Pesquisa da Robert Half mostra os critérios que pesam na definição dos modelos de trabalho e o papel da colaboração presencial nas decisões das organizações
A decisão das empresas brasileiras de ampliar a presença dos colaboradores no escritório está relacionada principalmente a fatores ligados à cultura organizacional, comunicação e colaboração. É o que aponta a Pesquisa sobre Modelos de Trabalho da Robert Half, que identifica o fortalecimento da cultura organizacional como o principal motivo citado pelas empresas, com 68% das respostas.
O estudo é baseado em duas iniciativas de pesquisa proprietárias da Robert Half: a Pesquisa ICRH, realizada em janeiro de 2026, que ouviu 1.161 respondentes, divididos igualmente entre profissionais empregados, profissionais desempregados e tomadores de decisão. O levantamento avaliou percepções e expectativas relacionadas ao trabalho; e a Pesquisa Setorial, realizada de forma online, entre março e abril de 2026, com 289 tomadores de decisão de 14 setores da economia.
Os levantamentos compõem a base de dados utilizada pela Robert Half para analisar percepções sobre modelos de trabalho e os fatores considerados pelas organizações na definição do nível de presencialidade.
Na sequência da Pesquisa sobre Modelos de Trabalho da Robert Half aparecem a melhoria da comunicação e da colaboração, com 63%; a necessidade de integração e supervisão, com 59%; o aumento da produtividade, com 50%; e as diretrizes das lideranças globais, mencionadas por 34%.
Os dados mostram que as empresas adotam diferentes estratégias para definir seus modelos de trabalho. Enquanto algumas ampliam a presença física para fortalecer a colaboração, a cultura organizacional e o desenvolvimento de talentos, outras mantêm maior flexibilidade sem comprometer o desempenho.
“O principal desafio está em encontrar o equilíbrio adequado entre pessoas, cultura e resultados de negócio. Na prática, quando os critérios são transparentes, as expectativas estão alinhadas e as decisões são comunicadas de forma consistente, as organizações tendem a conquistar maior adesão dos profissionais, mesmo em ambientes que exigem mais dias de presença física”, afirma Vitor Silva, diretor de mercado da Robert Half.
Previsibilidade e colaboração
O estudo aponta dois fatores considerados relevantes para a definição do modelo de trabalho: a previsibilidade do negócio e a necessidade de colaboração presencial. Atualmente, 51% das empresas classificam suas operações como moderadamente previsíveis, enquanto 66% relatam elevada necessidade de colaboração presencial.
Os resultados indicam que empresas com maior demanda por interação entre áreas, coordenação e tomada de decisão conjunta tendem a se beneficiar de níveis mais elevados de presencialidade. Já organizações com operações mais previsíveis e equipes altamente autônomas podem sustentar modelos híbridos mais flexíveis sem comprometer a produtividade ou os objetivos do negócio.
A pesquisa também destaca que a sustentabilidade do modelo adotado ao longo do tempo é um fator relevante para seu sucesso. “Organizações mais maduras conseguem operar com sucesso sob diferentes modelos de trabalho porque estabelecem critérios claros, comunicam suas decisões de forma transparente e administram exceções sem perder a consistência. O maior risco está em mudar continuamente de formato na tentativa de resolver desafios que têm origem na cultura, na liderança ou nas práticas de gestão, e não no próprio modelo de trabalho”, conclui o executivo.

