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4 pontos essenciais da influência da IA nas triagens automatizadas de currículos

Especialista da RH NOSSA orienta candidatos a adaptar o currículo aos sistemas ATS sem perder autenticidade e destaca a importância de resultados mensuráveis

Enviar dezenas de currículos pela internet e não receber retorno pode ser uma das principais frustrações de quem busca recolocação profissional. Em processos seletivos que utilizam sistemas de inteligência artificial para a triagem inicial, porém, a dificuldade pode estar também na forma como as informações são apresentadas no documento.

Um estudo do Opinion Box aponta que 81% dos candidatos sentem que precisam se preparar melhor para lidar com os sistemas ATS (Applicant Tracking Systems), softwares de inteligência artificial utilizados na triagem inicial de vagas em algumas agências ou empresas.

Os sistemas ATS funcionam de maneira semelhante a mecanismos de busca. Quando uma empresa abre um processo seletivo, o recrutador insere no software os requisitos da vaga, como competências, ferramentas e experiências. A inteligência artificial analisa os currículos anexados e estabelece uma classificação de acordo com o nível de compatibilidade, o chamado match.

“A Inteligência Artificial não analisa intenções, ela analisa fatos e palavras-chave. O grande erro que vemos no dia a dia do recrutamento são candidatos excelentes sendo descartados porque usaram layouts cheios de gráficos que a máquina não lê, ou porque inventaram nomes bonitos para o cargo em vez de usar o termo tradicional de mercado. Para vencer a triagem, o currículo precisa ser simples, limpo e direto ao ponto. Ele deve conter as ferramentas, as máquinas e os processos exatos que a vaga exige. Facilite o trabalho do robô para que o seu currículo chegue vivo na mesa do recrutador”, pontua Karina Pelanda, gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA.

Esse entendimento é fundamental para quem busca recolocação profissional, mas também para quem está à frente das decisões de implementação de IA nos processos seletivos empresariais.

Segundo Karina Pelanda, quatro pontos são essenciais em processos que utilizam sistemas ATS:

Palavras-chave alinhadas à descrição da vaga

A orientação é analisar atentamente a descrição da oportunidade desejada e identificar os termos técnicos, certificações e habilidades que aparecem com maior frequência. Essas palavras devem estar presentes no currículo, seja no resumo profissional ou na descrição das experiências anteriores.

Assim, se a vaga exige “Gestão de Tráfego Pago”, por exemplo, a recomendação é utilizar exatamente essa expressão, em vez de apresentar apenas uma descrição mais ampla, como “Marketing Digital”.

Design simples e leitura linear

Currículos com colunas duplas, barras de progresso para idiomas ou fontes muito artísticas podem dificultar a leitura automatizada. A orientação é utilizar fontes tradicionais, como Arial ou Calibri, e manter uma estrutura limpa e direta.

A recomendação considera que os sistemas fazem a leitura do texto de forma linear, da esquerda para a direita e de cima para baixo.

Resultados mensuráveis

Outro ponto destacado é a apresentação de resultados concretos. Em vez de apenas listar atribuições, como “responsável por vendas”, a orientação é demonstrar o impacto gerado pela atuação profissional.

Um exemplo apresentado é substituir a descrição de uma função por uma realização mensurável: “Aumento de 20% no faturamento do setor por meio da implementação de novas estratégias comerciais”.

Uso moderado da inteligência artificial

Ferramentas de inteligência artificial generativa também podem ser utilizadas pelos candidatos para revisar e adaptar o texto do currículo. De acordo com a pesquisa do Opinion Box, 44% dos candidatos que utilizam IA recorrem à tecnologia justamente para escrever ou revisar o documento.

A recomendação, no entanto, é preservar a autenticidade das informações apresentadas.

“Usar a tecnologia para organizar e melhorar a escrita do currículo é ótimo, mas o conteúdo precisa ser 100% verdadeiro. “A máquina faz o primeiro filtro, mas a entrevista final sempre será olho no olho com um humano”, explica a especialista.

Embora as ferramentas tecnológicas tragam agilidade aos processos seletivos, o mercado caminha para um modelo em que a tecnologia é utilizada para otimizar etapas burocráticas, abrindo espaço para conversas mais profundas nas fases finais dos processos.

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