CONTEÚDO E LIFESTYLE PARA LÍDERES QUE EVOLUEM

CNI leva propostas de reúso de água, economia circular e mercado de carbono a pré-candidatos à Presidência

Documento Construindo o Brasil 2050 reúne medidas voltadas à segurança hídrica, transição energética, infraestrutura verde e fortalecimento da competitividade industrial

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentará, no próximo dia 22 de junho, um conjunto de propostas voltadas à sustentabilidade, à segurança hídrica e à competitividade da economia brasileira durante o evento “A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis”, em Brasília. As medidas integram o documento Construindo o Brasil 2050, elaborado pela entidade para orientar prioridades consideradas estratégicas para os próximos anos.

Entre as propostas estão a regulamentação do reúso de água, a obrigatoriedade da adoção do sistema em novos empreendimentos urbanos, a criação de uma Política Nacional de Economia Circular, além de ações relacionadas ao mercado de carbono, à infraestrutura digital verde e à transição energética.

Segundo a entidade, o atual modelo de gestão hídrica ainda segue uma lógica linear de captação, uso e descarte, o que limita o aproveitamento de recursos em um cenário de crescente preocupação com a disponibilidade de água em grandes centros urbanos.

Um levantamento realizado pela CNI aponta que o reúso industrial de efluentes tratados já apresenta viabilidade econômica. De acordo com os dados da entidade, na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Teotônio Vilela, em Alagoas, o custo da água reciclada foi calculado em R$ 4,14 por metro cúbico. O estudo considera fatores como localização da estação em relação à indústria atendida, redução de gastos com bombeamento e menor necessidade de investimentos em infraestrutura de transporte.

A CNI também destaca que a recirculação da água pode eliminar custos relacionados à captação direta de água bruta, incluindo despesas com produtos químicos, licenciamento ambiental e manutenção de equipamentos.

“O reúso de efluentes tratados tem o duplo propósito de aumentar a segurança da operação do setor industrial e adaptar a produção à nova realidade climática”, afirma Davi Bomtempo, Superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI.

Outro ponto abordado pelo documento é a resistência cultural ao uso de água reciclada, fenômeno que a entidade classifica como “efeito eca”. Segundo a CNI, o efluente tratado pode atingir padrões de segurança equivalentes ou superiores aos de determinados mananciais que recebem esgoto sem tratamento.

Economia circular em pauta

O documento também propõe avanços na agenda de economia circular. Segundo a CNI, a extração de matérias-primas no Brasil passou de 790 milhões de toneladas em 1970 para mais de 5 bilhões de toneladas em 2024.

Embora a entidade informe que 57% das indústrias já adotem práticas como reciclagem, reaproveitamento de materiais e eco-design, a ausência de uma legislação nacional específica é apontada como um obstáculo à coordenação entre estados e municípios e à previsibilidade necessária para investimentos de longo prazo.

Entre as medidas sugeridas estão a criação de uma base nacional de dados sobre economia circular e a harmonização das regras fiscais relacionadas à logística reversa, incluindo a desoneração tributária de atividades ligadas à coleta, separação e triagem de resíduos.

“A competitividade da indústria dependerá da capacidade de criar valor com menos recursos. A economia circular reduz custos, estimula a inovação, eleva a produtividade e insere o país em cadeias globais que exigem alto padrão socioambiental”, destaca Bomtempo.

Mercado de carbono e infraestrutura verde

A agenda apresentada pela CNI também contempla ações voltadas ao fortalecimento do mercado regulado de carbono no Brasil.

Entre os pontos destacados está o acompanhamento do Sistema Nacional de Mensuração, Relato e Verificação (MRV), mecanismo destinado a monitorar e comprovar emissões e reduções de gases de efeito estufa. A entidade participa atualmente do Grupo de Trabalho Técnico de MRV, criado pelo Ministério da Fazenda.

O documento também defende o posicionamento do Brasil como destino para projetos de powershoring, estratégia voltada à atração de indústrias intensivas em energia para países que oferecem eletricidade limpa, abundante e competitiva.

Nesse contexto, a CNI aponta o potencial brasileiro para receber data centers sustentáveis, apoiado pelo crescimento da participação das fontes renováveis na matriz energética nacional. Segundo a entidade, o país alcançou 50% de participação de fontes renováveis na matriz energética total e 88,2% na matriz elétrica.

Desafios da transição energética

O documento também chama atenção para o chamado curtailment, situação em que a geração de energia eólica e solar precisa ser interrompida devido a limitações da rede de transmissão ou à insuficiência de sistemas de armazenamento.

Segundo a CNI, apenas em 2025 os cortes de geração corresponderam ao consumo mensal de energia de todo o estado do Paraná. Para enfrentar esse desafio, a entidade propõe a ampliação da capacidade de armazenamento do sistema elétrico, incluindo incentivos para baterias de grande porte e hidrelétricas reversíveis.

As propostas serão entregues durante o evento A Indústria na Agenda dos Presidenciáveis, promovido pela CNI em Brasília. O encontro reunirá lideranças da indústria e pré-candidatos à Presidência da República para debater temas relacionados ao desenvolvimento econômico, competitividade e sustentabilidade do país.

Compartilhe:

Edit Template