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Rio Boat Show 2026 mostra mudanças na relação do consumidor com a náutica

Procura por embarcações de 30 a 40 pés e diferentes perfis de compradores ajudam a desenhar o momento do mercado náutico brasileiro

O Rio Boat Show 2026 encerrou sua 27ª edição com mais de 30 mil visitantes na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Realizado entre 11 e 19 de abril, o salão reuniu mais de 90 marcas e mais de 110 embarcações, sendo mais de 70 expostas na água. Além dos lançamentos e novidades apresentados pelos fabricantes, o movimento nos estandes mostrou interesse por embarcações de médio porte e a presença de consumidores em diferentes momentos da relação com a náutica.

Entre os dados mais recorrentes está o interesse por embarcações entre 30 e 40 pés. Segundo a organização, com base nos relatos dos expositores, essa faixa atraiu tanto pessoas interessadas em comprar o primeiro barco quanto navegadores que buscavam fazer um upgrade. O dado não permite afirmar uma mudança estrutural no perfil do consumidor brasileiro, mas oferece uma fotografia do comportamento observado durante a feira.

A procura também apareceu nos relatos de diferentes fabricantes. A NX Boats apontou o NX310 Impact e o NX370 HT entre os modelos mais procurados. A Real Powerboats destacou as embarcações de 37 e 42 pés, enquanto a Solara Yachts registrou maior interesse pelos modelos de 38 e 41 pés. Na Triton Yachts, os barcos de 32 e 38 pés concentraram parte significativa da procura.

A recorrência desses relatos não transforma a faixa de 30 a 40 pés em um retrato absoluto do mercado, mas indica que os barcos de médio porte tiveram presença relevante na decisão de compra observada no salão.

Primeiro barco ou upgrade?

A coexistência desses dois públicos é um dos aspectos mais interessantes da edição.

De um lado, há consumidores que ainda estão entrando no universo náutico. De outro, proprietários que já possuem experiência de navegação e procuram uma embarcação maior ou mais adequada às suas necessidades.

Essa diferença importa porque mostra que a demanda não se resume à entrada de novos consumidores. Existe também uma dinâmica de evolução dentro do próprio mercado: quem já navega pode avançar para modelos maiores, enquanto novos compradores encontram na faixa intermediária uma possibilidade de entrada mais estruturada.

Na Ross Mariner, segundo o CEO Márcio Ishikawa, houve interesse tanto nos modelos de entrada, como os de 20 e 22 pés, quanto nos lançamentos de maior porte, como a SR240 Aventus e a SLR340 Legend. Já na Mestra Boats, o presidente José Eduardo Cury afirmou que houve uma mudança no perfil de procura, com maior interesse por embarcações a partir de 27 pés, com destaque para a Mestra 322.

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Negócios impulsionam a edição 2026

Os resultados divulgados pelos expositores também apontam para um evento com movimentação comercial. A NX Boatsregistrou crescimento de 20% nos negócios fechados em relação à edição anterior, enquanto a Triton Yachts informou aumento de 45% nas vendas. Na Ross Mariner, o crescimento chegou a 50%, e a Zath Mariner afirmou ter mais que dobrado as vendas durante o salão.

Entre os lançamentos, a Zath 298 Aurion teve a primeira unidade vendida 15 minutos após a primeira demonstração, segundo a empresa. A marca também informou ter atingido, no sétimo dia de evento, a meta de comercialização das cinco primeiras unidades.

Azimut recebeu propostas para todos os modelos expostos, enquanto a Sessa Marine registrou fechamento de contratos durante o evento. A Yanmar destacou a geração de potenciais leads, e a Schaefer apontou a Schaefer 660 e a V44 entre os modelos de maior destaque na edição.

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Presença de consumidores de diferentes regiões

Segundo os expositores, o Rio de Janeiro concentrou a maior parte dos clientes, seguido por São Paulo, mas o público do evento também incluiu consumidores de outras regiões do país, como Minas Gerais, Espírito Santo, Sul e Nordeste.

A Schaefer registrou compradores do Rio de Janeiro e de São Paulo, enquanto a YB Nautic relatou presença de clientes do Rio, São Paulo, Minas Gerais e Sul. Na Ross Mariner e na Real Powerboats, os consumidores vieram do Rio, São Paulo e Nordeste. A Yamaha, por sua vez, informou a presença de clientes de mais de 12 estados.

A presença de consumidores de diferentes localidades mostra que o Rio Boat Show atrai o público fluminense, mas também compradores de outras regiões do país interessados no mercado náutico.

A experiência ganha espaço na decisão

Outro ponto de destaque do Rio Boat Show é o perfil outdoor do evento, que possibilita às marcas apresentarem suas embarcações na água, aproximando o visitante da experiência de navegação.

A possibilidade de observar os barcos em operação e, em determinados casos, realizar test drives modifica a relação do visitante com o produto. Em vez de analisar apenas tamanho, acabamento, motorização e equipamentos em um estande, o potencial comprador consegue experimentar aspectos relacionados à navegabilidade e ao uso da embarcação.

Nesta edição, o Rio Boat Show também reuniu embarcações que ganharam projeção por terem sido escolhidas por personalidades do esporte, da música e da moda. Entre os modelos presentes estavam a Schaefer V44, associada a Gisele Bündchen, a Schaefer 660, escolhida por Bell Marques, a Azov Z260 Open, adquirida por Wesley Safadão e Simone Mendes, e a Azimut Grande 27 Metri, de Cristiano Ronaldo. A presença desses modelos acrescenta ao evento uma dimensão de referência e inspiração para o público interessado no universo náutico. 

“Nesta edição, vimos um público mais preparado, que veio ao evento com intenção de compra, interessado em comparar modelos e vivenciar a experiência na água”, declarou Thalita Vicentini, diretora da Boat Show Eventos.

A própria programação incluiu passeios de veleiro, batismo de mergulho, desfile de barcos, desfile de jets com 57 motoaquáticas na Baía de Guanabara e 45 palestras no Náutica Talks, apresentando a náutica não apenas como aquisição, mas como conteúdo, inspiração e experiência.

Esse ecossistema mostra que o mercado náutico envolve uma cadeia mais ampla do que a fabricação e a comercialização de embarcações. Há tecnologia, manutenção, serviços, lazer, turismo, esportes e diferentes formas de acesso à prática náutica.

Crédito da Foto de Capa: Divulgação / Rio Boat Show
Créditos das Fotos internas: R. Lopes / Identidades de Sucesso

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