Empresas avançam na orquestração de processos com IA para integrar operações e reduzir gargalos

Uso de sistemas multiagentes cresce nas empresas enquanto organizações buscam conectar IA, automação e supervisão humana em fluxos operacionais mais complexos

A busca por operações mais integradas e decisões em tempo real tem impulsionado uma nova fase da transformação digital nas empresas: a orquestração de processos de negócios baseada em inteligência artificial.

O movimento ganha força em meio ao avanço dos chamados sistemas multiagentes, capazes de conectar agentes de IA, automações, pessoas e plataformas corporativas em fluxos contínuos de operação. Segundo o relatório Top Strategic Technology Trends, da Gartner, as consultas relacionadas a esse tipo de sistema cresceram 1.445% entre o primeiro trimestre de 2024 e o segundo trimestre de 2025.

Ao mesmo tempo, empresas ainda enfrentam dificuldades para transformar iniciativas de IA em ganhos financeiros efetivos. Dados do relatório AI and Agentic Automation Trends 2026, da UiPath, mostram que cerca de 65% das organizações já utilizam inteligência artificial, mas apenas 5% conseguem escalar esse uso com impacto financeiro significativo.

Entre os principais obstáculos apontados estão gargalos operacionais, excesso de tarefas manuais e baixa interoperabilidade entre sistemas corporativos. Nesse cenário, cresce o interesse pela chamada automação agêntica, modelo que combina inteligência artificial, automação e supervisão humana para coordenar processos de ponta a ponta. A proposta vai além da execução automática de tarefas repetitivas e busca permitir que agentes inteligentes interpretem dados, analisem cenários e direcionem decisões operacionais.

Um exemplo de plataforma de orquestração de processos com IA é o UiPath Maestro™, desenvolvida pela UiPath, que integra agentes de IA, robôs de automação e equipes humanas em um único ambiente operacional.

Segundo a empresa, a solução atua como uma camada central de coordenação, responsável por conectar sistemas corporativos e monitorar fluxos de trabalho em tempo real. O modelo distribui atividades entre agentes, automações e colaboradores conforme o contexto operacional e aciona intervenção humana quando há necessidade de validação ou tratamento de exceções.

“O mercado percebeu que automatizar tarefas isoladas já não é suficiente para lidar com operações complexas e altamente dinâmicas. A orquestração de processos surge justamente para conectar processos, dados e decisões em escala, permitindo que empresas operem de forma mais inteligente e integrada”, afirma Mauricio Grohs, vice-presidente Regional da UiPath.

A companhia destaca ainda que a plataforma incorpora mecanismos de human-in-the-loop, mantendo supervisão humana em etapas consideradas críticas, especialmente em ambientes regulados ou operações de maior complexidade.

Companhias com operação global já registram ganhos operacionais

A adoção desse modelo já começa a gerar resultados em operações globais de grande escala. Um dos casos apresentados pela empresa é o da SunExpress Airlines, joint venture entre Lufthansa e Turkish Airlines.

A companhia passou a utilizar orquestração agêntica em processos ligados a reservas, gestão de voos e operações comerciais, integrando agentes de IA, automações e validações humanas em fluxos operacionais contínuos.

Segundo a empresa, os três primeiros processos automatizados geraram economia superior a US$ 200 mil, além de reduzirem em até dois meses o backlog administrativo. Entre as aplicações estão processos relacionados à gestão de interrupções de voos, reservas de hotéis para tripulações e decisões de pricing. Nesse modelo, os agentes de IA passaram a interpretar dados não estruturados, analisar cenários operacionais e direcionar automaticamente ações e aprovações.

“Estamos entrando em uma fase em que agentes inteligentes passam a atuar como coordenadores de processos empresariais. Isso representa uma mudança estrutural na forma como as empresas operam, especialmente em setores com alto volume de dados e necessidade de resposta rápida”, afirma Grohs.

A evolução também representa uma mudança em relação ao modelo tradicional de RPA (Robotic Process Automation), historicamente voltado à automação repetitiva de tarefas. Agora, os sistemas passam a incorporar capacidades analíticas e tomada de decisão contextual.

De acordo com a UiPath, a tendência é que a consolidação da IA agêntica amplie o potencial de automação em áreas como atendimento ao cliente, supply chain, compliance, procurement e finanças. “A próxima etapa da transformação digital será definida pela capacidade de orquestrar agentes, sistemas e pessoas em tempo real. Empresas que conseguirem integrar inteligência e automação em escala terão ganhos relevantes de produtividade, eficiência e experiência do cliente”, conclui Grohs.

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