Iniciativa valida uso de automação, IoT e plataformas digitais em cadeias produtivas da Amazônia, com ganhos mensuráveis em eficiência, qualidade e rastreabilidade
A Siemens Brasil divulgou os primeiros resultados consolidados do Tech4Amazonia, iniciativa voltada à aplicação de tecnologias industriais avançadas em cadeias produtivas da Amazônia. O projeto reúne soluções como automação, sensores IoT e plataformas digitais para ampliar eficiência, previsibilidade e rastreabilidade em contextos de baixa infraestrutura, com previsão de implementação em campo e escala a partir de 2026.
O programa foi desenvolvido após o mapeamento de mais de 70 atores locais e um processo de escuta ativa que identificou desafios estruturais da região, incluindo variabilidade ambiental e baixa conectividade. A partir desse diagnóstico, foram estruturadas Provas de Conceito (PoCs) voltadas a etapas da bioeconomia, como produção de mudas, extração de óleos essenciais, processamento de bioingredientes e classificação da castanha-do-Brasil.
Resultados das provas de conceito
Os testes realizados apontaram ganhos operacionais em diferentes frentes. Na produção de mudas, em parceria com o Centro de Bionegócios da Amazônia, a taxa de mortalidade na fase de aclimatação foi reduzida de 34% para 2% após a implementação de sensores e automação para controle de microclima.
Na cadeia da castanha-do-Brasil, em parceria com a Getter, foi validada uma solução de visão computacional com inteligência artificial embarcada no Siemens Industrial Edge, alcançando mais de 95% de acurácia na classificação do produto, mesmo em ambiente offline. Segundo estimativa apresentada no projeto, as melhorias podem gerar aumento de até 15% no valor das exportações de bioprodutos, em um mercado avaliado em R$ 3 bilhões anuais.
No processamento de bioingredientes, a parceria com a AMZ Foodtech resultou na digitalização de nanofábricas modulares por meio da plataforma Mendix, elevando a padronização e rastreabilidade das ordens de produção de 0% para 100%.
Já na extração de óleos essenciais, a PoC Moiru, desenvolvida com a Natura e a APROCAMP, utilizou sensores e simulações para otimizar o processo produtivo. A iniciativa reduziu a pressão da caldeira de 4,3 para 2 bar, ampliando a segurança operacional e estruturando uma base de dados inédita para a atividade.
De acordo com José Borges, head de Inovação Estratégica da Siemens Brasil, os resultados reforçam o potencial da tecnologia em cenários desafiadores. “O Tech4Amazonia mostra que é possível aplicar tecnologia de ponta em um dos contextos mais desafiadores do mundo e gerar resultados concretos, reduzindo perdas, elevando qualidade e criando novas oportunidades de renda”, afirma. Ele acrescenta que “a tecnologia potencializa o que já existe, trazendo eficiência, previsibilidade e condições reais para desenvolver a bioeconomia com escala e valor. Agora, o próximo passo é escalar essas soluções e ampliar seu impacto.”
Próximos passos e conexões globais
Como desdobramento das provas de conceito, a Siemens desenvolveu, em parceria com a Fundação CERTI, um ambiente digital de inovação aberta voltado à conexão entre desafios da Amazônia e soluções tecnológicas.
Com a validação das soluções, o Tech4Amazonia entra na fase de escalabilidade. A iniciativa também foi apresentada na Hannover Messe 2026, posicionando o Brasil no debate global sobre tecnologias aplicadas à bioeconomia.

