Além de economia e conforto, conheça os fatores que empresários e investidores devem avaliar antes de adquirir ou vender uma aeronave
A entrada na aviação executiva costuma ser associada a autonomia e conforto, mas, na prática, a decisão de adquirir uma aeronave tem sido cada vez mais tratada como uma estratégia de negócios. Para empresários e investidores, o avião pode representar uma ferramenta de produtividade, expansão e otimização do tempo. Mas tanto a compra quanto a venda de uma aeronave, exigem planejamento financeiro, análise técnica e apoio especializado.
“A escolha do modelo precisa estar alinhada à missão do proprietário. Mais do que escolher uma aeronave, é preciso entender como vai operar no dia a dia do negócio. Quando essa definição não é feita com clareza, o risco de uma escolha inadequada aumenta significativamente”, afirma João Mellão, CEO da Amaro Aviation.
A seguir, cinco pilares apontados por Mellão para orientar uma decisão mais segura e estratégica.
1. Definição clara da missão ou da necessidade
O primeiro passo é compreender a real necessidade de deslocamento. Avaliar se a aeronave será utilizada principalmente entre capitais, se haverá voos intercontinentais, se os destinos incluem pistas curtas ou não pavimentadas e qual será o número médio de passageiros são fatores determinantes.
A chamada missão operacional influencia diretamente características como alcance, autonomia, performance e configuração da aeronave. Comprar um avião sem alinhar a escolha à missão é apontado como um dos erros mais comuns de quem ingressa no setor.
2. Orçamento e capacidade de sustentação
O investimento na aviação executiva vai além do valor de aquisição da aeronave. É necessário considerar custos de manutenção, operação, tripulação, seguro, hangaragem e gestão.
Em alguns casos, o orçamento pode determinar se a aeronave conseguirá realizar rotas diretas ou se será mais estratégico optar por configurações que exijam paradas técnicas. Sustentar a operação, segundo o executivo, é tão importante quanto realizar a compra.
3. Aeronave nova ou usada: cada escolha exige estratégia
A aquisição de aeronaves novas tende a seguir um processo mais linear quando o orçamento permite. Já no mercado de aeronaves seminovas, a análise exige maior rigor técnico.
Aspectos como histórico de manutenção, inspeção pré-compra, configuração da aeronave, liquidez futura e posicionamento de mercado precisam ser avaliados com cuidado. Nesse cenário, o suporte de consultores especializados pode contribuir para maior segurança e transparência no processo.
4. Segurança jurídica e processos de importação
A importação de aeronaves envolve uma série de etapas técnicas, fiscais e regulatórias. Erros ou falhas nesse processo podem gerar multas, problemas documentais e atrasos operacionais.
Por isso, contar com especialistas responsáveis pela estruturação da compra é apontado como uma forma de proteger o investidor e garantir que a aeronave seja incorporada corretamente à operação no país.
5. Exclusividade na compra e na venda
Outro ponto destacado é a importância de trabalhar com exclusividade durante as negociações. Quando múltiplos intermediários atuam simultaneamente na compra ou venda de uma aeronave, aumenta o risco de desalinhamento de informações e de pressão por fechamento rápido.
Além disso, a exposição excessiva do ativo no mercado pode resultar em desvalorização. A centralização da negociação tende a preservar o posicionamento e o valor do bem.
Para Mellão, a aeronave deve ser encarada como um instrumento de eficiência e crescimento empresarial. “A aviação executiva não é sobre capricho, é sobre eficiência. Com planejamento, assessoria especializada e clareza estratégica, a compra e venda de aeronaves pode se tornar uma decisão segura, eficiente e alinhada aos objetivos do proprietário”, conclui o executivo.

