Mercado incorpora estruturas de bem-estar e apoio corporativo aos empreendimentos em um cenário de alta demanda e baixa vacância
O mercado de galpões logísticos passa por uma mudança no perfil dos empreendimentos. Além de estruturas destinadas à armazenagem e às operações, novos projetos incorporam áreas de convivência, serviços e espaços voltados ao bem-estar dos colaboradores, em uma tentativa de acompanhar as necessidades das empresas e ampliar a atratividade dos ativos para investidores.
O movimento ocorre em um cenário de demanda elevada. Dados divulgados por empresas do setor apontam taxa de vacância nacional de 5,5%, descrita como o menor patamar já registrado. Em Santa Catarina, os índices ficam em torno de 3%, conforme especialistas.
A busca por estruturas mais completas inclui espaços semelhantes aos encontrados em áreas de convivência de empreendimentos residenciais de alto padrão. Entre os recursos incorporados aos novos complexos estão restaurantes, salas de reunião, coworking, áreas de estar e estruturas esportivas.
Bem-estar passa a integrar a infraestrutura logística
Um exemplo desse modelo está em Navegantes (SC), onde o Ciway 470 reúne 196 mil m² de área construída em um terreno de 256 mil m². O complexo possui 94 módulos flexíveis, com áreas que variam de 1,8 mil a 6 mil m².
Cerca de 900 m² do empreendimento são destinados a espaços voltados ao bem-estar dos colaboradores. A estrutura inclui áreas de convivência, quadra poliesportiva, restaurantes, salas de reunião, auditório, coworking, lounge gourmet, áreas de estar e ambulatório para atendimentos emergenciais. O empreendimento também está localizado entre dois portos, característica apresentada como parte da estratégia de localização do projeto.
“A logística deixou de ser apenas uma questão de armazenagem. Hoje, grandes operações buscam eficiência, localização e também qualidade de ambiente para suas equipes. Empreendimentos mais completos tendem a registrar menor vacância, contratos mais longos e aluguéis acima da média”, afirma Lucas Saes, diretor administrativo do Grupo Saes.
Santa Catarina aparece entre os mercados de menor vacância
A diferença entre os índices de vacância também é destacada na avaliação sobre o mercado catarinense. Segundo Saes, enquanto a taxa nacional está em 6,5%, Santa Catarina registra cerca de 3%. Em Navegantes, o índice também seria de 3%.
“Enquanto a taxa de vacância logística no Brasil está em 6,5%, em Santa Catarina gira em torno de 3%, Navegantes opera praticamente em pleno emprego logístico, também com apenas 3% de vacância. Isso mostra a força da localização e da vocação logística da cidade, que combina porto, rodovias e demanda consistente”, explica Saes.
A localização, portanto, aparece associada à combinação entre portos, rodovias e demanda por espaços destinados às operações logísticas.
Ativos logísticos entram na estratégia dos investidores
Além da demanda das empresas, os galpões logísticos são apresentados no material como uma alternativa de exposição ao mercado imobiliário. O argumento está relacionado à existência de contratos mais longos e fluxo de receita previsível.
“O investidor normalmente já tem exposição à renda fixa, à bolsa e, muitas vezes, a imóveis residenciais. Ao entrar em um projeto logístico escalado, ele adiciona um ativo que conversa diretamente com a economia real, comércio exterior, consumo e cadeia produtiva, e com um grau de previsibilidade maior do que o de um único imóvel de locação”, conclui.
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