Levantamento da Russell Reynolds Associates mostra alta histórica nas transições de diretores financeiros, maior exigência por experiência e desafios para ampliar a presença feminina no cargo
A rotatividade de Chief Financial Officers (CFOs) atingiu, em 2025, o maior patamar da série histórica, refletindo mudanças nas exigências impostas à liderança financeira das organizações. O movimento também é observado no Brasil, onde cerca de 40% das posições de CFO mudaram de mãos, segundo análise da Russell Reynolds Associates.
O “Índice Global de Rotatividade de CFO”, elaborado anualmente pela consultoria, analisa empresas de capital aberto integrantes de 13 dos principais índices acionários do mundo, incluindo S&P 500, FTSE 100, ASX 200, CAC 40, DAX 40, EuroNext 100, FTSE 250, Hang Seng, Nikkei 225, NSE Nifty 50, S&P/TSX Composite, STI e SMI. No Brasil, a análise considera as 179 empresas listadas no Novo Mercado da B3.
O estudo indica que a rotatividade global cresceu 12% em relação à média dos últimos sete anos e 10% na comparação com 2024 e aponta que a ampliação das responsabilidades do cargo, a volatilidade dos mercados, a transformação das empresas e o maior escrutínio de investidores e Conselhos elevaram a demanda por executivos capazes de assumir a função com impacto imediato.
“Em 2025, o cargo de CFO consolidou um mandato ampliado: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com Conselho e investidores. Esse cenário intensifica as transições e aumenta a demanda por executivos experientes, capazes de gerar confiança rapidamente”, afirma Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates. “Para mitigar riscos, a sucessão de CFO deve ser tratada como disciplina contínua de governança, com planejamento antecipado e transição estruturada”, analisa.
Brasil registra menor tempo de permanência no cargo
Segundo a consultoria, o tempo médio de permanência de um CFO é de seis anos e meio no cenário global. No Brasil, esse período cai para quatro anos e meio. Ainda de acordo com a análise, cerca de 70% dos executivos permanecem menos de cinco anos na função, enquanto apenas 12% ultrapassam uma década no cargo.
O levantamento também mostra que empresas passaram a priorizar profissionais com experiência prévia na função durante os processos de sucessão. Globalmente, embora 57% dos profissionais tenham assumido seu primeiro mandato como CFO, a busca por executivos experientes cresceu 7,5%, o maior índice da série histórica. No Brasil, 65% dos novos CFOs já haviam ocupado anteriormente a posição, indicando preferência dos Conselhos por lideranças com menor curva de adaptação.
Entre os principais motivos para a saída dos executivos, a aposentadoria permanece na liderança, representando 60% das transições globais, percentual quase 10% superior ao registrado em 2024.
Cargo amplia protagonismo na sucessão de CEOs
Além da elevada rotatividade, o estudo destaca que a posição de CFO segue ganhando relevância como etapa de preparação para a presidência das empresas. No Brasil, 13% das transições analisadas resultaram na promoção do diretor financeiro ao cargo de CEO.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a diversidade na liderança financeira. Embora o número total de mulheres ocupando a posição tenha aumentado globalmente, a participação feminina entre as novas nomeações caiu para 21% em 2025, índice 23% inferior ao registrado no ano anterior.
No Brasil, as mulheres representam 14% dos CFOs das empresas listadas no Novo Mercado da B3.
“Os dados mostram que diversidade na liderança financeira ainda é um desafio estrutural, e não uma questão que se resolve apenas no momento da sucessão. Ampliar a presença de mulheres em posições de CFO passa por fortalecer o pipeline de talentos femininos em funções estratégicas, criar condições reais de desenvolvimento ao longo da carreira e garantir ambientes que favoreçam retenção, visibilidade e prontidão para o cargo”, afirma Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates.
Segundo a consultoria, o cenário reforça a necessidade de Conselhos de Administração e CEOs tratarem a sucessão da liderança financeira como um processo contínuo de governança, com planejamento antecipado, atualização dos perfis executivos e suporte estruturado para acelerar a efetividade dos novos CFOs.


