Onda verde: do aço ao ouro, metais ganham nova “coloração” no panorama da sustentabilidade

A preocupação com as emissões de CO2 tem crescido na indústria de base e a meta é alcançar a neutralidade até 2050, em prol do desenvolvimento sustentável

Crucial para o desenvolvimento da economia mundial, a produção de ferro e aço é responsável pela liberação de cerca de 7 a 9% das emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás causador do efeito estufa. De acordo com o Net Zero, até 2050, as indústrias que atuam nesse setor produtivo — com destaque às siderúrgicas — precisam neutralizar suas emissões poluentes para estar de acordo com as exigências globais de descarbonização, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Desde o Acordo de Paris, em 2015, diversos países estão elaborando estratégias para descarbonizar a indústria do aço e promover uma produção sustentável, em consonância com os princípios ambientais, sociais e de governança (ESG). Entre eles está o Brasil, o nono maior produtor de aço no mundo, no ranking liderado pela China.

Entre as iniciativas está a produção do “aço verde”, material produzido sem combustíveis ou matérias-primas fósseis, ou seja, sem gerar emissões de CO2. O produto tem como matéria-prima o carvão vegetal oriundo de florestas de eucalipto. Além de ser sustentável, o material se apresenta como economicamente viável por seu baixo custo de produção.

Além do aço, outro metal que ganha “nova coloração” é o ouro, o qual se torna “verde” a partir de processos de extração sustentáveis como os realizados na Colômbia. Conforme ressalta o doutor em Ciências do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mineral da USP, Carlos Henrique Xavier Araújo, em sua tese, a temática tem ganhado destaque na mineração nacional devido à atual forma como o garimpo interage com suas comunidades e o meio ambiente, a qual revela a necessidade de uma mudança em favor da incorporação de transformações endógenas do setor, além de definir a quantidade de minério recuperado e aumentar o conceito de visão de futuro para a atividade.

Diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Valdomiro Roman da Silva destaca que a indústria de base tem explorado várias possibilidades para reduzir ou capturar as emissões de CO2 na produção do aço, todas elas envolvendo o aumento da eficiência e da circularidade da cadeia do aço, mudanças na matriz energética, tecnologias disruptivas com utilização de novos redutores e matérias-primas, e captura, uso e armazenamento de CO2, nomenclaturas inovadoras que remetem à sustentabilidade. “A implementação bem-sucedida de soluções de baixa pegada de carbono na produção de aço desempenhará um papel crucial na transição para uma economia global mais sustentável, foco de dezenas de países para garantir o futuro das próximas gerações”, afirma o engenheiro.

Foco na descarbonização

Entre as tecnologias capazes de zerar as emissões estão a energia renovável, a utilização de hidrogênio verde e os processos industriais que se baseiam no uso de eletricidade em vez de gás. “É crucial haver parceria globais para dar conta das exigências do processo de descarbonização em meio às metas de desenvolvimento sustentável”, aponta o Diretor de Operações da ABM.

A transição para fontes de energia renovável na produção de aço, como energia eólica e solar, pode ajudar a reduzir as emissões, associadas à necessidade de maior geração de eletricidade para os processos siderúrgicos, assim como o uso de gás natural, numa estratégia de transição, e de biocombustíveis. Entra também aqui, como um substituto aos combustíveis fósseis, o hidrogênio verde, obtido por um processo de eletrólise que separa o hidrogênio do oxigênio que existe na água, utilizando energia limpa.

Já a tecnologia de forno elétrico a arco possui baixo teor de carbono, uma vez que utiliza eletricidade em vez de carvão coque como fonte de energia. Atualmente, 70% do aço global é produzido por meio da tecnologia do alto-forno, que usa carvão mineral.

Outra possibilidade é o CCUS, que envolve a captura do CO2 emitido durante a produção de aço, seu transporte e armazenamento subterrâneo, e uso subsequente, na extração de óleo e gás, por exemplo, impedindo que ele entre na atmosfera, contribuindo para minimizar os efeitos das mudanças climáticas. “Esta é uma tecnologia promissora, mas ainda em estágios iniciais de desenvolvimento e implantação em grande escala”, diz Valdomiro.

O que está sendo feito no Brasil

A nível global do processo de descarbonização na indústria do aço, o Grupo ArcelorMittal se destacou ao estabelecer a meta ambiciosa de alcançar neutralidade de carbono até 2050 e, como um passo intermediário, reduzir suas emissões específicas em 25% até 2030. Em fevereiro desse ano, o Grupo assinou um Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) com a Petrobras para estudos e avaliações de negócios em baixo carbono, o que inclui combustíveis, hidrogênio e seus produtos, produção de energias renováveis e CCUS. 

Para fomentar a produção de aço com emissão zero de CO2, a Vale investiu, em 2021, US$ 6 milhões na Boston Electrometallurgical Company, empresa fundada por professores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) que desenvolve a tecnologia inovadora denominada Molten Oxide Electrolysis (MOE), que reduz óxidos metálicos como o minério de ferro com o uso de eletricidade, zerando assim a emissão de CO2.

No ano passado, a Vale firmou acordo com a H2 Green Steel, startup industrial sueca produtora de aço verde na vanguarda da descarbonização global, para explorar o potencial de desenvolvimento de hubs industriais no Brasil e na América do Norte. Nesses complexos industriais, a H2 Green Steel planeja manufaturar produtos de baixo carbono da cadeia siderúrgica, como hidrogênio verde e hot briquetted iron (HBI), utilizando briquetes de minério de ferro fornecidos pela Vale e energia proveniente de fontes renováveis, inclusive eólica e solar, para a produção de hidrogênio verde. A Vale definiu como objetivo uma diminuição de 15% em suas emissões de escopo 3 — as quais estão relacionadas à cadeia de valor da empresa — até 2035, equiparando-se às emissões de um país como a Nova Zelândia. A empresa já firmou mais de 50 acordos com clientes visando oferecer soluções de descarbonização, que correspondem a 35% de suas emissões de escopo 3.

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