Fundada por ex-alunos da USP e apoiada pela FAPESP, Condor Instruments desenvolve solução utilizada por instituições como Harvard, NIH e equipes ligadas ao programa Artemis II
Uma tecnologia desenvolvida no Brasil para monitoramento do sono e dos ritmos circadianos passou a integrar testes ligados à missão Artemis II, ampliando a presença da engenharia nacional em projetos científicos de alta complexidade conduzidos pela NASA.
A solução foi criada pela Condor Instruments, empresa fundada em 2013 por ex-alunos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, especializada no desenvolvimento de tecnologias para monitoramento do sono, atividade motora e ritmos circadianos.
O interesse da NASA surgiu em 2023, quando equipes ligadas ao programa Artemis iniciaram testes com dispositivos da companhia brasileira. Segundo a empresa, a tecnologia passou posteriormente a ser utilizada na missão Artemis II, projeto que integra o programa espacial voltado à retomada das missões tripuladas à Lua.
O principal produto da empresa é o ActLumus, dispositivo de actigrafia desenvolvido para registrar atividade motora, temperatura cutânea e exposição à luz. Com formato semelhante ao de um relógio de pulso, o equipamento realiza o acompanhamento contínuo dos padrões de sono e vigília do usuário, utilizando sensores capazes de detectar incidência luminosa em diferentes faixas espectrais.
A análise desses dados permite avaliar os efeitos da luz sobre o ciclo circadiano, mecanismo biológico responsável por sincronizar o relógio interno do organismo com o ambiente. “O ActLumos representa a evolução de anos de pesquisa aplicada em eletrônica e sistemas embarcados. Desenvolvemos uma solução completa, que integra hardware e software, permitindo aos nossos clientes extrair dados com alto nível de precisão e gerar insights relevantes para ciência e medicina”, afirma Luis Filipe Fragoso Rossi, CTO e sócio-fundador da Condor Instruments.
A trajetória da empresa começou com investimento próprio dos fundadores, estimado em cerca de R$ 40 mil, direcionado ao desenvolvimento inicial da tecnologia. Posteriormente, a companhia recebeu apoio do programa PIPE Fase 2 da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, que aportou aproximadamente R$ 195 mil para acelerar a evolução do produto e sua entrada no mercado.
Desde os primeiros anos de operação, a empresa adotou uma estratégia voltada ao mercado internacional. Atualmente, atende 735 clientes em 43 países, incluindo instituições como Harvard University, Stanford University, National Institutes of Health, National Health Service, Northwestern University, Hokkaido University e o Federal Institute for Occupational Safety and Health.
Em 2025, a Condor Instruments registrou faturamento superior a R$ 6,5 milhões, sendo 86,47% provenientes de exportações. Entre 2021 e 2025, a empresa apresentou crescimento médio anual (CAGR) de 50,63% em faturamento, sustentando um modelo de expansão baseado em crescimento orgânico e atuação global.
“Nosso foco sempre foi resolver problemas complexos com precisão e isso nos levou, de forma natural, a clientes e projetos no mundo inteiro. Hoje, temos a convicção de que estamos construindo o melhor produto do mundo”, diz Rodrigo Trevisan Okamoto, diretor de Operações e sócio-fundador da Condor Instruments.
Além da atuação em pesquisas clínicas e científicas, a presença da tecnologia brasileira em projetos ligados ao programa Artemis reforça o avanço de soluções nacionais em áreas de alta especialização tecnológica, conectando engenharia, ciência aplicada e pesquisa espacial.
Crédito da foto: NASA

