Health tech integra dados clínicos, histórico familiar e hábitos de vida em uma única plataforma de apoio à decisão clínica
A PoliHealth lança uma plataforma de inteligência artificial que integra exames clínicos, dados genéticos, histórico familiar e hábitos de vida em uma única camada de informação para profissionais de saúde. Apresentada pela empresa como o primeiro prontuário de precisão do Brasil, a solução busca transformar informações que normalmente ficam distribuídas em diferentes registros em dados disponíveis no momento da consulta.
A proposta surgiu a partir da percepção de que o avanço na geração de dados de saúde não necessariamente significa que essas informações sejam utilizadas durante a tomada de decisão. Rodrigo Faria Matheucci, CEO da PoliHealth e sócio da DNA Club, resume a origem do negócio: “A gente tinha a resposta, mas ela não chegava na hora da decisão.”
De acordo com o executivo, o desafio identificado estava na integração das informações. “O problema nunca foi a falta de dados. O problema era integração: juntar todas as ilhas de informação da saúde de uma pessoa”, comenta.
Felipe Spritzer, sócio investidor e advisor da PoliHealth e fundador da Portfel, também participou da construção do negócio. Sobre sua decisão de investir na empresa, afirma: “Estudei a tese a fundo antes de decidir investir. O que me convenceu foi ver que o problema não é falta de dado genético, é falta de quem traduz esse dado em decisão e isso tem escala”, reflete.
Da informação genética à decisão clínica
A plataforma combina diferentes informações do paciente para auxiliar o profissional na interpretação dos dados. Um dos exemplos apresentados pela empresa envolve o próprio Rodrigo.
Seu mapeamento genético aponta risco alto para hemocromatose, condição para a qual sua mãe já foi diagnosticada. Isoladamente, os exames não indicavam o problema. Foi o cruzamento com a evolução dos níveis de ferro e ferritina que levou a plataforma a sinalizar a necessidade de um acompanhamento mais próximo.
“É a diferença entre um dado genético parado num relatório e um dado que reaparece na hora da decisão”, analisa Rodrigo.
A PoliHealth também integra um motor de farmacogenética com a DNA Club. A tecnologia considera informações genéticas relacionadas à resposta do organismo a medicamentos e incorpora esses dados à camada de apoio à decisão clínica.
Um mapeamento genético de risco completo pode reunir mais de 270 análises. A proposta da plataforma é organizar esse volume de informação para que o profissional tenha acesso às informações consideradas relevantes no momento da consulta. “A diferença não é ter o dado; é ter o dado na hora da decisão”, resume o CEO.
Plataforma começa pelo consultório
A estratégia comercial da PoliHealth começa pelos consultórios, em vez de hospitais e operadoras, que, de acordo com a empresa, possuem ciclos de venda mais longos.
Desde junho, a plataforma está em fase piloto com cerca de 20 médicos e nutricionistas e já reúne mais de 200 pacientes cadastrados. Parte dos profissionais que utilizava a ferramenta gratuitamente passou a contratar a solução por conta própria.
A empresa também ficou em sexto lugar entre mais de 100 concorrentes no Innovation Race, competição de startups da FCJ, e mantém parceria com marcas do Grupo DNA.
Decisão continua sob responsabilidade do médico
A plataforma foi desenvolvida para atuar como sistema de apoio à decisão clínica. A ferramenta apresenta o raciocínio associado a cada sugestão, enquanto a decisão final permanece com o profissional. “O profissional prevalece, sempre e por design”, eclarece Rodrigo.
A empresa também destaca a possibilidade de o paciente controlar seus próprios dados. Até setembro, está previsto o início dos testes de um aplicativo voltado ao usuário final, apresentado como uma “carteira de saúde digital”, que permitirá administrar informações, inclusive genéticas, e definir quais profissionais poderão acessá-las.
No tratamento dos dados genéticos, a empresa afirma utilizar anonimização e controle de acesso pelo próprio paciente, seguindo a LGPD. Segundo a PoliHealth, os dados não são vendidos ou compartilhados com seguradoras, laboratórios ou farmacêuticas.


