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Do quiet quitting ao chronoworking: expressões corporativas acompanham as novas formas de trabalho

Expressões que ganharam espaço nas empresas refletem mudanças na gestão, nas relações profissionais, na tecnologia e nas expectativas de trabalhadores e empregadores

Expressões como quiet quitting, quiet hiring, chronoworking e zoom fatigue passaram a fazer parte das discussões sobre trabalho e gestão. Ao lado de termos já incorporados ao cotidiano corporativo, como deadline, follow-up, home office e onboarding, elas ajudam a nomear comportamentos, processos e modelos de trabalho que ganharam espaço nas organizações. O vocabulário profissional também aparece em ferramentas, processos seletivos, anúncios de vagas e estruturas de cargos e a evolução dessa linguagem acompanha as transformações do próprio mercado.

“O vocabulário corporativo muda à medida que o próprio mercado se transforma. Conhecer esses termos não significa necessariamente incorporá-los à comunicação cotidiana, mas entender o que representam pode ajudar o profissional a acompanhar diferentes ambientes, processos e modelos de trabalho”, explica José Tortato, COO do Banco Nacional de Empregos (BNE).

A linguagem acompanha as transformações do mercado

A presença de expressões estrangeiras no ambiente corporativo não é recente. Home office, onboarding, job rotation, outsourcing e workflow já foram incorporados ao cotidiano de muitas empresas.

A diferença está na velocidade com que novos conceitos surgem. Digitalização, diferentes modelos de trabalho e discussões sobre experiência e bem-estar dos profissionais ampliaram a necessidade de criar termos capazes de traduzir essas mudanças.

Nesse contexto, quiet quitting passou a ser utilizado para descrever uma postura em que o profissional se limita às responsabilidades previstas para sua função, sem assumir esforços adicionais que não fazem parte do cargo. Já quiet hiring define estratégias pelas quais empresas atendem novas necessidades sem necessariamente realizar uma contratação convencional, recorrendo a movimentações internas, ampliação de responsabilidades ou profissionais temporários e freelancers.

Termos também aparecem na busca por emprego

O novo vocabulário não está restrito às reuniões e conversas entre equipes. Ele também aparece em anúncios de vagas, processos seletivos e descrições de cargos.

Expressões como job description, hands-on, know-how, soft skills, assessment e full-time podem ser encontradas em oportunidades de trabalho e materiais de recrutamento. Para quem procura emprego, compreender esses termos pode ajudar a esclarecer as características da vaga e as expectativas da empresa.

Dentro das organizações, siglas e expressões como KPI, PDI, one on one, headcount e turnover fazem parte do cotidiano de áreas de gestão e recursos humanos. Deadline e follow-up, por sua vez, aparecem em atividades relacionadas a projetos e entregas.

“A familiaridade com esses termos pode dar mais segurança ao profissional, principalmente quando ele circula por diferentes empresas, áreas ou processos seletivos. O mais importante é compreender o contexto em que cada expressão é utilizada”, afirma Tortato.

Quando o termo revela uma mudança de comportamento

Algumas expressões ganharam relevância por traduzirem fenômenos que antes não tinham uma denominação tão difundida. Employee experience, por exemplo, é utilizado para tratar da experiência do profissional ao longo de sua jornada na empresa. Já employer branding está relacionado à construção da imagem da organização como empregadora.

Também ganharam espaço conceitos ligados ao desenvolvimento profissional. Upskilling representa o aprimoramento de habilidades para acompanhar novas demandas da carreira, enquanto reskilling está associado à aprendizagem de competências diferentes para assumir novas funções.

Há ainda termos relacionados à maneira como as pessoas lidam com o tempo e a tecnologia. Chronoworking está ligado à organização do trabalho de acordo com os períodos em que cada pessoa apresenta maior produtividade. Zoom fatigue, por sua vez, descreve o cansaço associado ao excesso de reuniões e interações por videoconferência.

“A linguagem também funciona como um retrato das transformações do mercado. Quando novos modelos de trabalho, tecnologias ou comportamentos ganham relevância, surgem termos para explicar essas mudanças. Acompanhar esse vocabulário também é uma forma de acompanhar a evolução do próprio ambiente profissional”, destaca o executivo.

Até os cargos mudaram

A transformação também alcançou os nomes das funções. A nomenclatura tradicional passou a conviver com títulos em inglês e posições mais específicas, especialmente em empresas de tecnologia, negócios e serviços.

CEO, CFO, COO, CMO, CTO, CIO e CHRO são exemplos de siglas utilizadas para posições de liderança. Em outras áreas, títulos como Product Manager, Product Owner, Country Manager e Sales Manager passaram a integrar as estruturas organizacionais.

A mudança não representa apenas uma troca de nomenclatura. Em muitos casos, os novos títulos refletem funções que surgiram ou se tornaram mais especializadas com a transformação dos negócios.

Para apoiar profissionais na compreensão desse universo, o BNE reuniu em seu Dicionário Corporativo expressões, siglas, conceitos e cargos utilizados no mercado de trabalho, acompanhados de explicações sobre seus significados. O conteúdo reúne termos já consolidados, como networking, benchmarking, brainstorming e compliance, além de conceitos relacionados às mudanças no mundo do trabalho e pode ser acessado clicando nesse link: Dicionário Corporativo

“Aprender sobre o mundo do trabalho é um processo contínuo. À medida que as empresas e as relações profissionais mudam, novos conceitos e expressões surgem. Compreender essas transformações ajuda a tornar a comunicação mais clara e pode contribuir para uma atuação profissional mais segura”, finaliza Tortato.

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