Levantamento da Câmara de Comércio Brasil-Canadá aponta crescimento de 12,1% nas vendas brasileiras até setembro, impulsionadas pelo ouro e pela carne bovina; comércio bilateral movimentou US$ 8,41 bilhões.
As exportações brasileiras para o Canadá alcançaram US$ 5,69 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, o maior valor já registrado para o período. O resultado representa um crescimento de 12,1% em relação aos mesmos meses de 2025, quando as vendas somaram US$ 5,08 bilhões e estabeleceram o recorde anterior.
Os números integram o Quick Trade Facts (QTF), levantamento trimestral elaborado pela Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CCBC), que acompanha os indicadores do comércio bilateral. A análise compara os valores das operações comerciais, expressos em dólares americanos na modalidade FOB, entre janeiro e setembro de 2025 e de 2026.
O avanço das exportações superou em US$ 614 milhões a marca anterior. Considerando os últimos dois anos, as vendas brasileiras ao mercado canadense acumularam crescimento de aproximadamente 28%. Já a corrente de comércio entre os países, que reúne exportações e importações, atingiu US$ 8,41 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, alta de 13% na comparação anual. No que se refere às compras brasileiras de produtos canadenses, essas totalizaram US$ 2,72 bilhões, crescimento de 14,9%, enquanto o saldo da balança comercial permaneceu favorável ao Brasil em US$ 2,97 bilhões.
Ouro responde por mais da metade das exportações brasileiras ao Canadá
O ouro bruto manteve a liderança entre os produtos brasileiros destinados ao mercado canadense. As exportações de bulhão dourado somaram US$ 3,06 bilhões até setembro, crescimento de 47% em relação ao mesmo período de 2025.
Com esse desempenho, o produto passou a representar 53,8% do valor total exportado pelo Brasil ao Canadá, ante 41,1% no ano anterior. O crescimento ocorreu em um cenário internacional de incertezas econômicas e geopolíticas, marcado pela procura por ativos considerados seguros.
“O desempenho do comércio entre Brasil e Canadá evidencia a relevância da parceria bilateral em um cenário internacional de incertezas. Ao mesmo tempo que a demanda por ouro impulsiona as exportações brasileiras, a expansão das compras de fertilizantes e de outros produtos canadenses demonstra a complementaridade entre as duas economias e as oportunidades para aprofundar essa relação”, afirma Hilton Nascimento, diretor-presidente da CCBC.
Exportações de carne bovina crescem 828%
Além do ouro, a carne bovina apresentou uma das variações mais expressivas entre os principais produtos exportados pelo Brasil ao Canadá. As vendas de carne bovina desossada e congelada alcançaram US$ 76,5 milhões entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 828% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando haviam somado US$ 8,2 milhões.
O aumento das compras canadenses ocorreu em um período de retração das exportações brasileiras de carne bovina para a China. O Canadá esteve entre os mercados que ampliaram significativamente as aquisições do produto, contribuindo para compensar parcialmente a redução da demanda chinesa.
Outros segmentos também registraram crescimento. As exportações de máquinas carregadoras avançaram 80%, atingindo US$ 55,8 milhões, enquanto as vendas de querosene de aviação cresceram 83%, para US$ 39,4 milhões. O levantamento também identificou aumento nas exportações de equipamentos industriais, incluindo partes de turborreatores e centros de usinagem.
Em contrapartida, alguns produtos tradicionalmente relevantes na pauta comercial apresentaram retração. As vendas de alumina calcinada caíram 28%, para US$ 858,8 milhões, enquanto as exportações de açúcar de cana recuaram 25%, totalizando US$ 251,5 milhões. O café verde registrou queda de 20%, com vendas de US$ 172,8 milhões. Também houve redução nas exportações de aeronaves com peso superior a 15 mil quilos, que diminuíram 17%, para US$ 132,2 milhões.
Entre os produtos com desempenho positivo estão ainda o café solúvel, cujas vendas cresceram 24%, e os transformadores de dielétrico líquido com potência superior a 10 mil kVA, que registraram expansão de 50%.
Fertilizantes representam 51,9% das importações brasileiras do Canadá
No fluxo comercial inverso, os fertilizantes permaneceram como o principal grupo de produtos adquiridos pelo Brasil no mercado canadense. As importações de cloreto de potássio somaram US$ 1,41 bilhão nos nove primeiros meses de 2026, aumento de 14,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O produto respondeu por 51,9% do valor total importado pelo Brasil do Canadá. A análise da CCBC aponta que a continuidade das disrupções nas cadeias globais de fertilizantes pode favorecer fornecedores com elevada capacidade produtiva e menor dependência de insumos externos, como o Canadá.
Além dos fertilizantes, o crescimento das importações brasileiras envolveu produtos dos setores industrial, químico, farmacêutico e aeronáutico. As compras de turborreatores com empuxo superior a 25 kN aumentaram 61,4%, alcançando US$ 195,4 milhões. Já as importações de helicópteros com peso de até 2 mil quilos avançaram 83%, para US$ 68,3 milhões. Outros destaques foram as importações de hulha betuminosa, que cresceram 467,8%, atingindo US$ 59,2 milhões, e as compras de máquinas e aparelhos destinados à agricultura e horticultura, com alta de 66,2%, para US$ 21,7 milhões. No segmento farmacêutico, uma das principais categorias de medicamentos importados apresentou crescimento de 35,7%, totalizando aproximadamente US$ 63 milhões.
Câmbio e cenário internacional influenciam comércio bilateral
O comportamento cambial também integra os fatores analisados pela CCBC para o desempenho das relações comerciais entre Brasil e Canadá. A valorização do real diante do dólar americano e do dólar canadense ao longo de 2026 ampliou o poder de compra brasileiro, contribuindo para tornar os produtos importados mais competitivos no mercado nacional.
Ao mesmo tempo, a demanda internacional por ouro e as condições das cadeias globais de fertilizantes aparecem entre os fatores associados à evolução das trocas comerciais. Os resultados dos primeiros nove meses de 2026 mostram o crescimento simultâneo das exportações e importações entre os países, com manutenção do superávit brasileiro e participação expressiva de produtos minerais, agrícolas e industriais na pauta bilateral.

