Modelo impulsionado pela economia do compartilhamento movimenta R$ 92,7 bilhões em VGV no país e avança para novos destinos, sustentando o crescimento de empreendimentos imobiliários de laze
A mudança no comportamento de consumo, marcada pela transição da posse para o acesso, tem ampliado seu impacto para além das plataformas digitais e alcançado setores tradicionais da economia, como o imobiliário. No Brasil, esse movimento tem impulsionado o modelo de multipropriedade, que já movimenta cifras bilionárias e registra expansão territorial.
Estudos globais sobre a economia do compartilhamento, conduzidos por consultorias como a PwC, estimam que esse mercado deve atingir US$ 335 bilhões em receitas até o fim de 2025. A análise considera a consolidação de plataformas de uso colaborativo e a preferência crescente por flexibilidade, uso eficiente de recursos e previsibilidade de custos.
No setor imobiliário, essa lógica tem favorecido a multipropriedade, modelo em que o consumidor adquire frações de tempo de uso de um imóvel. No Brasil, a evolução desse mercado também é sustentada por avanços regulatórios, como a Lei da Multipropriedade (13.777/2018), que trouxe segurança jurídica ao modelo.
Segundo a edição 2025 do relatório da Caio Calfat Real Estate Consulting, o Valor Geral de Vendas (VGV) potencial do setor atingiu R$ 92,7 bilhões, representando um crescimento de 16,6% em relação ao ano anterior. O levantamento aponta ainda a presença de empreendimentos em 97 cidades brasileiras.
A proposta da multipropriedade permite que o cliente utilize o imóvel por períodos específicos, entre sete e 28 dias por ano, diluindo custos operacionais e ampliando o acesso a empreendimentos de alto padrão.
O avanço do modelo também tem sido observado fora dos grandes centros urbanos. Um exemplo é a cidade que recebe mais de 2 milhões de visitantes por ano, impulsionados pelo turismo de entretenimento com o Beto Carrero World, que abrigará o empreendimento Amazon Parques & Resorts. Atualmente em construção, contará com mais de 20 mil metros quadrados de área e cerca de 250 unidades habitacionais.
“Pesquisas apontam que 43% desses compradores permanecem de seis a dez dias no destino, período maior frente à média nacional de cinco dias. Os gastos em alimentação, transporte e lazer chegam a ser 60% superiores aos do viajante tradicional”, afirma Márcio Piccoli, diretor comercial do Amazon Parques & Resorts.
Os dados reforçam a consolidação da multipropriedade como um modelo em expansão no Brasil, impulsionado por mudanças no comportamento do consumidor, avanços regulatórios e pelo desenvolvimento de novos destinos turísticos no país.
“Ao permitir que mais pessoas tenham acesso a hospedagens de alto padrão, o modelo amplia o tempo de permanência, favorece o turismo em família e gera impacto na economia ao longo de todo o ano, com uma ocupação previsível e contínua. O imóvel ganha escala através de afiliações como a RCI, permitindo a conversão do patrimônio nacional em viagens globais”, afirma Roberto Kwon, CEO do Amazon Parques & Resorts.

