Estudo da ABINC e TI Inside aponta expectativa positiva para o setor, com avanço da inteligência artificial e entraves relacionados à integração, infraestrutura e adoção
O mercado de Internet das Coisas (IoT) no Brasil deve seguir em trajetória de crescimento nos próximos anos, mas ainda enfrenta obstáculos relevantes para ganhar escala. É o que revela o estudo Panorama do IoT no Brasil 2026, conduzido pela Associação Brasileira de Internet das Coisas (ABINC) em parceria com a TI Inside, que reúne percepções de profissionais do setor sobre crescimento, adoção, investimentos, desafios e tendências da Internet das Coisas no país.
De acordo com o levantamento, 88,5% dos profissionais do setor projetam expansão do mercado, sendo 47,5% com crescimento moderado e 41% com avanço acelerado. Apesar do cenário positivo, a evolução ainda ocorre de forma desigual.
Os dados mostram que o mercado permanece mais desenvolvido do lado da oferta do que da demanda. Entre os participantes da pesquisa, 86,9% são fornecedores de soluções, enquanto apenas 13,1% representam usuários finais.
Esse descompasso contribui para limitar o avanço em escala. “O Brasil já superou a fase de experimentação. Hoje, o IoT é uma realidade em diversos setores, mas o grande desafio está em transformar projetos em escala, com integração e retorno claro para o negócio”, afirma Rogério Moreira, presidente da ABINC.
Avanço tecnológico e integração com IA
O estudo aponta uma mudança no nível de maturidade do setor. Soluções completas e dispositivos conectados lideram o mercado, ambos com 20,8%, indicando a transição de ofertas fragmentadas para modelos mais integrados, que combinam hardware, software, conectividade e análise de dados.
A adoção do IoT ocorre principalmente em setores com alta demanda por eficiência operacional. A Indústria 4.0 concentra 17% das aplicações, seguida por utilities (15,1%) e logística e transporte (13,2%).
A inteligência artificial também ganha protagonismo no ecossistema. Entre as tecnologias emergentes, a IA aplicada ao IoT lidera com 39,6%, seguida por edge computing (18,9%) e redes privativas e gêmeos digitais (9,4% cada).
Atualmente, 52,8% das empresas estão desenvolvendo soluções com inteligência artificial, enquanto 35,8% já oferecem essas tecnologias ao mercado. “Estamos vendo o IoT evoluir de uma camada de coleta de dados para uma plataforma de inteligência. A integração com IA é o que vai permitir ganhos reais de eficiência e automação em escala”, diz Moreira.
Entraves à expansão
Apesar dos avanços, o estudo identifica desafios relevantes para a expansão do IoT no Brasil. Entre os fornecedores, a principal barreira é a infraestrutura de conectividade, citada por 24,5% dos respondentes. Na sequência aparecem a escalabilidade das soluções (20,8%) e a adesão dos clientes (17%).
Do lado das empresas usuárias, os obstáculos incluem a falta de conhecimento técnico (37,5%) e a dificuldade de integração com sistemas existentes (25%).
O cenário também se reflete nos investimentos. Segundo o levantamento, 37,5% das empresas investiram até R$ 100 mil em IoT nos últimos 12 meses, enquanto outros 37,5% não realizaram qualquer investimento no período.
“O desafio do IoT no Brasil hoje não é mais tecnológico. É de maturidade de mercado. Escalar exige integração, capacitação e, principalmente, clareza de valor para o negócio”, completa o presidente da ABINC.
Tendências do setor
Para os próximos anos, o estudo aponta a integração entre IoT e inteligência artificial como principal tendência, mencionada por 67,2% dos entrevistados. Também são destacados os avanços em tecnologias como 5G e edge computing.
O levantamento indica que, embora o setor avance rapidamente em termos tecnológicos, o crescimento sustentado dependerá da capacidade das empresas de integrar soluções, desenvolver competências internas e demonstrar retorno sobre investimento.

