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Acordo Mercosul-EFTA abre cerca de 300 oportunidades de exportação para a indústria brasileira na Noruega

Com entrada em vigor para o Brasil e a Noruega em 1º de novembro, tratado comercial prevê redução de tarifas e novas condições de acesso ao mercado europeu; CNI prepara empresas com capacitação e materiais técnicos

A entrada em vigor do acordo comercial entre Brasil e Noruega, em 1º de novembro, abre caminho para cerca de 300 oportunidades de exportação para a indústria brasileira no mercado norueguês. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que desenvolveu instrumentos de orientação para apoiar empresas na identificação das possibilidades comerciais e na utilização das condições previstas no tratado.

O acordo integra as negociações entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. A eliminação de tarifas e a modernização das regras comerciais estão entre as medidas que podem ampliar a competitividade dos produtos brasileiros nesses mercados.

O levantamento da CNI aponta que, em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Noruega alcançou US$ 2,3 bilhões. Na última década, o comércio bilateral cresceu 84,8%, impulsionado principalmente pela expansão de 110,9% das exportações brasileiras, com destaque para os produtos da indústria de transformação.

“A CNI acompanhou de perto todos os passos do acordo e agora queremos que isso se torne benefícios concretos para a indústria brasileira. É um importante avanço para a inserção internacional do Brasil”, explica Constanza Negri.

A estimativa de aproximadamente 300 oportunidades tem como fonte um levantamento da CNI. As informações divulgadas não detalham os procedimentos metodológicos utilizados para identificar e quantificar essas oportunidades.

EFTA reúne mercados com PIB de US$ 1,6 trilhão

A dimensão econômica dos países da EFTA representa um dos pontos de interesse para a indústria brasileira. Em conjunto, Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein registraram Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 1,6 trilhão em 2025. São economias de alta renda e elevado poder de compra, com potencial para ampliar as exportações brasileiras de maior valor agregado.

De acordo com dados do governo brasileiro citados pela CNI, quase 99% do valor das exportações nacionais para a EFTA poderá ter acesso ao livre comércio após a implementação integral das concessões previstas no acordo.

A associação é o terceiro principal destino das exportações brasileiras na Europa, atrás da União Europeia e do Reino Unido. Em 2025, as vendas do Brasil para o bloco somaram US$ 3,8 bilhões, maior valor da década e crescimento de 22,6% em relação ao ano anterior.

Entre os benefícios previstos para o Brasil estão a redução total de tarifas de importação para produtos industriais, regras de certificação de origem flexíveis, redução de barreiras técnicas e proteção da propriedade intelectual, incluindo indicações geográficas.

CNI prepara empresas para aproveitar as condições do acordo

Para apoiar o setor produtivo na utilização das novas condições comerciais, a CNI estruturou três iniciativas complementares: um webinar gratuito, um manual sobre os compromissos assumidos no tratado e uma cartilha dedicada às regras de origem.

O webinar “Acordo Mercosul-EFTA: Oportunidades para a Indústria Brasileira” será realizado em 5 de novembro, às 16h, com transmissão ao vivo pelo canal da CNI no YouTube. A participação é gratuita, mediante inscrição online, no link.

O encontro reunirá representantes do governo brasileiro, do setor empresarial e da Embaixada da Noruega para discutir os impactos do acordo para a indústria e as possibilidades de negócios com os países da EFTA, com atenção especial ao mercado norueguês.

A programação prevê orientações sobre tarifas por produto, prazos de redução tarifária, exigências específicas de cada país e regras de origem. Também serão abordados o perfil dos mercados, os setores com maior potencial de abertura comercial e as oportunidades para empresas que já exportam ou pretendem iniciar operações internacionais.

Manual detalha compromissos e condições comerciais

Outro instrumento desenvolvido pela CNI é o manual de análise do Acordo Mercosul-EFTA, elaborado com base nos textos oficiais negociados. A publicação apresenta os principais compromissos assumidos pelas partes e compara as disposições do tratado com as de outros acordos comerciais recentes firmados pelo Mercosul, como os estabelecidos com a União Europeia e Singapura. O documento busca facilitar a compreensão das reduções tarifárias e das demais regras que influenciam as relações comerciais entre os países.

A entidade também preparou a Cartilha da Indústria sobre o regime de origem do acordo, voltada a produtores, exportadores e outros operadores econômicos. O material será lançado durante o webinar de 5 de novembro e explica os critérios necessários para comprovar a origem dos produtos e acessar as reduções tarifárias.

A comprovação é necessária porque as preferências comerciais não se aplicam automaticamente a todas as mercadorias. Para obter o benefício, a empresa precisa demonstrar que o produto atende aos critérios estabelecidos no tratado.

Acordo Mercosul-EFTA teve 15 rodadas de negociação

As negociações oficiais entre Mercosul e EFTA começaram em 2017 e foram realizadas em 15 rodadas. O diálogo entre os blocos, entretanto, teve início em 2000, com a assinatura da Declaração Conjunta sobre Comércio e Investimentos, que instituiu o Comitê Conjunto Mercosul-EFTA. Durante as negociações, a CNI mobilizou a Coalizão Empresarial Brasileira (CEB) e manteve diálogo com o governo brasileiro para articular os interesses do setor industrial.

A implementação do acordo ocorre de forma bilateral e gradual. O tratado já produz efeitos nas relações comerciais entre Brasil e Islândia desde outubro e entrou em vigor entre Brasil e Noruega em 1º de novembro. Suíça e Liechtenstein ainda estão em processo de internalização.

Com a implementação das concessões previstas, o acordo poderá ampliar o acesso de produtos brasileiros aos quatro mercados europeus, estabelecendo novas condições para a atuação internacional da indústria nacional.

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