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Refém por um Fio: Gus Van Sant volta ao cinema com thriller baseado em história real

Assisti nesta quinta-feira, no Belas Artes Botafogo, no Rio de Janeiro, à cabine de imprensa de Refém por um Fio, novo filme de Gus Van Sant, que chega aos cinemas brasileiros em 20 de agosto e já é considerado um dos títulos mais aguardados do ano.

O longa marca o retorno de Van Sant aos filmes de ficção depois de sete anos. O diretor, responsável por títulos como Gênio Indomável, Milk, Elefante e Drugstore Cowboy, volta ao cinema com uma história real que aconteceu em Indianápolis, nos Estados Unidos, em 1977.

Na trama, Bill Skarsgård interpreta Tony Kiritsis, um homem que acredita ter sido prejudicado em uma negociação financeira e decide cobrar o que considera seu direito de uma maneira extrema. Ele invade o escritório da empresa e mantém Richard Hall, interpretado por Dacre Montgomery, como refém, com uma arma presa ao pescoço do rapaz por um mecanismo que poderia disparar caso fosse acionado.

A partir daí, começa um impasse que mobiliza polícia, imprensa e a própria população.

E é justamente a forma como essa situação é conduzida que chama atenção.

Tensão na medida certa

Refém por um Fio poderia facilmente cair na armadilha de transformar uma história como essa em um thriller excessivamente acelerado. Não é o que acontece.

Na minha percepção, a tensão está exatamente na medida. Mais poderia ser exagero; menos poderia tornar o filme morno. O roteiro encontra um equilíbrio que mantém a atenção sem precisar transformar cada momento em uma explosão.

O resultado é uma história que consegue nos deixar permanentemente atentos ao que pode acontecer, enquanto permite que os personagens e suas relações sejam desenvolvidos.

A história real por trás do filme já é, por si só, impactante: Tony Kiritsis manteve Richard Hall sob seu poder por 63 horas, enquanto o caso ganhava enorme repercussão pública e era acompanhado por emissoras de TV e também pelo rádio.

Nesse contexto, a direção brinca com a linguagem visual: nos momentos de maior tensão, a câmera alterna a estética cinematográfica tradicional com imagens que remetem às antigas transmissões de televisão, reforçando a sensação de que estamos acompanhando um acontecimento que rapidamente se transforma em espetáculo público.

A imprensa, aliás, ocupa um papel importante na história. O sequestro deixa rapidamente de ser apenas um caso policial e passa a ser acompanhado de perto por jornalistas e pelo público, transformando o episódio em um verdadeiro acontecimento midiático. O filme consegue mostrar como a cobertura da imprensa amplia a dimensão daquele conflito e influencia a maneira como ele passa a ser percebido por quem está do lado de fora. E, nesse contexto, o uso do rádio tem um papel crucial.

Um elenco que sustenta a história

Bill Skarsgård está muito bem como Tony. Sua interpretação dá ao personagem uma combinação interessante de tensão, imprevisibilidade e humanidade, sem transformar suas atitudes em algo justificável.

Dacre Montgomery também se destaca como Richard, personagem que poderia facilmente ficar restrito à condição de vítima, mas ganha presença dentro daquela situação.

E há dois nomes que naturalmente despertam atenção:

Al Pacino interpreta M.L. Hall, pai de Richard. Mesmo em uma participação que não ocupa o centro da narrativa, a presença do ator acrescenta peso ao elenco. E Pacino não decepciona: em suas breves aparições, entrega a intensidade e a presença cênica que fizeram dele um dos grandes nomes do cinema.

Colman Domingo, por sua vez, interpreta Fred Temple, um DJ de rádio que passa a ter uma participação importante na história – que é claro que eu não vou contar aqui, para não dar spoiler! Mas o fato é que ele está ótimo no papel e aproveita muito bem esse espaço, concedendo ao personagem carisma e personalidade.

A música e o charme dos anos 1970

A trilha sonora é outro acerto.

Assinada por Danny Elfman, ela ajuda a construir a identidade do filme e a transportar o espectador para aquela época, com uma seleção que passa por nomes como Deodato, Roberta Flack, Barry White, Donna Summer e Gil Scott-Heron, entre outros.

É uma trilha que não apenas acompanha as cenas: ela participa da atmosfera do filme.

Uma história de 1977 que ainda desperta interesse

Apesar de retratar um acontecimento de quase 50 anos atrás, Refém por um Fio apresenta questões que continuam bastante atuais.

Tony é um homem que se sente injustiçado por uma instituição e decide levar sua revolta às últimas consequências. Sua história acaba ganhando a atenção do público e da imprensa, transformando um caso policial em um acontecimento acompanhado por milhares de pessoas.

O filme não precisa transformar essa discussão em uma longa explicação. A própria situação já provoca a reflexão sobre desigualdade, poder, dinheiro, instituições e sobre a maneira como a sociedade escolhe seus personagens e suas causas.

Esse talvez seja um dos motivos pelos quais uma história de 1977 consiga chegar às telas quase cinco décadas depois sem parecer distante.

Minha impressão

Eu gostei muito de Refém por um Fio.

A trama é bem construída, o ritmo funciona, a tensão permanece na medida certa e o elenco entrega atuações que fazem diferença para a experiência.

Também gostei particularmente da atmosfera criada pela trilha sonora e pela presença de Colman Domingo, que traz um charme especial ao filme e cria um contraponto interessante à tensão da história.

Gus Van Sant retorna ao cinema com uma produção que consegue unir uma história real surpreendente, suspense, boas atuações, música e uma atmosfera muito própria.

Para mim, é um filme que vale entrar na lista de quem gosta de histórias baseadas em fatos reais e de thrillers que conseguem manter o espectador envolvido do início ao fim.

Refém por um Fio estreia no Brasil em 20 de agosto.

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