Por Renzo Perazzolo, diretor da área de Serviços da Tetra Pak Brasil
A relação entre a indústria e seus parceiros – como os fornecedores de serviços, por exemplo – pode, muitas vezes, parecer se basear exclusivamente na resolução de demandas pontuais. Um equipamento que precisa de manutenção, uma peça que deve ser substituída ou a necessidade de suporte técnico em algum ponto específico da operação.
Hoje, porém, o tempo é um fator essencial para as indústrias, sobretudo em um cenário de operações cada vez mais complexas: metas de eficiência, controle de custos, exigências crescentes de sustentabilidade e qualidade. Enquanto isso, qualquer interrupção não planejada pode gerar impactos significativos na produtividade e na competitividade do negócio.
Quando o foco está apenas em atender uma necessidade imediata, nem sempre as causas que levaram àquele desafio são tratadas e, como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar. Com a análise e resolução apenas do problema pontual, nasce um ciclo de intervenções sem uma visão integrada da operação.
Frente aos atuais requisitos, é cada vez mais difícil esperar resultados mantendo a ideia de que a manutenção deve acontecer apenas quando um problema surge. Com isso, cada vez mais, se torna necessária uma abordagem baseada na parceria de longo prazo, em que fornecedor e indústria compartilham não apenas responsabilidades, mas também objetivos.
Esse modelo representa uma evolução na forma de enxergar os contratos de serviços. Em vez de uma relação baseada apenas na execução de atividades previamente definidas, o foco passa a ser a entrega de resultados mensuráveis, alinhados às prioridades estratégicas de cada operação. E essa abordagem exige que a solução seja construída de forma individualizada – afinal, nenhuma fábrica possui exatamente os mesmos desafios.
Enquanto uma planta pode buscar maior disponibilidade operacional, outra pode ter como prioridade reduzir perdas, melhorar indicadores de qualidade, diminuir o consumo de utilidades ou aumentar a eficiência de uma linha específica. Existem ainda empresas cujo principal desafio está na sustentabilidade ou no controle dos custos operacionais.
Justamente por isso, o primeiro passo não é definir o contrato com os fornecedores, mas compreender a operação. Antes de estabelecer qualquer compromisso, é necessário entender quais são os objetivos do produtor, quais indicadores realmente refletem o sucesso daquela fábrica e onde estão as maiores oportunidades de melhoria. Somente a partir desse diagnóstico é possível desenhar uma solução compatível com a realidade da planta.
Esse processo também muda a forma como o desempenho é acompanhado. Em vez de medir apenas a execução das atividades contratadas, passam a ser definidos indicadores de desempenho (os famosos KPIs) que refletem os resultados esperados pelo cliente. Esses indicadores se tornam referência para acompanhar a evolução da operação ao longo do contrato e direcionar ações de melhoria contínua.
Mais do que estabelecer metas, esse modelo cria um compromisso compartilhado. Tanto a indústria quanto o fornecedor atuam de forma colaborativa para alcançar os resultados definidos, com acompanhamento constante dos indicadores e ajustes sempre que necessário.
Essa lógica também reduz um dos maiores desafios das operações atuais: o risco de adotar soluções padronizadas para problemas completamente diferentes, já que dificilmente a mesma estratégia produzirá os melhores resultados para todas as plantas. A experiência mostra que ganhos consistentes de desempenho normalmente acontecem quando tecnologia, conhecimento técnico e gestão caminham juntos. E isso exige proximidade, entendimento do contexto operacional e uma visão de longo prazo.
Esse modo de construir parcerias, além de inovador, mostra que o real valor de um contrato de serviços não está apenas nas atividades executadas, mas na capacidade de transformar essas atividades em resultados concretos para o negócio. Na indústria, eficiência não é consequência de ações isoladas; ela é o resultado de uma estratégia construída com base em objetivos claros, indicadores relevantes, melhoria contínua e responsabilidade compartilhada.

Mais do que estabelecer metas, esse modelo cria um compromisso compartilhado. Tanto a indústria quanto o fornecedor atuam de forma colaborativa para alcançar os resultados definidos, com acompanhamento constante dos indicadores e ajustes sempre que necessário.”

Renzo Perazzolo
Diretor da área de Serviços da Tetra Pak Brasil.

