Estudo mostra maturidade do uso de inteligência artificial no varejo e em bens de consumo, com foco em código aberto, agentes de IA e sistemas físicos
A inteligência artificial vem assumindo um papel cada vez mais estratégico nas operações de varejo e de bens de consumo embalados (CPG). Essa transformação é detalhada na 3ª edição do relatório Estado da IA no Varejo e em Bens de Consumo Embalados: Tendências para 2026, organizado pela NVIDIA, que aponta um avanço consistente da tecnologia desde a fase experimental até a adoção em larga escala nas empresas do setor.
Segundo o estudo, nove em cada dez varejistas pretendem aumentar seus orçamentos de IA em 2026, impulsionados por resultados concretos em eficiência operacional, crescimento de receita e melhoria da experiência do cliente. O levantamento indica que a IA vem sendo utilizada para aprimorar a análise e segmentação de clientes, possibilitando maior personalização em marketing e publicidade, além de acelerar e tornar mais precisa a previsão de demanda em cadeias de suprimentos e logística.
A pesquisa revela que 91% dos entrevistados afirmaram que suas empresas já utilizam ou avaliam ativamente soluções de IA, enquanto 90% planejam ampliar os investimentos na tecnologia em 2026. Do ponto de vista financeiro, 89% relataram aumento de receita associado ao uso de IA, e 95% indicaram redução de custos anuais, sendo que uma parcela significativa reportou impactos superiores a 10%.
“O retorno dos investimentos em IA se torna cada dia mais perceptível, o que incentiva investimentos futuros, mas acima disso, transforma para melhor e completamente a lógica do mercado. É empolgante perceber a estratégia de IA inserida de uma ponta à outra de uma cadeia de produção, com impactos positivos sendo sentidos do começo ao fim”, comenta Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina.
Código aberto ganha protagonismo
O relatório destaca o crescimento da importância de modelos e softwares de código aberto, considerados de moderadamente a extremamente relevantes para a estratégia de IA por 79% dos participantes. Segundo a análise, ecossistemas abertos oferecem flexibilidade para adaptação dos modelos aos dados proprietários das empresas, ao mesmo tempo em que facilitam a integração com sistemas e fluxos de trabalho já existentes.
“A maioria dos varejistas começou a experimentar IA usando fornecedores de IA proprietários”, diz Jason Goldberg, diretor de estratégia de comércio do Publicis Groupe. “Eles tinham os modelos, mas não detinham o controle total sobre eles. O código aberto muda esse cenário, permitindo que os varejistas aproveitem seus dados proprietários, evitem a dependência de fornecedores e se beneficiem da inovação da comunidade de código aberto.”
IA como diferencial competitivo
Com a ampla adoção da tecnologia, o debate no setor deixou de ser sobre a decisão de investir ou não em IA e passou a se concentrar em como implantar e escalar as soluções de forma mais eficaz. Entre os principais ganhos relatados estão o aumento da produtividade dos funcionários (54%), a criação de eficiências operacionais (52%) e a melhoria no atendimento ao cliente (41%).
“O que os executivos devem priorizar não é aprovar projetos superficiais em detrimento de conquistas com alto retorno sobre o investimento”, afirma Chris Walton, co-CEO da Omni Talk. “Os varejistas que terão sucesso começarão com casos de uso aparentemente simples que resolvam problemas específicos de lucros e perdas, comprovem o valor e, então, expandam.”
Agentes de IA e operações inteligentes
Outro destaque do estudo é a ascensão dos agentes de IA. De acordo com o relatório, 47% dos entrevistados afirmaram que suas empresas já utilizam ou avaliam esse tipo de tecnologia, sendo que uma parcela relevante prevê sua implementação no curto prazo. Os agentes atuam em frentes como rebalanceamento de estoque em tempo real, precificação dinâmica e negociações com fornecedores.
“O impacto verdadeiramente disruptivo da IA ativa atingirá primeiro as cadeias de suprimentos e operações do varejo, como agentes autônomos que lidam com o rebalanceamento de estoque em tempo real, precificação dinâmica e negociações com fornecedores em grande escala, porque é aí que o retorno sobre o investimento é mensurável”, diz Walton.
Resiliência na cadeia de suprimentos
A pesquisa também evidencia o papel da IA na resposta aos desafios crescentes das cadeias de suprimentos. Sessenta e quatro por cento dos entrevistados relataram aumento da complexidade operacional em relação ao ano anterior, influenciado por fatores como instabilidade geopolítica, escassez de mão de obra e maiores exigências dos consumidores.
“A IA permite que os varejistas otimizem o estoque no nível da loja e do cliente, em vez de no nível regional”, destaca Goldberg. “A IA permite que os varejistas incorporem muito mais fatores em suas previsões de demanda e prevejam e evitem rupturas de estoque com muito mais precisão, combinando oferta e demanda de forma muito mais exata.”
Nesse contexto, a IA física começa a ganhar espaço, com **17% dos participantes usando ou avaliando a tecnologia**, especialmente para automação e otimização de operações logísticas e de armazém.
“A verdadeira transformação virá da IA que tornará a infraestrutura física existente mais inteligente”, finaliza Walton. “Meu exemplo favorito é a robótica nas lojas. Por meio dela, você obtém melhores preços, melhor controle de estoque, gestão mais eficiente e melhor qualidade de apresentação.”
Metodologia
A 3ª edição do relatório Estado da IA no Varejo e em Bens de Consumo Embalados: Tendências para 2026, organizado pela NVIDIA, foi elaborada a partir de centenas de respostas de empresas do setor de varejo e CPG, analisando o estágio de adoção da inteligência artificial, seus impactos financeiros e operacionais, além das principais tendências para o próximo ano.

