Parceria marca nova fase do programa JAQ Hidrogênio Verde e busca viabilizar autonomia energética na navegação de longo curso
O Grupo Náutica formalizou parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) para o desenvolvimento da JAQ H2, embarcação projetada para produzir seu próprio hidrogênio a bordo. A iniciativa integra a terceira fase do programa JAQ Hidrogênio Verde e tem como objetivo avançar na autonomia energética na navegação de longo curso.
Com cerca de 50 metros e entrega prevista para 2027, o novo barco contará com sistema de eletrólise validado pelo IPT, instituição com mais de 125 anos de atuação em ciência aplicada e inovação. O instituto será responsável pelo desenho do sistema de produção de hidrogênio, pela integração com os sistemas elétricos da embarcação e pela avaliação do eletrolisador em condições reais de navegação.
O escopo da parceria inclui estudos de viabilidade técnica, testes de desempenho operacional, análises de segurança para armazenamento e uso do hidrogênio, além de ensaios que podem subsidiar processos de certificação naval e energética.
O projeto conta ainda com apoio logístico do Porto do Açu, no Rio de Janeiro, para a realização de testes em condições reais, além de expedições científicas ao longo do litoral brasileiro. A iniciativa também reúne outros parceiros, como a fabricante global GWM e o SENAI Pernambuco.
A nova etapa sucede o lançamento do JAQ H1, apresentado na COP30. A embarcação de 36 metros é equipada com motorização híbrida e tem capacidade de reduzir em até 80% as emissões de CO₂, com sistemas de hotelaria movidos a hidrogênio verde. Em abril, o modelo inicia um tour técnico partindo de Belém (PA) em direção ao Sudeste, com o objetivo de validar a operação da tecnologia de propulsão.
Segundo o Grupo Náutica, a proposta é evoluir de um modelo experimental para uma solução operacional. “Essa rede de parceiros posiciona o JAQ Hidrogênio Verde como uma iniciativa de escala global e caráter estruturante para a transição energética no setor marítimo. Ao articular um centro de pesquisa tecnológica como o IPT e portos estratégicos para a cadeia do hidrogênio, como o Açu, o projeto integra desenvolvimento tecnológico, produção e abastecimento de hidrogênio, operação logística e aplicação científica em campo. Isso permite avançar de um protótipo para um modelo operacional completo, replicável e comercialmente viável, capaz de produzir hidrogênio a bordo, se abastecer em hubs estratégicos e realizar expedições científicas com duas embarcações simultaneamente”, afirma Ernani Paciornik, presidente do Grupo Náutica e idealizador do projeto.
Crédito da foto: Revista Náutica

