Estudo indica crescimento mais moderado em 2026, com avanço da inteligência artificial e mudanças no comportamento do consumidor
O mercado global de luxo deve entrar em uma fase de estabilização em 2026, com crescimento projetado entre 2% e 4%, segundo o estudo Global Luxury Industry Outlook 2026, divulgado pela Kearney, que analisa dados de mercado, comportamento do consumidor e tendências globais para projetar a evolução do setor de luxo, incluindo estimativas de crescimento, participação regional e mudanças nos padrões de consumo.
O levantamento indica que, após um período de ajustes, o setor passa a operar em um ritmo mais equilibrado, sustentado pela busca por relevância e valor percebido.
De acordo com a consultoria, o mercado global de bens de luxo alcançou cerca de US$ 530 bilhões em 2025, marcando um momento de recalibração, e não de ruptura. Embora estimativas externas apontem crescimento entre 3% e 5%, a Kearney projeta uma expansão mais contida, alinhada ao crescimento anual composto esperado até 2028.
Consumo mais seletivo e pressão sobre valor
O levantamento aponta uma mudança relevante no comportamento do consumidor. Segundo a pesquisa, 73% dos consumidores afirmam que aumentos de preços levaram à redução ou reavaliação de compras, enquanto 36% dizem comprar com menor frequência ou demonstrar menos entusiasmo pelo setor.
Nesse contexto, consumidores de altíssimo e alto patrimônio seguem concentrando a maior parte dos gastos, enquanto o público aspiracional mantém participação, porém com decisões mais racionais e espaçadas.
Categorias e regiões com dinâmicas distintas
O estudo indica que o crescimento do setor será desigual entre regiões e categorias. Estados Unidos, Europa e China permanecem como pilares de estabilidade, concentrando escala e volume de consumo, enquanto Japão e Sudeste Asiático se destacam como mercados de crescimento incremental.
Entre as categorias, joias apresentam desempenho superior, com crescimento estimado entre 6% e 14%, impulsionado por atributos como durabilidade e valor simbólico. O segmento de luxo experiencial também avança, com hotéis e lifestyle hospitality registrando crescimento de até 8% em 2025, além da expansão de clubes privados, que aumentaram sua base de associados em mais de 60% nos últimos cinco anos.
Por outro lado, moda e artigos de couro apresentam crescimento mais moderado, impactados pela sensibilidade a preços e pela realocação de gastos dos consumidores.
A tecnologia aparece como um dos principais vetores de transformação do setor. Segundo o estudo, 69% dos consumidores iniciam sua jornada de compra de luxo no ambiente digital, enquanto 27% já utilizam ferramentas de inteligência artificial para pesquisar e avaliar produtos.
A Kearney aponta que, em 2026, o setor avança para um modelo de comércio orientado por agentes, no qual sistemas inteligentes passam a intermediar etapas como descoberta, comparação e execução de compras.
Renovação criativa e reposicionamento das marcas
O levantamento também destaca uma mudança no campo criativo. Em 2025, o número de trocas de diretores criativos nas grandes casas de luxo foi três vezes superior à média de anos anteriores, indicando um movimento de reposicionamento estratégico das marcas.
Para 2026, a consultoria projeta que o crescimento estará cada vez mais associado à capacidade das empresas de gerar relevância contínua, conectando produto, experiência e ecossistema ao longo da jornada do consumidor.

