Consultoria indica que novas frentes de consumo e a expansão de serviços financeiros devem sustentar o avanço do setor nos próximos anos
O mercado de pagamentos digitais no Brasil ainda tem espaço para crescer até 38% até 2030, apesar de já apresentar elevados níveis de maturidade. A projeção é da consultoria estratégica global Bain & Company, que aponta novas oportunidades ligadas à evolução do consumo, à digitalização de novos segmentos e à ampliação de casos de uso como fatores que devem impulsionar o setor nos próximos anos.
Segundo a Bain, o Brasil encerrou 2025 com 85% de penetração dos pagamentos digitais, consolidando-se entre os mercados mais avançados do mundo nesse segmento. O avanço foi impulsionado pelo processo de bancarização da população. Entre 2017 e 2023, o percentual de brasileiros com acesso a serviços bancários passou de 57% para 90%, ampliando as condições para a adoção dos meios digitais de pagamento.
Como reflexo desse movimento, a participação dos cartões no consumo das famílias superou 52%, aproximando o país de mercados considerados mais maduros, como Reino Unido, com 58%, e Estados Unidos, com 46%.
Outro fator apontado pela consultoria é a consolidação do Pix. O sistema já representa mais de 40% do mercado endereçável e se tornou um dos principais motores da transformação digital dos meios de pagamento no país. Considerando a combinação entre Pix P2B e cartões no total dos gastos dos consumidores, a participação desses meios passou de 35% em 2020 para 85% em 2025, indicando um elevado grau de digitalização do consumo.
Apesar da maturidade do mercado, a Bain avalia que ainda há oportunidades relevantes de expansão. “quando consideramos, ao mesmo tempo, o avanço do consumo fora do PCE tradicional, a digitalização de novos verticais e a expansão de casos de uso ainda pouco explorados, fica claro que o potencial de crescimento dos pagamentos digitais no Brasil segue relevante. Em 2024, o mercado endereçável já foi até 24% superior ao PCE, o que indica um potencial de expansão de até 38%. Do ponto de vista econômico, esse movimento também se reflete na evolução do setor, que hoje conta com um profit pool de R$ 120 bilhões e pode alcançar R$ 170 bilhões até 2030”, afirma André Mello, sócio da Bain.
Para sustentar esse crescimento, a consultoria aponta que os diferentes participantes do mercado precisarão adaptar suas estratégias. No caso dos emissores, a recomendação é aprofundar o relacionamento com os clientes por meio da expansão da carteira financiada e da integração com outros produtos financeiros.
“Para os emissores, a principal oportunidade estará em aprofundar o relacionamento com o cliente, aumentando a principalidade, por meio da expansão da carteira financiada e da integração com outros produtos financeiros, como crédito pessoal, investimentos e seguros. Isso implica usar dados transacionais de forma mais inteligente para personalizar ofertas e capturar mais valor ao longo do ciclo de vida do cliente”, afirma Antonio Cerqueiro, sócio da Bain.
A consultoria também destaca que as bandeiras deverão reforçar sua proposta de valor por meio de investimentos em experiência do usuário, programas de benefícios e soluções de prevenção a fraudes e segurança. Já as credenciadoras tendem a ampliar sua atuação para além do processamento de pagamentos, oferecendo serviços como antecipação de recebíveis, gestão de caixa, crédito para lojistas e ferramentas de fidelização.
De acordo com a Bain, o futuro do setor dependerá cada vez menos da entrada de novos usuários e mais da capacidade dos agentes de inovar, diversificar receitas e aprofundar o relacionamento com clientes. A expansão para novos segmentos, especialmente no mercado de pagamentos B2B, também é apontada como um dos caminhos para sustentar o crescimento da indústria até 2030.

