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Novo porto em Itapoá projeta R$ 117 milhões por ano

Terminal previsto para 2030 deve impulsionar demanda por galpões ao longo da BR-101, pressionar preços e antecipar valorização imobiliária na região

A nova infraestrutura portuária planejada para Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, entra no radar do mercado como um importante vetor de reorganização logística e de negócios na região. O TUP Coamo (Terminal de Uso Privado Coamo), com início de operações previsto para 2030, deverá ampliar a capacidade de escoamento de cargas do Sul do país e gerar impactos relevantes na economia local e no mercado imobiliário logístico.

De acordo com projeção divulgada pela DTA Engenharia, responsável pelo projeto, o terminal deverá movimentar 11 milhões de toneladas por ano de granéis sólidos e líquidos, como soja, milho, fertilizantes e derivados de petróleo. Em 2035, a estimativa é de geração de cerca de R$ 117 milhões anuais em receitas públicas, sendo R$ 39 milhões em receitas diretas, via ISS e IPTU, e R$ 78 milhões em tributos federais, como PIS e Cofins.

Com o novo fluxo de operações portuárias, a expectativa do mercado é de intensificação da demanda por áreas de armazenagem e distribuição ao longo do corredor da BR-101, especialmente entre São Francisco do Sul e Itapoá. A projeção é de que a valorização de terrenos e galpões logísticos na região possa chegar a até 40% nos próximos dois anos, em um cenário marcado por oferta limitada de imóveis prontos, baixa vacância e retornos acima da média nas locações.

“A implantação de um terminal com perfil voltado ao agronegócio e a insumos industriais gera um efeito que vai muito além do cais. Na prática, as empresas começam a procurar áreas para armazenagem, cross-docking, pátios de triagem, bases operacionais e centros de distribuição, o que aumenta a ocupação e antecipa movimentos de preço, principalmente em regiões onde a oferta de imóveis prontos é limitada”, afirma Douglas Curi, sócio da Sort Investimentos, empresa que administra R$ 3,9 bilhões em ativos do gênero. O perfil do projeto reforça a atratividade logística do estado.

A combinação entre expansão portuária, logística integrada e restrição de oferta imobiliária reforça a percepção de que Itapoá e o Litoral Norte catarinense devem ganhar protagonismo estratégico nos próximos anos, não apenas como corredor de escoamento de cargas, mas também como polo de atração de novos investimentos logísticos e industriais.

“A Coamo está entre as maiores cooperativas do Brasil. Ver uma operação com origem no Paraná ampliar sua presença e se ancorar em Santa Catarina é um sinal claro da eficiência dos portos do estado e da demanda consistente que existe na região, apoiada por infraestrutura e disponibilidade de mão de obra. Quando um terminal desse porte entra no horizonte, o efeito aparece rápido, pois empresas passam a disputar áreas no entorno para armazenagem e apoio operacional, o que pressiona a oferta e tende a acelerar a valorização de terrenos e galpões em Itapoá e nos municípios vizinhos. Na região, esse movimento já se reflete em taxa de vacância inferior a 5% e rentabilidade nas locações acima de 0,7% ao mês”, complementa Curi.

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