O que os profissionais esperam do futuro do trabalho? Com apoio do Grupo Boticário, estudo inédito responde esta pergunta

Preferências de modelos de trabalho e impacto da tecnologia no mercado profissional são destaques da pesquisa, realizada pela Futuros Possíveis, que ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o País

Trabalho remoto, inteligência artificial e geração Z. São diversos os aspectos que, nos últimos anos, vêm imputando mudanças significativas na vida profissional das pessoas. Para investigar a fundo esse tema, o Grupo Boticário apoiou o estudo inédito  Futuro do Trabalho: onde estamos e para onde vamos”, realizado de forma independente pela plataforma de inteligência Futuros Possíveis. Com base em respostas  de mais de 2 mil pessoas de todo o Brasil, o estudo conta com insights inéditos sobre temas que vão desde o impacto da tecnologia nas carreiras e satisfação, até as preferências por modelos de trabalho.

Presencial, remoto ou híbrido?

Apesar de ter ganhado força na pandemia, o otimismo em relação ao trabalho remoto como modelo predominante diminuiu no último ano, passando de 47% em 2023 para 38% em 2024. “A queda na crença do trabalho remoto como o principal modelo para o futuro indica uma mudança de perspectiva entre os profissionais brasileiros. Estamos vendo uma maior valorização de outros modelos de trabalho, como o presencial e híbrido, o que reflete uma adaptação às necessidades do mercado e uma busca por equilíbrio entre flexibilidade e interação presencial”, comenta Angelica Mari, CEO e cofundadora da Futuros Possíveis.

O Grupo Boticário busca esse equilíbrio com uma iniciativa pioneira no setor, a adoção do trabalho misto, que engloba equipes nos três modelos. Hoje, aproximadamente 46% dos colaboradores trabalham presencialmente, 35% adotaram o trabalho remoto e 19% estão em modelos híbridos.

Para Daniel Knopfholz, vice-presidente de pessoas e tecnologia no Grupo Boticário, o ideal é entender que não há um modelo certo, mas sim perfis e atividades que melhor se adaptam a cada um deles. “Eu acho que as palavras-chave aqui são flexibilidade e responsabilidade. Precisamos entender que existem vários perfis com necessidades distintas. O que nós fizemos foi permitir que os três modelos de trabalho – presencial, remoto e híbrido – coexistam, de acordo com a natureza da atividade da pessoa. É necessário também que as pessoas usem essa flexibilidade com responsabilidade, entendendo que esses modelos só existem porque as pessoas o usam bem e são comprometidas com suas atividades e resultados. Com esse movimento, conseguimos priorizar a saúde mental de nossos colaboradores, diversidade de pessoas, culturas, localizações e até formas de trabalho”, explica o executivo.

“O desejo por uma configuração principalmente presencial ou híbrida sugere que, apesar das transformações impulsionadas pela pandemia, muitos ainda valorizam a proximidade física e as conexões pessoais no local de trabalho. As pessoas querem poder aproveitar as vantagens do  trabalho remoto e os benefícios da colaboração olho no olho conforme as circunstâncias que o dia a dia profissional apresenta”, destaca Angelica. 

“Nós apostamos em ter equipes nos três formatos, mas existem vários momentos durante o ano onde garantimos que aconteçam os encontros presenciais, principalmente nos momentos de construção de novos projetos, visão de futuro e laços entre as pessoas. Além disso, sempre organizamos e incentivamos encontros presenciais espontâneos, para não perder o convívio humano entre os colegas, que definitivamente faz muita diferença”, complementa Daniel.

Entre os que preferem trabalhar presencialmente, os motivos mais citados incluem facilidade de comunicação, produtividade e interação social, além de benefícios para a saúde mental e agilidade no trabalho. Por outro lado, aqueles que optam pelo trabalho remoto são impulsionados principalmente pela economia de tempo em transporte, seguida pela melhoria da produtividade, tempo para outros projetos, mais tempo com a família e maior controle sobre o horário de trabalho. Esses fatores refletem uma busca por flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Empresas estão preparadas? Adaptação é necessária

Um dos motivos do ceticismo com o trabalho remoto se dá pela falta de estrutura das empresas. Segundo a pesquisa, metade dos profissionais acha que as empresas nem sempre estão adequadas para o trabalho remoto, e 38% consideram que as empresas onde trabalham também não estão preparadas para o trabalho híbrido.

“Essa percepção sugere um desafio significativo para as organizações no que diz respeito à adaptação. Embora muitos profissionais tenham se desenvolvido para operar sob modelos alternativos de trabalho, ainda há uma lacuna a ser preenchida em termos de preparação das empresas para suportar essas mudanças”, comenta a CEO da Futuros Possíveis.

“Não dá para falar de trabalho do futuro sem falar de RH do futuro. A mudança de modelos de trabalho requer uma adaptação da gestão e processos. É preciso fornecer aos colaboradores ferramentas, condições e diretrizes para orientar da melhor forma cada modelo e como eles devem se integrar, sem impactar a atividade das pessoas” complementa Daniel. Sobre essa adaptação, no Grupo Boticário a adoção de modelo misto foi baseada em pesquisas e feedback dos funcionários, e demandou processos e diretrizes muito bem estabelecidas para assegurar que os 3 modelos de trabalho caminhassem em harmonia, com times integrados e a cultura do Grupo disseminada a todos, garantindo o bem-estar e a qualidade de vida dos colaboradores. 

