Levantamento global com mais de 8.300 executivos indica que capacidade organizacional e atuação da liderança são determinantes para evolução digital
Apesar do avanço no uso de tecnologias digitais, apenas 30% das organizações conseguem evoluir de forma consistente na incorporação dessas ferramentas ao dia a dia do negócio. O dado é do estudo Why Digital Dexterity Is Key to Transformation, conduzido pelo MIT Sloan Management Review, com base em mais de 8.300 executivos de 109 países, que analisa a capacidade das organizações de integrar tecnologia ao trabalho e os fatores associados à maturidade digital.
Disponível no Brasil por meio do CNEX, plataforma de desenvolvimento executivo e relacionamento estratégico, o estudo indica que a principal diferença entre empresas que avançam e aquelas que permanecem estagnadas não está no nível de investimento em tecnologia, mas na capacidade das pessoas de utilizá-la de forma estratégica.
Segundo o levantamento, organizações mais maduras tendem a desenvolver profissionais aptos a trabalhar com dados, explorar novas ferramentas e adaptar continuamente a forma como o trabalho é realizado.
“O estudo reforça uma mudança importante de perspectiva. O desafio deixou de ser tecnológico e passou a ser organizacional. Empresas que não conseguem evoluir na forma como as pessoas trabalham tendem a limitar o retorno de qualquer investimento em tecnologia”, afirma Douglas Souza, CEO do CNEX e CEO da MIT Sloan Management Review Brasil.
Capacidades organizacionais e uso de dados
O estudo aponta que empresas com maior nível de avanço compartilham características comuns, como uso consistente de dados na tomada de decisão, colaboração entre áreas, foco no cliente, aprendizado contínuo e maior abertura à experimentação.
Essas capacidades, de acordo com o levantamento, estão diretamente associadas à incorporação efetiva de novas tecnologias às operações.
Outro ponto destacado é o papel da liderança. Em organizações mais avançadas, 80% dos executivos classificam a alta liderança como altamente familiarizada com tecnologia e dados, mais que o dobro do observado em empresas com menor nível de evolução.
“O comportamento da liderança é um dos principais aceleradores desse processo. Não basta incentivar o uso de dados, é preciso desenvolver líderes capazes de incorporar essas práticas no dia a dia, sinalizando uma mudança real na forma de tomar decisão”, diz Souza.
Desenvolvimento gradual e papel da inteligência artificial
A pesquisa também indica que o desenvolvimento dessas capacidades ocorre de forma gradual. Em alguns dos casos analisados, empresas levaram até oito anos para consolidar estruturas de dados e formar equipes preparadas para operar em ambientes mais intensivos em tecnologia.
O estudo aponta ainda uma mudança na percepção sobre o papel da inteligência artificial nas organizações. Em 2024, 80% dos executivos viam a tecnologia como complementar ao trabalho humano. Um ano depois, esse número caiu para 53%, enquanto 43% passaram a enxergá-la como potencial substituta em determinadas funções.
Para Souza, esse cenário reforça a necessidade de desenvolvimento de competências. “À medida que tecnologias como inteligência artificial se tornam mais acessíveis, o diferencial competitivo passa a estar na capacidade de aprender mais rápido e aplicar esse conhecimento no contexto do negócio. Empresas que não evoluírem neste aspecto tendem a perder relevância ao longo do tempo”, afirma.
Avanço desigual entre organizações
Os dados indicam que o avanço tende a ocorrer de forma desigual entre as organizações. Empresas que conseguem alinhar uso de dados, novas ferramentas e desenvolvimento de pessoas avançam com mais consistência, enquanto aquelas que tratam essas frentes de forma isolada tendem a capturar apenas ganhos pontuais.

