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Recrutadores enfrentam dificuldade para contratar profissionais qualificados no Brasil, aponta Robert Half

Estudo aponta que benefícios flexíveis e contratação por projetos ganham espaço como estratégias para atrair talentos em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo

Contratar profissionais qualificados tornou-se um desafio para a maioria das empresas brasileiras. De acordo com a 33ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), 84% dos recrutadores consideram difícil ou muito difícil encontrar profissionais com o perfil desejado. O levantamento também mostra que 30% dos gestores acreditam que o cenário poderá se tornar ainda mais complexo nos próximos meses.

Realizado com 1.161 profissionais, o Índice de Confiança Robert Half (ICRH) aponta que, mesmo com uma intenção moderada de abertura de vagas permanentes, a disputa por especialistas com ensino superior e mais de 25 anos de idade permanece intensa. Segundo o estudo, a combinação entre baixa disponibilidade de profissionais qualificados e elevado nível de exigência das empresas tem ampliado a pressão sobre as áreas de recursos humanos.

O cenário é influenciado pela taxa de desemprego desse grupo de profissionais, que atingiu 2,5% no fim de 2025. O indicador foi calculado pela Robert Half com base nos microdados do IBGE e representa o menor nível da série histórica analisada pela consultoria. Com menos profissionais disponíveis no mercado, o poder de negociação passou a favorecer os candidatos.

Benefícios ganham relevância na decisão dos profissionais

Segundo a pesquisa, além da remuneração, o pacote de benefícios aparece como o principal fator considerado pelos profissionais ao avaliar uma proposta de emprego. Na sequência, os candidatos apontam equilíbrio entre vida pessoal e profissional, perspectivas de crescimento, modelos de trabalho remoto ou híbrido e proximidade entre residência e local de trabalho.

A tendência também aparece no relatório Panorama do RH 2026, desenvolvido pela Caju. O levantamento mostra que 28,6% das empresas brasileiras já utilizam saldo multiuso como benefício corporativo. De acordo com o estudo, a flexibilidade permite que os colaboradores escolham como utilizar os recursos de acordo com suas necessidades individuais, contribuindo para estratégias de retenção.

Exigência maior também é percebida pelos candidatos

A pesquisa da Robert Half indica ainda que 63% dos profissionais empregados consideram difícil ou muito difícil conseguir uma nova colocação no mercado atualmente. Entre os desempregados, esse percentual sobe para 78%, evidenciando um ambiente de seleção mais rigoroso e processos cada vez mais direcionados a competências específicas.

Diante desse contexto, empresas têm recorrido com maior frequência à contratação de especialistas para projetos temporários. Segundo o levantamento, a modalidade oferece agilidade para atender demandas pontuais, reduzir sobrecarga das equipes internas e responder com maior flexibilidade às oscilações do ambiente econômico.

Benefícios flexíveis avançam em setores de alta rotatividade

O estudo da Caju também mostra crescimento na adoção de sistemas integrados de benefícios flexíveis. Os setores de Varejo (33%) e Serviços (26%) lideram a utilização dessas soluções, impulsionados pela necessidade de administrar estruturas descentralizadas e atender diferentes perfis de colaboradores.

De acordo com o levantamento, a evolução das ferramentas de gestão tem permitido maior eficiência operacional para as áreas de recursos humanos, reduzindo retrabalho e facilitando a administração de movimentações de pessoal.

Perspectivas para o mercado de trabalho

O Diagnóstico dos Recrutadores no ICRH:

84% consideram difícil ou muito difícil contratar profissionais qualificados hoje.

64% acreditam que a dificuldade se manterá estável no próximo semestre.

30% projetam um cenário ainda mais adverso e complexo para reter ou atrair talentos.

Mesmo diante de um ambiente macroeconômico que sugere cautela, especialistas da Robert Half alertam que a inércia pode custar caro. Com o desemprego qualificado em níveis mínimos, as empresas que souberem desenhar propostas de valor focadas em bem-estar e benefícios robustos estarão passos à frente na manutenção de sua produtividade.

Segundo a Robert Half, a combinação entre desemprego qualificado em níveis historicamente baixos e maior poder de escolha por parte dos profissionais reforça a importância de estratégias voltadas ao bem-estar, à flexibilidade e à construção de propostas de valor capazes de diferenciar as empresas na disputa por talentos.

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