Mais de 60% dos executivos atribuem nota alta à qualidade de vida, embora mais da metade não consiga se desligar do trabalho durante as férias
O relatório CEOs do Brasil, trabalho realizado pela EXEC e pelo Great Place to Work (GPTW), traça um panorama da alta liderança no país a partir de aspectos como equilíbrio entre vida pessoal e carreira, hábitos fora do trabalho, percepções sobre o futuro e desafios para os executivos. Os dados apontam que 60,3% dos CEOs avaliaram positivamente o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, embora 53,5% afirmem não conseguir se desconectar das atividades da empresa durante as férias.
A pesquisa também aborda diferenças de gênero, trajetória profissional, preparação de sucessores, perspectivas de aposentadoria, impactos da inteligência artificial e percepção sobre o cenário brasileiro. O material não apresenta, no conteúdo disponibilizado, informações sobre tamanho da amostra, período de coleta ou método utilizado para aplicação do levantamento.
Equilíbrio entre carreira e vida pessoal
Em uma escala de 1 a 5 para avaliar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, 46,5% dos CEOs atribuíram nota 4 e 13,8% deram nota 5. A nota 3 foi indicada por 31,8% dos líderes. Já as avaliações mais baixas corresponderam a 6,5% para a nota 2 e 1,4% para a nota 1.
O levantamento mostra ainda que a maior parte dos CEOs tira férias regularmente. Entre os entrevistados, 34,6% têm de 11 a 20 dias de descanso por ano e 34,1% utilizam de 21 a 30 dias. Períodos superiores a 30 dias são adotados por 21%.
Apesar disso, 53,5% afirmam não conseguir se desligar das atividades da empresa durante as férias. A diferença também aparece no recorte de gênero: 60,9% das executivas trabalham durante o período de descanso, enquanto entre os executivos o percentual é de 51,5%.
Os hábitos de sono também foram considerados. A maior parcela dos executivos dorme entre 6 horas, faixa que representa 36,9%, e 7 horas, correspondente a 37,3%, por noite. Outros 14,7% chegam a 8 horas de sono, enquanto 9,2% dormem 5 horas e 0,5%, até 4 horas. A prática de atividades físicas aparece de forma expressiva entre os entrevistados: 87,1% afirmam praticar exercícios regularmente, enquanto 12,9% não mantêm esse hábito.
“Há muito tempo se vê discussões no mercado sobre a necessidade de se buscar uma relação mais saudável com o trabalho, para que as lideranças possam exercer suas funções sem se desconectar de si mesmos e de suas famílias. Houve muito empenho para que se alcançasse esse equilíbrio, que ainda pode ser aprimorado. Os números da pesquisa revelam uma realidade que pode ser referência para a nova geração de líderes que surgirá nos próximos anos”, diz Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work Brasil.
Sucessão ainda é um ponto crítico
A preparação de sucessores aparece entre os principais pontos de atenção do levantamento. Apenas 16,1% dos CEOs afirmam ter um executivo preparado para assumir a posição em caso de saída do atual ocupante. Outros 41% não sabem quem será o próximo a ocupar a cadeira.
“A competência que forma sucessores é justamente a mais deficiente, e isso não é um problema pequeno. Sucessões desestruturadas fazem com que o risco organizacional aumente. A maioria das empresas no Brasil é familiar, de capital fechado, e lidera estruturas mais enxutas O mercado precisa estar atento a esse fator”, alerta Rodrigo Forte, sócio da EXEC.
A aposentadoria também não aparece como um horizonte próximo para parte relevante da alta liderança. Um em cada cinco CEOs, ou 19,3%, não tem planos de parar de trabalhar. Entre os que estabelecem uma idade para deixar a atividade, 24% apontam o intervalo entre 60 e 65 anos e 17,5% entre 65 e 70 anos. Outros 11,1% pretendem trabalhar entre 70 e 75 anos, enquanto 6,9% planejam seguir além dos 80 anos.
IA amplia demanda por liderança qualificada
A inteligência artificial já integra a agenda da alta liderança. De acordo com o levantamento, 76,9% dos CEOs perceberam que a tecnologia está transformando rapidamente a liderança. Ao mesmo tempo, quase 30% apontaram a falta de gestores qualificados para orientar sua aplicação nos negócios.
“Uma grande parcela das iniciativas de IA falharam em 2025 por gap de liderança, não de tecnologia, Ou seja, efetividade da inteligência artificial deixa de ser um problema técnico e se torna desenvolvimento de liderança”, analisa Rodrigo Forte.
### Perfil da alta liderança
O levantamento mostra que 78,8% dos CEOs são homens. A faixa etária entre 50 e 59 anos concentra 36,9% dos entrevistados, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos, com 35%. CEOs acima de 60 anos representam 17,5%.
As mulheres, embora ocupem uma parcela menor das posições de alta liderança, apresentam maior proporção de pós-graduação ou MBA: 73,9%, contra 60,8% dos homens. Em ambos os grupos, a formação ocorreu em instituições privadas.
A trajetória até a presidência também apresenta diferenças. Para 40,6% dos CEOs, a presidência tornou-se um objetivo ao longo da carreira. Entre as mulheres, 60,9% afirmaram que o cargo surgiu como consequência da evolução profissional, e não como um plano original.
A chegada ao cargo de CEO ocorre majoritariamente entre 31 e 40 anos. Depois de assumir a posição, 31,8% dos executivos permanecem entre 6 e 10 anos, enquanto 24,9% estão há mais de 15 anos na cadeira.
Entre as características mais valorizadas para a liderança atual estão visão estratégica, citada por 40,6%, e inteligência emocional, apontada por 37,8%. Na avaliação dos colaboradores, 64,5% dos CEOs esperam entrega de resultados, 46,5% valorizam alinhamento aos valores da empresa e 37,8% destacam a resiliência.
Atuação vai além da presidência
A posição de CEO também é conciliada com outras atividades profissionais e sociais. Quase 30% dos entrevistados, 29,5%, participam de conselhos. Outros 27,6% atuam como mentores, 21,2% são investidores e 19,4% mantêm outros empreendimentos. A docência está presente na rotina de 13,8% dos CEOs, enquanto 22,6% participam de atividades de voluntariado.
No recorte por gênero, as mulheres apresentam maior participação em conselhos, com 32,6%, e na docência, com 19,6%. Entre os homens, os percentuais são maiores em investimentos, com 24%, e empreendimentos paralelos, com 22,8%.
Incerteza marca percepção sobre o Brasil
Para os próximos três anos, 61,8% dos CEOs enxergam um cenário de incerteza no Brasil. Ainda assim, 34,6% permanecem otimistas, enquanto 3,7% demonstram pessimismo.
O levantamento também relaciona essa percepção ao ambiente de gestão e aos desafios considerados prioritários pelos executivos.
“Apesar da incerteza externa, os desafios priorizados pelos CEOs, como liderança, pessoas e sustentabilidade, são fatores sobre os quais a organização tem maior capacidade de atuação. Para os CEOs, agora é fortalecer capacidades internas diante de um ambiente externo imprevisível. Afinal, saber se adaptar a novos cenários é o que tem feito CEOs de diferentes setores conquistarem espaço e credibilidade no mercado”, pontua Rodrigo Forte.

