Câmbio mais favorável amplia interesse por abertura de empresas, investimentos e estratégias de imigração empresarial nos EUA
A queda do dólar para a faixa dos R$ 4,90, atingindo o menor patamar desde maio de 2024, reacendeu o interesse de brasileiros em abrir empresas e estruturar operações nos Estados Unidos. Com a moeda americana acumulando cerca de 12% de desvalorização nos últimos 12 meses, o custo de investimentos, abertura de negócios e expansão internacional tornou-se mais acessível para empresários e investidores com patrimônio em reais.
O movimento acompanha o aumento do interesse de brasileiros por processos ligados a negócios e imigração empresarial. Dados recentes do Departamento de Estado dos Estados Unidos mostram que o Brasil segue entre os países com maior volume de emissão de vistos americanos no mundo. Após o crescimento de 42% nas emissões para brasileiros em 2023, o número de autorizações permaneceu elevado ao longo de 2024.
Segundo especialistas, apesar do momento cambial favorável, empreender nos Estados Unidos exige planejamento jurídico, financeiro e estratégico. “O câmbio mais favorável ajuda no planejamento financeiro e reduz parte do custo inicial, mas isso não significa que qualquer empresa será aprovada dentro de um processo migratório. O governo americano analisa a consistência do negócio, o perfil do empreendedor e a viabilidade econômica da operação”, explica a Dra. Larissa Salvador, fundadora da Salvador Law, nos EUA.
Cinco cuidados para brasileiros que desejam empreender nos EUA:
Abrir empresa não significa obter visto
Um dos erros mais comuns entre brasileiros é acreditar que a abertura de uma empresa garante automaticamente autorização migratória ou permanência no país. Segundo a especialista, os processos empresariais e migratórios são analisados de forma independente pelas autoridades americanas.
“Muitos empresários investem acreditando que a empresa, sozinha, vai facilitar a permanência no país. Mas imigração e abertura empresarial são processos distintos. Quando não existe alinhamento jurídico desde o início, o risco de negativa aumenta significativamente”, afirma.
A escolha do visto pode impactar todo o planejamento
Nem todos os empreendedores se encaixam na mesma categoria migratória. Existem vistos voltados para investidores, empresários, executivos, profissionais especializados e empreendedores ligados à inovação. Segundo Larissa Salvador, a escolha incorreta pode comprometer anos de planejamento empresarial e financeiro.
A origem dos recursos precisa ser comprovada
O governo americano exige documentação detalhada sobre a origem do patrimônio utilizado no investimento. Extratos bancários, declarações fiscais, contratos, venda de bens e histórico financeiro costumam ser analisados durante os processos.
“É preciso comprovar de forma organizada como esse patrimônio foi construído ao longo do tempo. Processos sem documentação consistente costumam gerar exigências adicionais ou até negativas”, explica.
O setor de atuação influencia a análise
Embora não exista uma lista oficial de segmentos prioritários, áreas como tecnologia, saúde, logística, franquias, construção civil especializada e serviços empresariais aparecem entre os setores que mais atraem brasileiros atualmente.
“Negócios estruturados, com geração de emprego, operação clara e potencial de crescimento costumam ser mais bem vistos. O plano de negócios precisa demonstrar viabilidade real no mercado americano”, destaca.
Promessas rápidas podem gerar prejuízos
Com o aumento da procura por imigração empresarial, cresceram também anúncios prometendo aprovações rápidas e processos simplificados. Segundo Larissa Salvador, esse tipo de abordagem ignora o rigor da legislação americana.
“O governo americano é extremamente rigoroso. Cada detalhe do processo é analisado: origem dos recursos, capacidade financeira, histórico profissional, estrutura empresarial e coerência das informações apresentadas”, afirma.
Para a advogada, o atual cenário econômico pode representar uma oportunidade importante para empresários interessados em internacionalizar patrimônio e expandir operações, desde que o movimento seja acompanhado de planejamento adequado.
“Empreender nos Estados Unidos pode transformar carreiras e patrimônios. O caminho existe, é viável e está mais acessível do que há alguns anos. Mas o sucesso depende de estratégia, documentação sólida e orientação especializada desde o primeiro passo”, conclui.

