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Finlândia fortalece modelo que conecta carreira, apoio às famílias e equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Políticas de licença parental, flexibilidade corporativa e cultura de corresponsabilidade ajudam famílias a conciliarem desenvolvimento profissional, filhos e qualidade de vida no país nórdico

Em um cenário global em que equilibrar carreira, filhos e vida pessoal segue como desafio para muitas famílias, a Finlândia vem consolidando um modelo baseado em flexibilidade profissional, bem-estar social e igualdade parental. O país desenvolveu políticas públicas e práticas corporativas voltadas à criação de um ambiente em que crescimento profissional e vida familiar possam coexistir.

A estrutura inclui licença parental remunerada, flexibilidade no ambiente de trabalho e serviços públicos acessíveis, permitindo que mudanças familiares ou a chegada dos filhos não representem interrupções na trajetória profissional. O modelo também se apoia em uma cultura corporativa baseada em confiança, autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e carreira.

O suporte às famílias faz parte da estrutura social finlandesa e influencia diretamente o mercado de trabalho. “Mudar de país envolve muito mais do que encontrar uma oportunidade profissional. Também significa entender se existe suporte para que toda a família consiga se adaptar e prosperar. Na Finlândia, o bem-estar social, a igualdade parental e a flexibilidade profissional ajudam a criar um ambiente em que carreira e vida familiar podem evoluir juntas”, explica Laura Lindeman, diretora sênior da unidade Work in Finland, da Business Finland.

Igualdade parental e permanência feminina no mercado

Na Finlândia, a participação equilibrada de mães e pais nos cuidados com os filhos é incentivada por meio de políticas públicas. Desde a reforma da licença parental implementada em 2022, cada responsável passou a ter direito a aproximadamente 160 dias úteis de licença remunerada, totalizando cerca de 14 meses compartilhados por família.

Parte dos dias pode ser transferida entre os responsáveis, enquanto outra parcela permanece individual, mecanismo criado para estimular a participação ativa de ambos nos cuidados com os filhos. A mudança também substituiu os termos “licença-maternidade” e “licença-paternidade” por uma estrutura neutra voltada à parentalidade compartilhada, incluindo casais do mesmo sexo.

O modelo contribui para reduzir desigualdades de gênero e fortalecer a participação feminina no mercado de trabalho ao distribuir de forma mais equilibrada as responsabilidades familiares.

Dados da agência finlandesa Kela apontam que a participação masculina na licença parental aumentou após a reforma. As estimativas indicam que os homens já representam mais de 20% do total de dias utilizados no novo sistema.

Na prática, essas políticas refletem diretamente na qualidade de vida. É o caso da dentista brasileira Natalie Clarke, que vive na Finlândia com o marido e os três filhos. Segundo ela, esse modelo alterou sua percepção sobre carreira e maternidade. “Aqui, ser mãe não é um obstáculo à carreira. É simplesmente parte da vida”, afirma. “A Finlândia entendeu algo que muitos países ainda tentam. O trabalho e a família não competem entre si, eles se fortalecem”.

Cultura corporativa e impactos para as empresas

O ambiente profissional finlandês também se destaca por modelos híbridos, horários flexíveis e acordos personalizados. A flexibilidade permite que famílias adaptem compromissos profissionais às demandas do cotidiano sem perder produtividade.

Estudos do Finnish Institute of Occupational Health indicam que ambientes de trabalho considerados family-friendly estão associados à maior satisfação profissional, maior comprometimento organizacional e menor intenção de troca de emprego.

A flexibilidade corporativa também aparece associada a ambientes menos hierárquicos, maior autonomia e culturas organizacionais mais colaborativas.

Famílias com duas carreiras e adaptação internacional

Na Finlândia, o modelo conhecido como dual-career households — em que ambos os parceiros mantêm trajetórias profissionais ativas — é apoiado por políticas públicas e pela divisão equilibrada das responsabilidades familiares.

Dados da Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD) indicam que países com políticas parentais mais equilibradas tendem a registrar maior participação feminina no mercado de trabalho e menor impacto negativo da maternidade sobre a carreira das mulheres.

Para famílias internacionais, escolas, serviços públicos e políticas de apoio ajudam a reduzir desafios relacionados à adaptação ao país. Segundo a dentista, o sistema educacional contribui para a segurança das famílias durante o processo de adaptação.

“Quando você não está constantemente dividido entre culpa profissional e culpa parental, você trabalha melhor porque está descansado e realizado. A Finlândia não vê as famílias como um obstáculo à carreira. Vê famílias como parte integral da vida”, conclui Natalie.

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