Estudo da Skyone e da MIT Technology Review Brasil mostra que a maioria das organizações vê os agentes de IA como estratégicos, mas ainda enfrenta desafios relacionados a orçamento, infraestrutura e preparação para operar equipes híbridas
As empresas brasileiras reconhecem a importância crescente dos agentes de inteligência artificial para os negócios, mas ainda encontram obstáculos para transformar esse potencial em iniciativas estruturadas e escaláveis. É o que aponta um estudo realizado pela Skyone em parceria com a MIT Technology Review Brasil.
O levantamento ouviu cerca de 265 líderes e profissionais de empresas dos setores de tecnologia, contabilidade, varejo e jurídico, envolvidos em áreas como dados, inovação, operações, produtos, negócios e gestão de pessoas, entre abril e maio de 2026.
Os participantes pertencem a organizações de diferentes portes, desde empresas com até 99 funcionários até companhias com mais de 1.000 colaboradores. O estudo investigou aspectos relacionados à adoção da inteligência artificial, uso de agentes inteligentes, infraestrutura tecnológica, integração entre áreas, computação em nuvem, competências prioritárias e preparação das empresas para operar equipes híbridas humano-IA.
A pesquisa identificou que 99% dos entrevistados acreditam que os agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos. Apesar disso, 57% afirmam que suas organizações ainda não possuem orçamento dedicado à área.
O levantamento também mostra que a adoção da tecnologia permanece em estágio inicial para boa parte do mercado. Segundo os dados, 74% das empresas estão em níveis inicial ou intermediário de maturidade em inteligência artificial. Além disso, 59% não se consideram preparadas para operar equipes híbridas compostas por profissionais e sistemas inteligentes nos próximos 12 meses, percentual idêntico ao das organizações que afirmam não possuir infraestrutura adequada para sustentar iniciativas robustas de IA em escala.
A pesquisa integra a Special Edition “A Nova Força de Trabalho Híbrida”, publicação da MIT Technology Review Brasil desenvolvida em parceria com a Skyone. O material analisa a formação de equipes que combinam profissionais, assistentes generativos, copilotos, automações inteligentes e agentes autônomos na execução de atividades operacionais, analíticas e criativas.
“A discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser operacional e humana. O desafio agora é entender como combinar pessoas e agentes inteligentes de forma que cada um potencialize o melhor do outro”, afirma Felipe Wasserman, Diretor de Marketing e Growth da Skyone.
Os resultados indicam que as barreiras à expansão da IA não estão restritas ao acesso às ferramentas. A integração entre áreas aparece como o principal desafio para 40% dos participantes, enquanto 46% afirmam operar com silos organizacionais ou sem uma dinâmica definida entre negócio e tecnologia.
Segundo o estudo, essa fragmentação dificulta o avanço dos agentes inteligentes, que dependem de dados conectados, governança estruturada e processos integrados para gerar valor de forma consistente.
A infraestrutura tecnológica também surge como um ponto de atenção. Entre os entrevistados, 59% afirmam que suas empresas não possuem base tecnológica adequada para sustentar projetos robustos de inteligência artificial em larga escala.
Mesmo diante dessas limitações, as expectativas permanecem elevadas. Entre as organizações que ainda operam predominantemente com infraestrutura local, 47% projetam que agentes de IA serão capazes de executar processos completos nos próximos três anos.
O estudo mostra ainda que a inteligência artificial foi apontada por 53% dos entrevistados como a tecnologia que mais impactou o ambiente de trabalho nos últimos 12 meses. Apesar disso, a adoção ocorre, em muitos casos, de forma isolada, o que dificulta a transformação de projetos experimentais em operações contínuas.
A preparação das equipes também aparece entre os principais desafios. Segundo os dados, 59% das organizações não se consideram prontas para atuar com equipes híbridas humano-IA no curto prazo. A pesquisa sugere que a consolidação desse modelo depende não apenas da tecnologia, mas também da revisão de papéis, do desenvolvimento de lideranças e da formação de profissionais capazes de supervisionar, interpretar e orientar o trabalho realizado por sistemas inteligentes.
Outro dado destacado pelo levantamento envolve a composição das estratégias corporativas. Enquanto 41% das empresas priorizam especialistas técnicos em suas iniciativas de IA, apenas 24% dedicam atenção equivalente a profissionais voltados para adoção, gestão da mudança e transformação cultural.
O estudo também revela que 46% das organizações investem em inteligência artificial principalmente para ganhos de produtividade. Apenas 14% utilizam retorno sobre investimento como principal indicador para avaliar resultados, sugerindo que muitas empresas ainda estão definindo como mensurar o impacto da tecnologia em suas operações.
“Não basta implementar a tecnologia. É preciso ter estrutura e organização para utilizá-la. Se os dados e as informações que alimentam os sistemas estiverem errados, os resultados também estarão. A maturidade real depende menos do encanto com a ferramenta e mais da qualidade da informação, da integração dos sistemas e da disciplina operacional”, afirma Wasserman.
Apesar dos desafios identificados, o estudo aponta que organizações que integram inteligência artificial a processos, dados, governança e regras de negócio tendem a avançar de forma mais consistente. Segundo a Skyone, a consolidação dos chamados times híbridos dependerá da combinação entre infraestrutura, liderança, cultura organizacional e capacidade de incorporar agentes inteligentes à rotina operacional das empresas.
Crédito da Imagem: Divulgação A Nova Força de Trabalho Híbrida

