neste ano com movimentações de outras empresas de tecnologia. A Anthropic, uma das principais rivais da OpenAI, apresentou confidencialmente documentos para um IPO, segundo a Forbes. Na plataforma Polymarket, a probabilidade atribuída a uma abertura de capital da OpenAI antes do fim de 2026 chegou a superar 60%. Neste sábado, caiu para 4%.
OpenAI e Anthropic defendem desaceleração da IA
Altman apoiou um chamado feito inicialmente por Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, para que os laboratórios reduzam o ritmo enquanto avançam as regulações e os protocolos de segurança.
A decisão de Altman foi anunciada no mesmo dia em que OpenAI e Anthropic se comprometeram publicamente a desacelerar o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial e incentivaram outras empresas do setor a fazer o mesmo.
As empresas também afirmaram que permitirão monitoramento por terceiros externos para verificar se seus modelos estão sendo desenvolvidos de maneira responsável.

