Levantamento mostra que CEOs, executivos C-level e conselhos lideram as definições sobre trabalho presencial, híbrido e remoto, enquanto pesquisa identifica desafios para equilibrar estratégia do negócio e expectativas dos profissionais
As decisões sobre modelos de trabalho estão cada vez mais concentradas na alta liderança das organizações. Pesquisa da Robert Half mostra que 82% das empresas atribuem essa responsabilidade a CEOs, executivos C-level, conselhos de administração ou diretrizes corporativas globais, indicando que o tema passou a integrar a agenda estratégica dos negócios.
O levantamento foi realizado pela Robert Half a partir de duas frentes de pesquisa. A Sondagem ICRH, que reuniu 1.161 respondentes, distribuídos igualmente entre profissionais empregados, desempregados e tomadores de decisão; e a Pesquisa Setorial, que contou com 289 participantes de 14 setores da economia, avaliando percepções e práticas relacionadas aos modelos de trabalho.
Segundo o levantamento, 36% das empresas informam que a decisão cabe ao CEO ou proprietário, enquanto 28% adotam uma definição conjunta entre CEO e demais executivos C-level. Em outras 18%, a responsabilidade é do board ou conselho de administração, e 14% seguem diretrizes internacionais. Apenas 4% afirmam que a decisão ocorre em nível gerencial.
“Determinar qual modelo de trabalho será mais eficaz exige compreender as necessidades específicas da empresa e onde a flexibilidade pode apoiar melhor as pessoas e os objetivos do negócio. A discussão amadurece quando deixa de se limitar à definição da presença no escritório. As organizações precisam de uma abordagem que apoie sua estratégia mais ampla, ao mesmo tempo em que as ajude a permanecer competitivas e a atrair e reter talentos”, analisa Vitor Silva, diretor de mercado da Robert Half.
O estudo também aponta os impactos dessas decisões na retenção de profissionais. Entre os gestores entrevistados, 54% avaliam que o aumento das exigências de trabalho presencial eleva o risco de turnover. Já entre os profissionais, 52% afirmam que considerariam mudar de emprego caso perdessem flexibilidade no modelo de trabalho.
A pesquisa também comparou as preferências dos profissionais com os modelos de trabalho efetivamente adotados pelas empresas. O maior alinhamento foi observado no modelo híbrido com dias presenciais pré-definidos: 35% dos profissionais afirmam preferi-lo, enquanto 39% das organizações o utilizam. Já o híbrido com ampla flexibilidade apresentou um dos maiores descompassos, sendo a opção favorita de 41% dos profissionais, mas adotada por apenas 17% das empresas.
O levantamento mostra ainda que o trabalho 100% remoto é o modelo preferido por 16% dos profissionais e praticado por 7% das organizações. No extremo oposto, o formato totalmente presencial é adotado por 37% das empresas, embora seja a preferência de apenas 8% dos profissionais. Segundo a Robert Half, os resultados sugerem que o alinhamento tende a aumentar quando as organizações estabelecem critérios consistentes e compatíveis com a realidade de suas operações.
Os dados indicam que o modelo híbrido com dias pré-definidos apresenta o maior alinhamento entre empresas e profissionais. Já o modelo totalmente presencial e o híbrido com ampla flexibilidade concentram os maiores níveis de desalinhamento entre expectativa e prática.
Segundo a Robert Half, as diferenças também refletem as características das funções desempenhadas. Enquanto profissionais de áreas corporativas trabalham, em média, 3,8 dias por semana presencialmente, colaboradores de funções operacionais registram média de 4,6 dias presenciais.
“Buscar um modelo de trabalho universal pode ser contraproducente, pois as necessidades organizacionais variam. Em última análise, a eficácia de qualquer abordagem depende de decisões transparentes e do alinhamento entre formato de trabalho, cultura da empresa e realidade operacional. Quando as expectativas são claras, aplicadas de forma consistente e compreendidas pelos profissionais, mal-entendidos e atritos tendem a ser minimizados”, conclui Vitor.


