CONTEÚDO E LIFESTYLE PARA LÍDERES QUE EVOLUEM

Acordo Mercosul-União Europeia amplia oportunidades comerciais mas eleva exigências ESG para empresas brasileiras

Rastreabilidade, governança e comprovação documental devem ganhar peso nas relações comerciais com o mercado europeu

A entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-União Europeia, iniciada em 1º de maio de 2026, amplia as oportunidades comerciais entre os blocos, mas também deve elevar o nível de exigência sobre empresas brasileiras interessadas em exportar ou integrar cadeias ligadas ao mercado europeu.

A nova fase comercial tende a transformar sustentabilidade, governança e rastreabilidade em critérios cada vez mais relevantes para permanência em contratos e acesso a mercados internacionais. No novo contexto, preço, escala e qualidade seguem importantes, mas deixam de ser suficientes em um ambiente regulatório que exige comprovação documental sobre práticas ambientais, sociais e de governança.

“O acordo Mercosul União Europeia não deve ser interpretado apenas como uma oportunidade tarifária. Ele inaugura uma disputa por confiança. A empresa brasileira que quiser acessar ou permanecer em cadeias ligadas ao mercado europeu terá que demonstrar origem, rastreabilidade, gestão de riscos, governança e práticas socioambientais documentadas. ESG deixa de ser discurso e passa a ser infraestrutura de mercado”, afirma a especialista em ESG e vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli, Eliana Camejo.

A mudança está ligada ao avanço das regras europeias voltadas à sustentabilidade corporativa. Em 2024, a União Europeia colocou em vigor a Diretiva de Due Diligence em Sustentabilidade Corporativa, norma que exige que grandes empresas identifiquem e enfrentem impactos adversos relacionados a direitos humanos e meio ambiente em operações, subsidiárias e cadeias globais de valor. Na prática, fornecedores brasileiros poderão ser cobrados por rastreabilidade, origem de matéria-prima, condições de trabalho, integridade, gestão ambiental, governança e comprovação documental das operações.

Segundo a Comissão Europeia, o acordo cria uma zona comercial de aproximadamente 700 milhões de pessoas. O bloco afirma que a iniciativa busca ampliar comércio e parcerias globais preservando padrões ambientais, consumidores e agricultores europeus. Ou seja, o acordo comercial amplia o potencial de negócios, mas também aumenta a pressão regulatória e reputacional sobre exportadores e fornecedores brasileiros.

Entre os segmentos brasileiros que devem sentir mais rapidamente os efeitos das novas exigências estão cadeias ligadas a produtos considerados mais sensíveis sob a ótica ambiental e reputacional, como carne bovina, soja, café, cacau, madeira, papel e celulose, couro, borracha, alimentos processados, têxtil, calçados, químicos, cosméticos, autopeças, máquinas, equipamentos e embalagens.

No agronegócio, empresas que já exportam para a Europa tendem a enfrentar ampliação das exigências relacionadas à comprovação de origem da matéria-prima, risco de desmatamento, regularidade ambiental das propriedades e rastreabilidade da cadeia produtiva. Já na indústria, a pressão deve alcançar fornecedores de componentes, máquinas, equipamentos, químicos, autopeças, têxtil e embalagens que integrem cadeias ligadas a empresas europeias, mesmo quando não exportam diretamente.

Segundo Eliana Camejo, a tendência é que as exigências avancem também sobre cooperativas, transportadoras, armazéns, frigoríficos, tradings, indústrias regionais e prestadores de serviços que participam das cadeias produtivas ligadas ao mercado europeu. “O desafio, portanto, não é apenas entrar no mercado europeu, mas continuar competitivo em um mercado que passa a exigir mais prova, mais controle e mais rastreabilidade”, conclui.

Compartilhe:

Edit Template
Políticas de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.