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Faturamento das PMEs cresce no 1º trimestre de 2026, com desempenho desigual entre setores

Índice Omie aponta alta de 4,5% na movimentação financeira, com destaque para a indústria, enquanto comércio e infraestrutura seguem pressionados

A movimentação financeira real média das pequenas e médias empresas brasileiras cresceu 4,5% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). O resultado marca o terceiro avanço trimestral consecutivo, após um período de desempenho mais fraco observado no primeiro semestre do ano anterior.

O índice, desenvolvido pela Omie, funciona como um termômetro da atividade econômica das empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões, acompanhando cerca de 750 atividades econômicas distribuídas entre Comércio, Indústria, Infraestrutura e Serviços. O indicador é elaborado com base em dados agregados e anonimizados de mais de 180 mil empresas, com deflação pelo Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas, permitindo a análise da movimentação em termos reais.

A melhora em parte dos segmentos ocorre em um contexto de alívio de custos para os empreendedores. Com base no IGP-M, o acumulado em 12 meses passou de 8,58% ao final do primeiro trimestre de 2025 para -1,83% no encerramento dos três primeiros meses de 2026, indicando arrefecimento das pressões inflacionárias. Apesar disso, a alta nos preços dos combustíveis em março, decorrente da guerra no Irã, impõe um novo desafio às PMEs, pressionando custos no curto prazo em diversas cadeias produtivas.

Pelo lado da demanda, a resiliência do mercado de trabalho contribui para sustentar o consumo das famílias. O desemprego permaneceu em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, enquanto os rendimentos reais ficaram 13% acima da média de 2019. Por outro lado, a confiança do consumidor apresentou recuo médio de 1,1% ao mês entre janeiro e março de 2026, segundo a Sondagem do Consumidor da FGV IBRE, limitando decisões de consumo e investimento.

As condições restritivas de crédito seguem como fator de pressão. Na reunião mais recente do Copom, a taxa Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, iniciando um ciclo de cortes após nove meses em patamar elevado. Ainda assim, os juros permanecem altos, impactando o custo do capital e os níveis de inadimplência.

Do ponto de vista setorial, os dados do IODE-PMEs evidenciam diferenças relevantes de desempenho. A indústria liderou o crescimento no período, com alta de 9,7% no faturamento médio real, impulsionada por resultados positivos em 19 dos 23 subsetores analisados, com destaque para fabricação de máquinas e equipamentos, papel, produtos de madeira e metalurgia.

O setor de serviços apresentou estabilidade no trimestre, interrompendo o avanço observado no segundo semestre de 2025. O desempenho foi concentrado em atividades específicas, como serviços profissionais, saúde e transportes, enquanto segmentos como alimentação e educação seguem com maior dificuldade de recuperação.

No comércio, o faturamento médio real recuou 0,3% no primeiro trimestre, configurando o quinto resultado negativo consecutivo na análise trimestral. Os resultados foram heterogêneos, com o atacado em crescimento, o varejo estável e o segmento de veículos em retração.

Já o setor de infraestrutura registrou queda de 1,0%, refletindo a desaceleração da construção civil em um cenário de juros elevados, que desestimula investimentos. O segmento de descontaminação e gestão de resíduos contribuiu para atenuar uma retração mais acentuada no período.

Na análise regional, o índice permaneceu em território positivo no Sudeste, com crescimento de 3,8%, reforçando a tendência de recuperação observada desde o terceiro trimestre de 2025. Também houve avanço no Sul (7,7%), Nordeste (7,3%) e Centro-Oeste (9,5%), enquanto a região Norte apresentou leve retração de 0,6%.

Diante de um ambiente mais desafiador, a projeção de crescimento do IODE-PMEs para 2026 foi revisada de 2,9% para 2,2%, após piora nas expectativas de inflação e taxa de juros. Ainda assim, o cenário segue indicando expansão moderada ao longo do ano.

De acordo com a mediana das expectativas do Boletim Focus do Banco Central do Brasil, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 1,9% em 2026, apontando desaceleração em relação aos anos anteriores. Em meio a um cenário de incertezas, a combinação entre renda resiliente, crédito restrito e pressões de custos deve seguir moldando o desempenho das PMEs ao longo do ano.

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