Voo demonstrativo do eVTOL da Eve Air Mobility em São Paulo reforça aposta em inovação, com mais de 2,9 mil pedidos e potencial de US$ 14,5 bilhões em receita
O Brasil deu mais um passo no desenvolvimento da mobilidade aérea urbana com o voo demonstrativo do eVTOL, conhecido como “carro voador” e desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. O teste foi realizado na unidade da empresa em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, com a presença do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
O projeto conta com financiamento de R$ 1,2 bilhão aprovado pelo BNDES desde 2023, destinado ao desenvolvimento da unidade de produção do eVTOL, que será instalada em Taubaté (SP). Em 2025, o banco também anunciou investimento direto de R$ 405,3 milhões na Eve, dentro da estratégia de retomada da atuação da BNDESPAR em renda variável.
“Acompanhamos hoje o voo teste de um marco da engenharia brasileira, que reforça a capacidade do país de inovar e competir em setores de alta tecnologia”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. Segundo ele, o apoio do banco combina crédito e investimento para viabilizar a produção no Brasil, gerar empregos qualificados e inserir a indústria nacional na nova fronteira da mobilidade aérea sustentável. “E nós vamos agora caminhar para a certificação da ANAC para o eVTOL virar veículo comercial, tudo isso 120 anos depois do primeiro voo público do 14-bis, em Paris”, completou.
A expectativa é que a produção alcance até 480 aeronaves por ano. O modelo já acumula mais de 2,9 mil pedidos de reserva, feitos por 30 clientes em 13 países, o que representa um potencial de US$ 14,5 bilhões em receita. A previsão é que o eVTOL esteja pronto para operação até 2027.
O veículo terá capacidade para quatro passageiros, além do piloto, alcance de até 100 quilômetros e espaço para bagagens. O projeto inclui oito motores elétricos elevadores nas asas, voltados ao voo vertical, e um motor traseiro para navegação horizontal.
Em dezembro, o eVTOL realizou seu primeiro voo não tripulado, validando a integração de sistemas essenciais, como o conceito de fly-by-wire de quinta geração e rotores dedicados ao voo vertical.
O programa de testes seguirá ao longo de 2026, incluindo a transição para o voo de cruzeiro com asas fixas e a continuidade do processo de certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), além de autoridades internacionais como a Federal Aviation Administration (FAA) e a European Union Aviation Safety Agency (EASA).