Os processos e diretrizes deram resultados positivos no Grupo. O trabalho misto é apontado por 97% dos colaboradores como um incentivo para permanecer na empresa, e tem altos níveis de engajamento e satisfação, refletidos em indicadores como o Net Promoter Score (NPS). 

Profissionais não veem tecnologia como ameaça no trabalho

O estudo também revelou que a maioria dos profissionais (77%) não teme perder seus empregos para robôs, mas sim para outros profissionais que dominam melhor as tecnologias. Em contrapartida, a percepção positiva sobre o impacto da tecnologia no trabalho aumentou, com 67% dos entrevistados relatando gastar menos tempo em tarefas, um aumento significativo em relação ao ano anterior, em que o percentual era de 52%. “Essa mudança na percepção sugere uma maior aceitação e integração das tecnologias no ambiente de trabalho, possibilitando maior eficiência e produtividade”, afirma a CEO da Futuros Possíveis.

“Acredito que a tecnologia vem para potencializar o trabalho humano, e não substituí-lo.  Ferramentas tecnológicas podem ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões e a realizarem algumas tarefas de maneira mais rápida, principalmente processos mais morosos. Temos um bom exemplo aqui. Uma solução de previsão de demanda, dentro de um modelo de inteligência artificial, que analisa uma enorme quantidade de dados para dizer quantos produtos devem ser disponibilizados para cada ponto de venda. É uma  análise que, se fosse delegada a um humano, não seria tão acurada e demoraria muito tempo para ser feita. Mas, no final do processo, a decisão é de uma pessoa, que  que avalia a recomendação determina o que será feito. Uma solução como essa libera tempo e desonera o colaborador de uma tarefa muito complicada”, exemplifica o executivo do Grupo Boticário.

Apesar da maioria das pessoas, 56%, discordarem que sua profissão vai desaparecer nas próximas duas décadas, há uma preocupação em acompanhar a tecnologia. Para 57% dos entrevistados, seus empregos serão substituídos por pessoas que usam tecnologia melhor, enquanto 47% acham difícil acompanhar as mudanças tecnológicas. A dificuldade é especialmente evidente entre os profissionais com mais de 30 anos, representando 40% dos entrevistados. 

“Essa percepção reflete a preocupação crescente dos profissionais em se manterem atualizados em um mercado de trabalho cada vez mais tecnológico. É essencial investir em capacitação e desenvolvimento para garantir a empregabilidade no futuro,” diz Angelica.

Para 72% dos brasileiros, satisfação no trabalho vai muito além do salário

A pesquisa também buscou entender o que torna os brasileiros satisfeitos com o trabalho. Os dados apontam que para 72% dos respondentes um bom salário não basta para garantir a satisfação profissional, e o brasileiro prioriza outros fatores – como horário flexível – na avaliação do trabalho atual.

“Essa tendência reflete uma mudança de mentalidade em relação ao que realmente importa na jornada profissional. Estamos testemunhando uma nova era, em que o equilíbrio entre trabalho e outros aspectos da vida se torna um objetivo central para muitos trabalhadores, causando uma necessidade de transformação urgente por parte das organizações”, acrescenta Angelica.

Entre os principais motivos que impactam a satisfação com o trabalho atual, destacam-se:

  • Salário: crucial, com 37% dos respondentes citando-o como o fator mais importante, especialmente entre pessoas entre 16 e 29 anos (42%).
  • Horário flexível: essencial para 31% dos entrevistados, com destaque para a população 50+ (37%).
  • Autonomia: valorizada por 27% dos profissionais, principalmente pela população 50+ (39%) e pelas classes AB (35%).

Além disso, os benefícios também desempenham um papel significativo na satisfação no trabalho. Plano de saúde (41%), vale-alimentação e vale-refeição (29%), e participação nos lucros e resultados (26%) , foram apontados pelos respondentes  como os benefícios mais valorizados.

Geração Z não quer ser chefe

Entre as pessoas que buscam ser promovidas sem liderar times, a população entre 16 e 29 anos é a mais representativa (16%, vs 12% na faixa de 30 a 49 anos e 7% entre as pessoas com mais de 50 anos). No contingente que almeja uma carga horária reduzida, mulheres têm uma representatividade maior (22,5%) na comparação com homens (17%). 

“Os dados confirmam a busca por  equilíbrio entre os aspectos  pessoais e profissionais da vida das pessoas. É interessante notar que, enquanto um significativo percentual almeja ganhos financeiros e melhores benefícios, poucos demonstram interesse em assumir cargos de liderança. Isso pode indicar uma preferência por uma abordagem mais equilibrada e menos estressante em relação ao trabalho”, diz Angelica.

Além disso, evidencia-se uma tendência crescente em direção a novos modelos de carreira, a especialista nota que não seguem mais uma trajetória linear tradicional. Surgem outras opções de sucesso, como o foco em se tornar especialista em uma área específica, em detrimento do tradicional caminho rumo a cargos de liderança. 

“A representatividade dos jovens na busca por promoções sem liderar equipes e das mulheres na busca por uma carga horária reduzida sugere uma valorização crescente de aspectos como rotas alternativas de progresso profissional e qualidade de vida no ambiente de trabalho, alimentando uma mudança de paradigma’, conclui a CEO da Futuros Possíveis.

O relatório se baseia em dados exclusivos coletados via internet pelo Opinion Box, empresa de soluções de pesquisa de mercado online. Foram ouvidos 2.011 homens e mulheres acima de 16 anos, de todo o Brasil, e de todas as classes sociais, que estejam trabalhando ou procurando emprego.

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