Revisão com mais de mil estudos aponta redução de sintomas de ansiedade e depressão com exercícios regulares, enquanto especialistas destacam impacto na rotina e no bem-estar emocional
No Dia Mundial da Atividade Física, celebrado em 6 de abril, a relação entre exercícios físicos e saúde mental ganha destaque à luz de evidências científicas robustas. Uma recente revisão publicada no British Journal of Sports Medicine, considerada pelos próprios autores como a maior já realizada sobre o tema, analisou 1.079 estudos conduzidos em diferentes países, reunindo dados de quase 80 mil participantes.
Os resultados indicam que a prática regular de atividade física está associada a reduções significativas nos sintomas de depressão e ansiedade. Segundo o levantamento, os maiores benefícios foram observados em pessoas com quadros leves a moderados, especialmente com a adoção de atividades aeróbicas e de intensidade moderada. Nesses casos, o exercício pode apresentar eficácia comparável à de intervenções como medicamentos e psicoterapia, configurando-se como uma estratégia acessível e complementar no cuidado com a saúde mental.
O avanço dos transtornos mentais em escala global reforça a relevância do tema. Relatórios Saúde Mental Mundial Hoje e Atlas da Saúde Mental 2024, da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com condições como ansiedade e depressão. Nesse contexto, a OMS recomenda a prática mínima de 150 minutos semanais de atividade física moderada, associada a benefícios expressivos para a saúde mental e o bem-estar geral.
De acordo com o Dr. Rodrigo Schettino, professor da pós-graduação em psiquiatria da Afya Itaperuna, baixos níveis de atividade física estão diretamente relacionados a maiores taxas desses transtornos. “O movimento regular libera endorfinas, melhora a autoestima e contribui para a regulação emocional”, explica. Ele ressalta que a prática consistente pode gerar benefícios relevantes, chegando, em alguns casos, a apresentar efeitos comparáveis aos da psicoterapia na redução de sintomas leves a moderados.
O especialista pondera, no entanto, que quadros mais graves, como depressão moderada a grave, transtorno bipolar e esquizofrenia, demandam tratamento medicamentoso como abordagem principal. Ainda assim, a atividade física atua como aliada importante, contribuindo para a estabilização do humor e para a melhora da qualidade de vida.
A Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, complementa a análise ao destacar a integração entre corpo e mente como um aspecto essencial, embora ainda subestimado. Segundo ela, emoções e respostas físicas estão interligadas, o que amplia o papel da atividade física no cuidado emocional.
Outro ponto destacado é que o impacto positivo não está necessariamente na intensidade, mas na consistência e no significado atribuído à prática. Respeitar limites e preferências individuais é determinante para a continuidade ao longo do tempo. Quando incorporada de forma genuína, a atividade física deixa de ser obrigação e passa a integrar a rotina.
A prática regular também contribui para a organização da rotina, trazendo mais previsibilidade ao dia a dia e fortalecendo a percepção de autocuidado. Para a especialista, o exercício pode funcionar como um momento de reconexão individual. “Ao se engajar em uma prática corporal, a pessoa cria um espaço de pausa e escuta interna, o que é fundamental para a saúde emocional”, explica a especialista.

