Iniciativa liderada por Artur Farias, Ivane Fávero e Lucinara Masiero aposta na integração entre origem, experiência e negócio para acompanhar o novo momento do vinho brasileiro
O avanço do enoturismo no Brasil impulsionou a criação da primeira Escola de Enoturismo das Américas, iniciativa liderada pelos especialistas Artur Farias, Ivane Fávero e Lucinara Masiero com foco na profissionalização de um setor que passou a integrar de forma estratégica as cadeias de turismo, hospitalidade, experiência e desenvolvimento regional.
A proposta surge em um momento de expansão acelerada do turismo ligado ao vinho, impulsionado pela busca crescente dos consumidores por experiências autênticas, conexão cultural e vivências relacionadas à gastronomia, hospitalidade e pertencimento territorial. Mais do que produto, o vinho passou a ocupar um espaço associado à experiência e ao turismo de valor agregado.
A Escola de Enoturismo foi criada a partir da atuação dos três especialistas em diferentes frentes do setor vitivinícola, incluindo comunicação, experiência turística, desenvolvimento territorial, gestão e operação. Segundo os idealizadores, a iniciativa nasce da percepção de que o crescimento do enoturismo brasileiro ocorreu em ritmo mais acelerado do que a qualificação especializada da mão de obra.
Estruturada sobre os pilares Origem, Experiência e Negócio, a escola terá programas presenciais e online voltados à formação contínua de profissionais, empreendedores, vinícolas e destinos turísticos.
“O enoturismo nasce do território. Antes de vender uma experiência, é preciso compreender a identidade cultural, a história, as pessoas e o contexto que fazem daquele lugar algo único. Acreditamos que formar profissionais para o enoturismo também é formar pessoas capazes de interpretar e valorizar os territórios do vinho com autenticidade. E esta conexão só acontece direto com a origem. O vinho carrega paisagem, cultura, memória, tradição e pertencimento. A Escola nasce justamente para ajudar profissionais e empreendimentos a traduzirem isso em experiências verdadeiras”, destaca Ivane Fávero.
A proposta também acompanha uma transformação no comportamento do consumidor do vinho, cada vez mais interessado em experiências imersivas e conexões emocionais associadas aos territórios produtores.
“Hoje, o visitante não busca apenas degustar um vinho. Ele quer viver histórias, criar conexões e sentir pertencimento. O enoturismo contemporâneo exige profissionais preparados para transformar atendimento em experiência e experiência em valor para as marcas e para os territórios. Assim, o vinho passou a ser uma plataforma de experiência, construída com sensibilidade, narrativa, hospitalidade, comunicação e percepção de valor. A Escola nasce para ajudar o setor a compreender essa transformação”, afirma Lucinara Masiero.
Além da experiência turística, os idealizadores defendem que o enoturismo passou a ocupar uma posição estratégica dentro das vinícolas e das economias regionais, impactando faturamento, posicionamento de marca e desenvolvimento econômico.
“O enoturismo deixou de ser apenas uma atividade complementar das vinícolas para se tornar uma unidade estratégica de negócio. Hoje ele impacta faturamento, posicionamento de marca, relacionamento com o consumidor e desenvolvimento regional. Isso exige gestão, visão de mercado e profissionalização. Quando o enoturismo é bem estruturado, ele gera valor para toda a cadeia: vinícolas, hotéis, gastronomia, comércio e serviços. A Escola nasce para preparar profissionais capazes de transformar potencial turístico em resultado sustentável”, ressalta Artur Farias.
O lançamento oficial da iniciativa acontece durante a Wine South America, em Bento Gonçalves (RS), com abertura das inscrições para a primeira turma presencial, prevista para iniciar em julho. A formação terá 20 vagas e as aulas presenciais ocorrerão no Auditório Sicredi Agro, em Bento Gonçalves, com apoio do Sicredi Serrana.
Dados da Grand View Research, empresa norte-americana especializada em pesquisa de mercado e inteligência de negócios, divulgados no relatório Wine Tourism Market Size, Share & Trends Analysis Report, apontam que o mercado global de turismo do vinho movimentou cerca de US$ 46,4 bilhões em 2023, com projeção superior a US$ 106 bilhões até 2030 e crescimento próximo de 13% ao ano.
No Brasil, dados do Sebrae indicam que mais de 85% das vinícolas brasileiras já investem em experiências ligadas ao turismo como estratégia para ampliar faturamento, fortalecer marca e diversificar receitas. O crescimento também aparece no Rio Grande do Sul, principal polo do enoturismo nacional. Segundo a plataforma Wine Locals, mais de 71 mil experiências enoturísticas foram comercializadas no estado em 2025, representando crescimento próximo de 60% em relação ao ano anterior, com ticket médio de R$ 510.

